{"id":363,"date":"2021-04-16T02:23:01","date_gmt":"2021-04-16T02:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=363"},"modified":"2021-04-16T02:23:01","modified_gmt":"2021-04-16T02:23:01","slug":"como-prosseguir-a-tarefa-de-delinear-associacoes-latour-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/16\/como-prosseguir-a-tarefa-de-delinear-associacoes-latour-2006\/","title":{"rendered":"Como prosseguir a tarefa de delinear associa\u00e7\u00f5es? (Latour 2006)"},"content":{"rendered":"<p>LATOUR, Bruno. 2006. Como prosseguir a tarefa de delinear associa\u00e7\u00f5es? <em>Configura\u00e7\u00f5es<\/em> 2:11-27. [2005]<\/p>\n<p><strong>REDEFINIR &#8220;SOCIAL&#8221; PARA RETOMAR A SOCIOLOGIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>desejo redefinir a no\u00e7\u00e3o de social, retornando ao seu sentido original e tornando-o de novamente capaz de delinear as conex\u00f5es. Ser\u00e1 ent\u00e3o poss\u00edvel retomar o objectivo tradicional das ci\u00eancias sociais com utens\u00edlios mais adaptados \u00e0 tarefa. (Latour 2006:1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>REDEFINI\u00c7\u00c3O ALTERNATIVA DE SOCIOLOGIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>desejo formular uma defini\u00e7\u00e3o alternativa da \u2018sociologia\u2019 n\u00e3o deixando de conservar este \u00fatil voc\u00e1bulo e mantendo-me fiel, assim o espero, \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o tradicional. (Latour 2006:2)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A SOCIEDADE N\u00c3O EXISTE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>a \u2018sociedade\u2019, longe de ser o contexto \u2018no qual\u2019 tudo se enquadra, deveria antes ser concebida como um entre muitos conectores que circulam pelo interior de estreitas condutas [<em>tiny conduits<\/em>]. Esta segunda escola de pensamento poderia adoptar como slogan, com alguma provoca\u00e7\u00e3o, a famosa exclama\u00e7\u00e3o da Senhora Thatcher (mas por raz\u00f5es diferentes!): \u201cA sociedade n\u00e3o existe\u201d. (Latour 2006:5)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>AGREGADOS SOCIAIS:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Enquanto os soci\u00f3logos (ou os s\u00f3cio-economistas, os s\u00f3ciolinguistas, os psic\u00f3logos sociais, etc.) tomam os agregados sociais como um dado suscept\u00edvel de esclarecer os aspectos residuais da economia, da lingu\u00edstica, da psicologia, da gest\u00e3o, etc., os investigadores desta segunda perspectiva [ANT] consideram os agregados sociais como o que \u00e9 necess\u00e1rio explicar a partir das [<em>by<\/em>; pelas] <em>associa\u00e7\u00f5es <\/em>fornecidas pela economia, lingu\u00edstica, psicologia, direito, gest\u00e3o, etc. (Latour 2006:5; it\u00e1lico no original)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O SOCIAL COMO ASSOCIA\u00c7\u00c3O DE HETEROG\u00caNEOS:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Apesar de a maioria dos cientistas sociais preferirem chamar \u2018social\u2019 a algo de homog\u00e9neo, poder-se-\u00e1 perfeitamente designar por este termo uma s\u00e9rie [<em>trail<\/em>; trilha] de <em>associa\u00e7\u00f5es <\/em>entre elementos heterog\u00e9neos. Como em ambos os casos a palavra tem a mesma origem \u2013 a raiz latina <em>socius <\/em>\u2013 ser\u00e1 poss\u00edvel permanecer fiel \u00e0s primeiras intui\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias sociais redefinindo a sociologia j\u00e1 n\u00e3o como \u2018ci\u00eancia do social\u2019 mas como o <em>delinear de associa\u00e7\u00f5es<\/em> [<em>tracing of associations<\/em>; rastreamento de associa\u00e7\u00f5es]. Tendo em conta este sentido particular, o adjectivo \u2018social\u2019 j\u00e1 n\u00e3o qualifica uma coisa entre outras, como uma ovelha negra no meio de um rebanho de ovelhas brancas, mas um <em>tipo de conex\u00e3o <\/em>entre coisas que n\u00e3o se definem elas pr\u00f3prias como sociais. [&#8230;] \u00c0 primeira vista, esta defini\u00e7\u00e3o poder\u00e1 parecer absurda na