{"id":497,"date":"2021-04-17T18:12:38","date_gmt":"2021-04-17T18:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=497"},"modified":"2021-04-17T18:12:38","modified_gmt":"2021-04-17T18:12:38","slug":"a-metaestabilidade-do-receptor-e-a-condic%cc%a7a%cc%83o-de-eficacia-da-informac%cc%a7a%cc%83o-incidente-simondon-1962","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/17\/a-metaestabilidade-do-receptor-e-a-condic%cc%a7a%cc%83o-de-eficacia-da-informac%cc%a7a%cc%83o-incidente-simondon-1962\/","title":{"rendered":"A metaestabilidade do receptor e\u0301 a condic\u0327a\u0303o de efica\u0301cia da informac\u0327a\u0303o incidente (Simondon 1962)"},"content":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2020. A amplifica\u00e7\u00e3o nos processos de informa\u00e7\u00e3o. (Trads.: Pedro P. Ferreira; Evandro Smarieri) <em>Trans\/Form\/A\u00e7\u00e3o<\/em> 43(1):283-300. [1962]<\/p>\n<p><em>Ser ou na\u0303o ser informac\u0327a\u0303o<\/em> na\u0303o depende somente de caracteri\u0301sticas internas de uma estrutura; a informac\u0327a\u0303o na\u0303o e\u0301 uma coisa, mas a operac\u0327a\u0303o de uma coisa ingressando num sistema, e nele produzindo uma transformac\u0327a\u0303o. A informac\u0327a\u0303o na\u0303o pode ser definida fora desse ato de incide\u0302ncia transformadora e da operac\u0327a\u0303o de recepc\u0327a\u0303o. Na\u0303o e\u0301 o emissor que faz de uma estrutura uma informac\u0327a\u0303o, pois uma estrutura pode se comportar como informac\u0327a\u0303o com relac\u0327a\u0303o a um receptor dado sem ter sido composta por um emissor individualizado e organizado; impulso\u0303es provenientes de feno\u0302menos aleato\u0301rios podem disparar um dado receptor [&#8230;]. Em contraposic\u0327a\u0303o, os sinais emitidos por um emissor resultam apenas na degradac\u0327a\u0303o de sua energia portadora se eles na\u0303o encontrarem um ou mais receptores nos quais eles desempenhem um papel eficaz, determinando as mudanc\u0327as de estado que na\u0303o poderiam ocorrer sem a incide\u0302ncia dos sinais: a realidade <em>local<\/em>, o receptor, e\u0301 <em>modificado em seu devir<\/em> pela realidade <em>incidente<\/em>, e e\u0301 essa modificac\u0327a\u0303o da realidade local pela realidade incidente que e\u0301 a func\u0327a\u0303o da informac\u0327a\u0303o. E\u0301 virtualmente <em>receptora<\/em> toda realidade que na\u0303o possui inteiramente nela mesma a determinac\u0327a\u0303o do curso de seu devir. Essa condic\u0327a\u0303o e\u0301 realizada se o receptor na\u0303o e\u0301 completamente um sistema, isto e\u0301: se de um lado ele possui um ni\u0301vel de organizac\u0327a\u0303o elevado, com isolamentos internos e uma distribuic\u0327a\u0303o na\u0303o-aleato\u0301ria de seus elementos, permitindo-o reter uma energia potencial capaz de operar transformac\u0327o\u0303es futuras; e se, de outro lado, a mudanc\u0327a de estado possi\u0301vel pelo jogo da energia potencial na\u0303o depende de fatores internos, locais. [&#8230;] O receptor e\u0301 uma realidade auto\u0302noma do ponto de vista energe\u0301tico, pois ele possui a energia potencial (energia de estado) capaz de garantir transformac\u0327o\u0303es, de as alimentar; mas o receptor na\u0303o e\u0301 efetivamente um receptor se na\u0303o for hetero\u0302nomo do ponto de vista da causa que dispara as transformac\u0327o\u0303es \u2013 essa causa disparadora sendo um aporte de energia incidente, eventualmente ta\u0303o fraco quanto se queira. Por isso (autonomia energe\u0301tica e heteronomia da disparac\u0327a\u0303o das transformac\u0327o\u0303es por mudanc\u0327a de estado), um receptor e\u0301 um <em>quase-sistema<\/em>, um sistema de entrada. [&#8230;]<\/p>\n<p>O receptor de informac\u0327a\u0303o e\u0301 uma realidade que possui uma zona mista de interac\u0327a\u0303o entre as estruturas ou energias locais e os aportes de energia incidente; se essa zona mista de interac\u0327a\u0303o estiver em relac\u0327a\u0303o com a existe\u0302ncia de estados metaesta\u0301veis, ela conferira\u0301 a\u0300 informac\u0327a\u0303o incidente sua efica\u0301cia, isto e\u0301, a capacidade de iniciar, no receptor, transformac\u0327o\u0303es que na\u0303o seriam produzidas nele espontaneamente apenas pelo jogo de fatores locais.<\/p>\n<p>A <em>irreversibilidade<\/em> da relac\u0327a\u0303o entre a realidade incidente e a realidade local repousa sobre a metaestabilidade inicial do estado do receptor antes da recepc\u0327a\u0303o da informac\u0327a\u0303o. Essa metaestabilidade garante a autonomia energe\u0301tica do devir do receptor. Se o receptor estivesse em estado esta\u0301vel no momento em que recebesse a realidade incidente, ele na\u0303o poderia ser modificado sem acoplamento reversi\u0301vel com um outro sistema: a entrada do receptor seria tambe\u0301m uma sai\u0301da efetora. E\u0301 a metaestabilidade do estado do receptor que mante\u0301m a distinc\u0327a\u0303o funcional entre entrada e sai\u0301da; antes de serem organologicamente distintas, entrada e sai\u0301da sa\u0303o os termos extremos de uma transformac\u0327a\u0303o na\u0303o-reversi\u0301vel, a entrada sendo a operac\u0327a\u0303o de informac\u0327a\u0303o por incide\u0302ncia em uma realidade em estado metaesta\u0301vel, e a sai\u0301da sendo o efeito produzido no final da transformac\u0327a\u0303o da energia potencial desse estado metaesta\u0301vel, desencadeada pela incide\u0302ncia de informac\u0327a\u0303o. (pp.283-5)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2020. 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