{"id":508,"date":"2021-04-17T18:30:17","date_gmt":"2021-04-17T18:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=508"},"modified":"2021-04-17T18:30:17","modified_gmt":"2021-04-17T18:30:17","slug":"o-aspecto-paradoxal-do-ser-individual-simondon-2005-1958","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/17\/o-aspecto-paradoxal-do-ser-individual-simondon-2005-1958\/","title":{"rendered":"O aspecto paradoxal do ser individual (Simondon 2005 [1958])"},"content":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2005. Histoire de la notion d&#8217;individu. In: <em>L&#8217;individuation \u00e0 la lumi\u00e8re des notions de forme et d&#8217;information<\/em>. Grenoble: J\u00e9r\u00f4me Millon, pp.455-6, nota 13. [1958]<\/p>\n<blockquote><p>[A] realidade individual \u00e9 n\u00e3o apenas ambivalente, mas feita de uma dualidade interna que institui em si mesma uma rela\u00e7\u00e3o essencial: de qualquer ponto de vista que se possa apreend\u00ea-lo, o indiv\u00edduo \u00e9 feito da rela\u00e7\u00e3o de dois aspectos: ontogen\u00e9tica e filogen\u00e9tica; interioridade e exterioridade; subtancialidade e eventualidade; liberdade e determinismo; asseidade e participa\u00e7\u00e3o; instintividade profunda e racionalidade hiperconsciente. Este dualismo ambivalente poderia ser entendido como a natureza problem\u00e1tica, ou auto-problem\u00e1tica, do indiv\u00edduo: o indiv\u00edduo n\u00e3o encontra dificuldades, ele \u00e9 dificuldade em si mesmo; ele se coloca em quest\u00e3o e \u00e9 seu pr\u00f3prio problema; ele se reencontra sobre seu pr\u00f3prio caminho. Como um dos aspectos mais n\u00edtidos deste car\u00e1ter auto-problem\u00e1tico do indiv\u00edduo, citemos a analogia do sentido da vida e do sentido da morte, da assum\u00e7\u00e3o e do desaparecimento da individualidade. A individualidade \u00e9 circularidade causal, afrontamento de si por si, afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o de si por si mesmo: toda tend\u00eancia \u00e9 gemelar[&#8230;]; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel adotar nem monismo, nem dualismo, o que seria uma supress\u00e3o da recorr\u00eancia, pois assim s\u00f3 ter\u00edamos um ou dois termos isolados. N\u00e3o h\u00e1 um, nem dois termos, mas desdobramento de um termo, e unifica\u00e7\u00e3o de dois termos. O indiv\u00edduo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o permanente de unidade e dualidade.<\/p>\n<p>A individualidade do indiv\u00edduo \u00e9, precisamente, transindividual, pois o indiv\u00edduo afirma sua individualidade opondo sua a\u00e7\u00e3o \u00e0 sua substancialidade (sacrif\u00edcio, simpatia), mas essa simpatia e esse sacrif\u00edcio [essa oposi\u00e7\u00e3o] n\u00e3o poderiam existir sem uma relativa substancialidade do indiv\u00edduo em primeiro lugar. A a\u00e7\u00e3o se move, mas ela se move a partir de um ponto, que se torna ponto de partida, pois a a\u00e7\u00e3o se estende nele. A rela\u00e7\u00e3o tem estatuto de ser com rela\u00e7\u00e3o aos termos, e os termos encontram, no ato que estabelece a rela\u00e7\u00e3o, o seu valor como termos.<\/p>\n<p>Seria falso, nesse sentido, dizer que o indiv\u00edduo \u00e9 apenas informa\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 de fato auto-posi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode existir relativamente a um ponto de vista, e n\u00e3o h\u00e1 ponto de vista sen\u00e3o pela individualidade. A realidade transdutiva do indiv\u00edduo reside no fato de o indiv\u00edduo possuir, em si mesmo, um dinamismo alagm\u00e1tico no qual consiste sua unidade e sua pluralidade, assim como a bipolaridade fundamental de suas tend\u00eancias. Por outro lado, [tamb\u00e9m] na rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com outros indiv\u00edduos, com a natureza ou com seres t\u00e9cnicos, ele \u00e9 investido numa rela\u00e7\u00e3o transdutiva.<\/p>\n<p>Enfim, uma terceira rela\u00e7\u00e3o alagm\u00e1tica <em>permite<\/em> que as duas precedentes existam, e \u00e9 condicionada por elas: a rela\u00e7\u00e3o alagm\u00e1tica entre interioridade e exterioridade, entre a rela\u00e7\u00e3o transdutiva interior e a rela\u00e7\u00e3o transdutiva exterior. Nenhuma dessas duas rela\u00e7\u00f5es primitivas (da interioridade ou da exterioridade) seria est\u00e1vel sem a terceira, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de duas rela\u00e7\u00f5es. Mas esta \u00faltima n\u00e3o existiria sem as precedentes. H\u00e1 simultaneidade de tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o transdutiva entre as duas primeiras rela\u00e7\u00f5es se manifesta por um <em>v\u00ednculo anal\u00f3gico<\/em> entre suas estruturas din\u00e2micas e est\u00e1ticas: essas duas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o transposi\u00e7\u00f5es uma da outra. Mas a analogia n\u00e3o passa do aspecto simb\u00f3lico que revela uma atividade transdutiva. Em sua realidade, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 rela\u00e7\u00e3o transdutiva; ela [apenas] se exprime exteriormente sob forma de rela\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica. A analogia \u00e9 a express\u00e3o simb\u00f3lica da transdu\u00e7\u00e3o; ela n\u00e3o a constitui, apenas a <em>exprime<\/em>. [&#8230;]  Essa rela\u00e7\u00e3o transdutiva \u00e9 assim\u00e9trica em Plat\u00e3o, pois o Sol e o olho, o Bem e a alma, s\u00e3o an\u00e1logos sem pertencerem ao mesmo n\u00edvel na ordem dos seres. Mas devemos notar que, a partir da assimetria fundamental entre o modelo e sua realiza\u00e7\u00e3o, entre a ideia do barco e o barco, Plat\u00e3o busca uma rela\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica: a alma \u00e9 irm\u00e3 das ideias, e n\u00e3o apenas an\u00e1logo do Bem. O olho realmente emite uma luz que vai encontrar a luz que vem do Sol e do objeto.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2005. Histoire de la notion d&#8217;individu. In: L&#8217;individuation \u00e0 la lumi\u00e8re des notions de forme et d&#8217;information. Grenoble: J\u00e9r\u00f4me Millon, pp.455-6, nota 13. 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