medida em que se arrisca a diluir a sociologia, significando qualquer tipo de agregado, quer se trate de reac\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas ou de la\u00e7os jur\u00eddicos, de for\u00e7as at\u00f3micas ou de empresas comerciais, de organismos biol\u00f3gicos ou de assembleias pol\u00edticas. Mas \u00e9 isto justamente o que este ramo alternativo da teoria social pretende sugerir, pois todos estes elementos heterog\u00e9neos <em>podem encontrar-se <\/em>[<em>might be<\/em>; podem ser] recombinados de forma in\u00e9dita dando lugar, por seu turno, a novos agrupamentos. Longe de ser uma hip\u00f3tese extravagante, trata-se, pelo contr\u00e1rio, da mais comum das experi\u00eancias quando estamos perante o puzzle do social [<em>in encountering the puzzling face of the social<\/em>; quando diante da confus\u00e3o intrigante do social]. (Latour 2006:5-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SEGUIR ALGU\u00c9M (imita\u00e7\u00e3o):<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O latim <em>socius <\/em>refere-se a um companheiro, um associado. A genealogia hist\u00f3rica deste termo faz aparecer, nas diferentes l\u00ednguas, um sentido que \u00e9, \u00e0 partida, o de \u2018seguir algu\u00e9m\u2019, antes de designar o facto de envolver ou de aliar e, por fim, o de \u2018ter qualquer coisa em comum\u2019. [&#8230;] A partir de uma defini\u00e7\u00e3o original que \u00e9 co-extensiva a toda a associa\u00e7\u00e3o, encontramos doravante [<em>now<\/em>; agora], na linguagem corrente, um uso limitado ao que resta <em>depois <\/em>de a pol\u00edtica, a biologia, a economia, o direito, a psicologia, a gest\u00e3o, a tecnologia, etc., terem retirado o seu quinh\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es. (Latour 2006:6; it\u00e1licos no original)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PLANT SOCIOLOGY:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>De Candolle, inventor da cienciometria \u2013 a utiliza\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas visando melhorar a actividade cient\u00edfica \u2013 era, tal como seu pai, um soci\u00f3logo da <em>f\u00e1brica<\/em> [<em>plant sociologist<\/em>; soci\u00f3logo das plantas] (Candolle, 1873\/1987). A seu ver, os corais, os babu\u00ednos, as \u00e1rvores, as abelhas, as formigas e as baleias s\u00e3o tamb\u00e9m elas sociais. A sociobiologia reconheceu bem esta acep\u00e7\u00e3o ampla do social [&#8230;]. \u00c9 [&#8230;] perfeitamente poss\u00edvel aceitar esta extens\u00e3o sem conceder demasiado cr\u00e9dito \u00e0 defini\u00e7\u00e3o demasiado restrita de ag\u00eancia que numerosas teorias sociobiol\u00f3gicas atribuem aos organismos. (Latour 2006:6-7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>THE SOCIAL AS ASSOCIATION: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>irei definir o social n\u00e3o j\u00e1 como um dom\u00ednio especial, uma realidade espec\u00edfica ou uma coisa particular, mas apenas como um movimento muito particular de re-associa\u00e7\u00e3o ou de reagrupamento [<em>reassembling<\/em>; recomposi\u00e7\u00e3o]. (Latour 2006:7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIAL COMO MOVIMENTO PODE FALHAR:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A qualidade de \u2018social\u2019 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais algo de n\u00e3o problem\u00e1tico e seguro, porquanto trata-se de um movimento que pode falhar o estabelecimento de novas conex\u00f5es ou o redesenho de um agrupamento [<em>assemblage<\/em>; conjunto, montagem] <em>bem constitu\u00eddo<\/em>. (Latour 2006:8)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O SOCIAL COMO ASSOCIA\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] social n\u00e3o \u00e9 um tipo de coisa que seja vis\u00edvel ou apta a ser postulada. \u00c9 vis\u00edvel apenas pelos <em>vest\u00edgios<\/em> [<em>traces<\/em>; rastros] que deixa (atrav\u00e9s de tentativas [<em>under trials<\/em>]) sempre que uma <em>nova<\/em> associa\u00e7\u00e3o entre