{"id":412,"date":"2021-04-16T14:43:37","date_gmt":"2021-04-16T14:43:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=412"},"modified":"2021-04-16T14:43:52","modified_gmt":"2021-04-16T14:43:52","slug":"o-atual-e-o-virtual-deleuze-1996","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/16\/o-atual-e-o-virtual-deleuze-1996\/","title":{"rendered":"O atual e o virtual (Deleuze 1996)"},"content":{"rendered":"<p>DELEUZE, Gilles. 1996. O atual e o virtual. In: \u00c9ric Alliez. <em>Deleuze Filosofia Virtual<\/em>. (trad. Helo\u00edsa B.S. Rocha) S\u00e3o Paulo: Ed.34, pp.47-57.<\/p>\n<p>Deleuze come\u00e7a a primeira se\u00e7\u00e3o apresentando a Filosofia como &#8220;a teoria das multiplicidades&#8221;. Logo em seguida precisa que &#8220;[t]oda multiplicidade implica elementos atuais e elementos virtuais&#8221; (p.49). Ele ent\u00e3o come\u00e7a a tratar das rela\u00e7\u00f5es entre tais elementos, primeiro colocando uma &#8220;part\u00edcula&#8221; no lugar do atual (com suas imagens virtuais) e em seguida colocando as &#8220;percep\u00e7\u00f5es&#8221; no mesmo lugar (mas dessa vez com as lembran\u00e7as no lugar do virtual). Por fim, \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do atual com o virtual que Deleuze vai localizar o plano de iman\u00eancia:<\/p>\n<blockquote><p>O <strong>plano de iman\u00eancia <\/strong>compreende a um s\u00f3 tempo o virtual e sua atualiza\u00e7\u00e3o, sem que possa haver a\u00ed limite assimil\u00e1vel entre os dois. O atual \u00e9 o complemento ou o produto, o <strong>objeto <\/strong>da atualiza\u00e7\u00e3o, mas esta n\u00e3o tem por <strong>sujeito <\/strong>sen\u00e3o o virtual. <strong>A atualiza\u00e7\u00e3o <\/strong>pertence ao virtual. A atualiza\u00e7\u00e3o do virtual \u00e9 a singularidade, ao passo que <strong>o pr\u00f3prio atual <\/strong>\u00e9 a individualidade constitu\u00edda. O atual cai para fora do plano como fruto, ao passo que a atualiza\u00e7\u00e3o o reporta ao plano como \u00e0quilo que reconverte o objeto em sujeito. (Deleuze 1996:51)<\/p><\/blockquote>\n<p>Deleuze abre a segunda se\u00e7\u00e3o do texto lembrando que o movimento de desdobramento de virtualidades a partir do atual coexiste com outro movimento de aproxima\u00e7\u00e3o do atual de seu virtual. A teoria bergsoniana das lembran\u00e7as \u00e9 evocada (assim como <em>A Dama de Xangai<\/em>) para tratar da crescente indiscernibilidade (ou altern\u00e2ncia) entre o atual e o virtual neste segundo movimento, que culmina com a imagem do cristal.<\/p>\n<blockquote><p>Essa troca perp\u00e9tua entre o virtual e o atual define um cristal. (Deleuze 1996:54)<\/p><\/blockquote>\n<p>Deleuze ent\u00e3o distingue a singulariza\u00e7\u00e3o\/atualiza\u00e7\u00e3o (definida pela propaga\u00e7\u00e3o de virtuais a partir de um atual) da individua\u00e7\u00e3o\/cristaliza\u00e7\u00e3o (definida pela altern\u00e2ncia entre um atual e o seu virtual).<\/p>\n<blockquote><p>A pura virtualidade n\u00e3o tem mais que se atualizar, uma vez que \u00e9 estritamente correlativa ao atual com o qual forma o menor circuito. (Deleuze 1996:54)<\/p><\/blockquote>\n<p>Deleuze prossegue ent\u00e3o para demonstrar como a mesma rela\u00e7\u00e3o entre o atual e o virtual nas variantes singulariza\u00e7\u00e3o\/atualiza\u00e7\u00e3o e individua\u00e7\u00e3o\/cristaliza\u00e7\u00e3o opera na compreens\u00e3o do &#8220;Tempo&#8221;:<\/p>\n<blockquote><p>Os dois aspectos do tempo, a imagem atual do presente que passa e a imagem virtual do passado que se conserva, distinguem-se na atualiza\u00e7\u00e3o, tendo simultaneamente um limite inassinal\u00e1vel, mas intercambiam-se na cristaliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 se tornarem indiscern\u00edveis, cada um apropriando-se do papel do outro.  (Deleuze 1996:55)<\/p><\/blockquote>\n<p>E sintetiza o argumento desenvolvido at\u00e9 aqui:<\/p>\n<blockquote><p>A rela\u00e7\u00e3o do atual com o virtual constitui sempre um circuito, mas de duas maneiras: ora o atual remete a virtuais como a <strong>outras coisas<\/strong> em vastos circuitos, <strong>onde o virtual se atualiza<\/strong>, ora o atual remete ao virtual como a seu pr\u00f3prio virtual, <strong>nos menores circuitos onde o virtual cristaliza com o atual<\/strong>. O plano de iman\u00eancia cont\u00e9m a um s\u00f3 tempo a atualiza\u00e7\u00e3o como rela\u00e7\u00e3o do virtual com outros termos, e mesmo o atual como termo com o qual o virtual se intercambia.  (Deleuze 1996:55-6)<\/p><\/blockquote>\n<p>As \u00faltimas frases desta se\u00e7\u00e3o (e do texto) explicitam a importante distin\u00e7\u00e3o entre uma rela\u00e7\u00e3o entre atuais e uma rela\u00e7\u00e3o do atual com o virtual.<\/p>\n<blockquote><p>Em todos os casos, a rela\u00e7\u00e3o do atual com o virtual n\u00e3o \u00e9 a que se pode estabelecer entre dois atuais. Os atuais implicam <strong>indiv\u00edduos j\u00e1 constitu\u00eddos<\/strong>, e determina\u00e7\u00f5es por <strong>pontos ordin\u00e1rios<\/strong>; ao passo que a rela\u00e7\u00e3o entre o atual e o virtual forma <strong>uma individua\u00e7\u00e3o em ato <\/strong>ou uma singulariza\u00e7\u00e3o por <strong>pontos relevantes <\/strong>a serem determinados em cada caso.(Deleuze 1996:5)<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim como nos livros de Deleuze sobre cinema, a teoria bergsoniana das imagens \u00e9 central para a argumenta\u00e7\u00e3o. O processo de cristaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparecer\u00e1 no conceito deleuziano de imagem-tempo. Quanto \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o &#8220;pontos ordin\u00e1rios&#8221;X&#8221;pontos relevantes&#8221;, pode ser relacionada \u00e0 Etologia que ele encontrou em Von Uexk\u00fcll e relacionou \u00e0 <em>\u00c9tica <\/em>de Espinosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DELEUZE, Gilles. 1996. O atual e o virtual. In: \u00c9ric Alliez. Deleuze Filosofia Virtual. (trad. Helo\u00edsa B.S. Rocha) S\u00e3o Paulo: Ed.34, pp.47-57. Deleuze come\u00e7a a primeira se\u00e7\u00e3o apresentando a Filosofia como &#8220;a teoria das multiplicidades&#8221;. Logo em seguida precisa que &#8220;[t]oda multiplicidade implica elementos atuais e elementos virtuais&#8221; (p.49). 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