{"id":373,"date":"2021-04-16T02:33:57","date_gmt":"2021-04-16T02:33:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=373"},"modified":"2021-04-16T02:33:57","modified_gmt":"2021-04-16T02:33:57","slug":"latour-entrevistado-por-antropologos-2004","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/16\/latour-entrevistado-por-antropologos-2004\/","title":{"rendered":"Latour entrevistado por antrop\u00f3logos (2004)"},"content":{"rendered":"<p>LATOUR, Bruno. 2004. Por uma antropologia do centro. <em>Mana<\/em> 10(2):397-414.<\/p>\n<p><strong>SEGUNDO EMPIRISMO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>meu objeto \u00e9 o estudo dos matters of concern, a inven\u00e7\u00e3o de um certo empirismo \u2014 um segundo empirismo, digamos, que n\u00e3o tem a ver simplesmente com os objetos, no sentido tradicional do empirismo, mas com os matters of concern, com as coisas que constituem causas, em oposi\u00e7\u00e3o aos objetos (Latour 2004:398).<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LATOUR NA ANTROPOLOGIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>afora Descola e Viveiros de Castro, um pouco Sahlins, o impacto da antropologia das ci\u00eancias como a que fa\u00e7o sobre a antropologia geral \u00e9, creio, nulo. (Latour 2004:399)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Quando Viveiros de Castro inventa sua hist\u00f3ria de \u201cmultinaturalismo\u201d, ele chuta o pau da barraca. Isso \u00e9 certo. Assim, depois disso, a antropologia deve se refazer. Mas quais s\u00e3o aqueles que t\u00eam consci\u00eancia desse problema, al\u00e9m das tr\u00eas pessoas j\u00e1 mencionadas? (Latour 2004:400)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DESCOLA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Descola tem muitas qualidades, mas sua pol\u00edtica \u00e9 completamente cl\u00e1ssica. (Latour 2004:401)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00cdNDICES:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>eu n\u00e3o possuo signos, possuo \u00edndices que reinterpreto sob outra \u00f3tica.(Latour 2004:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OS BRASILEIROS:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os brasileiros s\u00e3o interessantes porque eles jamais acreditaram, no final das contas, nessa hist\u00f3ria de purifica\u00e7\u00e3o. Eles possuem uma vis\u00e3o que difere daquela do modernismo dos franceses. (Latour 2004:403)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O RECINTO MODERNISTA (uma quest\u00e3o t\u00e9cnica):<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Quando se est\u00e1 no recinto modernista, \u00e9 poss\u00edvel fazer experi\u00eancias sobre as ontologias que n\u00e3o se pode fazer quando se est\u00e1 no terreno do animismo. \u00c9 essa a diferen\u00e7a crucial, \u00e9 essa a particularidade do naturalismo. Mas aqui h\u00e1 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica que tomaria muito o nosso tempo. (Latour 2004:403)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MODERNIDADE e ENERGIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 preciso levar em conta as energias das experi\u00eancias modernas. (Latour 2004:404)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EMANCIPA\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Pois \u00e9, estamos reconectados. Os outros sabiam. Isso n\u00e3o causa espanto aos outros. E aqui h\u00e1 uma verdadeira diferen\u00e7a. Os outros nos dizem: \u201cWelcome back!\u201d. N\u00f3s lhes perguntamos: \u201cVoc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o emancipados?\u201d. E eles respondem: \u201cN\u00e3o! N\u00f3s sab\u00edamos. N\u00f3s, os outros, sab\u00edamos um pouquinho das coisas\u201d. (Latour 2004:404-5)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>COSMOPOL\u00cdTICA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O problema \u00e9: ser\u00e1 que podemos viver no mesmo planeta, sabendo que temos defini\u00e7\u00f5es completamente diferentes sobre o planeta, sobre o que \u00e9 viver e o que \u00e9 estar junto? E, nesse ponto, a compara\u00e7\u00e3o deixa de ser intelectual, para ser uma compara\u00e7\u00e3o que podemos chamar, com Isabelle Stengers, de cosmopol\u00edtica (Latour 2004:405)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MATTERS OF FACT (fatos indiscut\u00edveis) e MATTERS OF CONCERN (fatos discut\u00edveis):<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Essa oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 por toda parte. Fatos indiscut\u00edveis s\u00e3o substitu\u00eddos por fatos discut\u00edveis. (Latour 2004:406)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O OBJETIVO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O objetivo da antropologia n\u00e3o \u00e9 opor o discurso oficial ao discurso oficioso, mas estudar os dois. E explicar por que o primeiro permite uma parte do segundo ao mesmo tempo em que impede o seu desenvolvimento. (Latour 2004:407-8)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DEMOCRACIA DAS COISAS:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>n\u00e3o se trata apenas da representa\u00e7\u00e3o dos centros da vida pol\u00edtica em torno da elei\u00e7\u00e3o e da autoridade, mas a representa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no sentido bem conhecido \u201cdos instrumentos que representam as coisas de que falamos\u201d. Assim, a quest\u00e3o da democracia atual n\u00e3o \u00e9 apenas saber se n\u00f3s votamos ou n\u00e3o, se estamos ou n\u00e3o autorizados pelas pessoas que nos elegeram, o que \u00e9 a primeira parte da representa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a de saber como, quando falamos do milho transg\u00eanico, essa coisa de que falamos \u00e9 representada, desta vez no interior do recinto. Por isso, a \u201cdemocracia das coisas\u201d quer dizer, justamente, o duplo interesse pelos dois sistemas de representa\u00e7\u00e3o: representa\u00e7\u00e3o dos humanos que falam das coisas, e representa\u00e7\u00e3o das coisas de que os humanos falam, em seus recintos. [&#8230;] A democracia das coisas \u00e9 transportar de um modo confi\u00e1vel as coisas de que falamos e, por outro lado, estar autorizado para falar delas por meio de um procedimento social. [&#8230;] O que eu quero fazer<br \/>\nnessa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente dizer que h\u00e1 um duplo fen\u00f4meno de representa\u00e7\u00e3o: representa\u00e7\u00e3o do lado das coisas, e representa\u00e7\u00e3o do lado das pessoas, e que \u00e9 precisamente isso o que chamo de democracia. (Latour 2004:408-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O DIPLOMATA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O diplomata \u00e9 aquele que se engaja em quest\u00f5es sem saber ao certo em que coisas crer antes de iniciada a discuss\u00e3o. Assim, ele \u00e9 obrigado a trabalhar de ambos os lados, tanto o daqueles para quem ele trabalha, como o daqueles a quem ele se endere\u00e7a. (Latour 2004:410)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LATOUR, Bruno. 2004. Por uma antropologia do centro. Mana 10(2):397-414. 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