elementos, que n\u00e3o [s\u00e3o] em si de forma alguma sociais, est\u00e1 a ser gerada. (Latour 2006:8)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ANT:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Estava disposto a deixar cair [<em>drop<\/em>; abandonar] esta etiqueta em proveito de nomes mais sofisticados, como \u2018sociologia da tradu\u00e7\u00e3o\u2019, \u2018ontologia do actante-rizoma\u2019, ou \u2018sociologia da inova\u00e7\u00e3o\u2019, quando algu\u00e9m me chamou \u00e0 aten\u00e7\u00e3o de que o acr\u00f3nimo ANT [Actor-Network-Theory, mas tamb\u00e9m \u201cformiga\u201d em ingl\u00eas] era perfeito para designar um viajante cego, simpl\u00f3rio, que apenas fareja os trilhos e anda em grupo [<em>a blind, myopic, workaholic, trail-sniffing, and collective traveler<\/em>; um viajante cego, m\u00edope, viciado em trabalho, farejador de trilhas e coletivo]. (Latour 2006:9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TR\u00caS CRIT\u00c9RIOS PARA SER ANT:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(1) os n\u00e3o-humanos &#8220;t\u00eam de ser actores [&#8230;] e n\u00e3o simplesmente os infelizes suportes de projec\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas&#8221;; (2) o social n\u00e3o pode ser a constante mas sim a vari\u00e1vel; (3) qualquer desconstru\u00e7\u00e3o deve visar uma recomposi\u00e7\u00e3o do social. (Latour 2006:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SEGUIR OS AGENTES:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A tarefa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a de impor uma ordem, de limitar o leque de entidades aceit\u00e1veis, de ensinar aos actores o que eles s\u00e3o, ou de acrescentar alguma reflexividade \u00e0 sua pr\u00e1tica inconsciente. Para retomar um slogan da Teoria do actor-rede, \u00e9 preciso \u2018seguir os pr\u00f3prios actores\u2019, quer dizer, tentar lidar com as suas inova\u00e7\u00f5es muitas vezes indom\u00e1veis, de modo a aprender com eles o que a exist\u00eancia colectiva se tornou nas suas m\u00e3os, que m\u00e9todos \u00e9 que elaboraram para a ajustar, e quais s\u00e3o os relatos que melhor definem as novas associa\u00e7\u00f5es que foram obrigados a estabelecer. (Latour 2006:11)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TEORIA DA RELATIVIDADE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Uma forma mais radical de relacionar as duas escolas pode ser proposta atrav\u00e9s de um paralelo algo arriscado com a hist\u00f3ria da f\u00edsica: a sociologia do social \u00e9 \u2018pr\u00e9-relativista\u2019, enquanto que a nossa sociologia seria plenamente \u2018relativista\u2019. Quando tratamos de processos lentos de mudan\u00e7a, uma interpreta\u00e7\u00e3o pr\u00e9-relativista \u00e9 adequada e os quadros fixos de refer\u00eancia podem, sem grande deforma\u00e7\u00e3o, registar as ac\u00e7\u00f5es. Mas logo que as coisas aceleram, as inova\u00e7\u00f5es proliferam, e as entidades s\u00e3o m\u00faltiplas: aqui esse quadro absolutista vai ent\u00e3o gerar dados que se tornam desesperantemente confusos. \u00c9 aqui que uma solu\u00e7\u00e3o relativista tem de ser desenhada para que seja capaz de se mover entre os quadros de refer\u00eancia e de recuperar alguma esp\u00e9cie de comensurabilidade entre os sinais que prov\u00eam de estruturas que transitam a v\u00e1rias velocidades e com diferentes acelera\u00e7\u00f5es. (Latour 2006:12)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>QUARENTENA EXPERIMENTAL DO SOCIAL:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>At\u00e9 onde poderemos ir se suspendermos a hip\u00f3tese do senso comum que diz que a exist\u00eancia dum dom\u00ednio social oferece um quadro de refer\u00eancia leg\u00edtimo para as ci\u00eancias sociais? (Latour 2006:12)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIOLOGIA DAS ASSOCIA\u00c7\u00d5ES ASSUMINDO CONSEQUENTEMENTE SUA HERAN\u00c7A:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O teste final ser\u00e1 o de verificar, no fim deste livro, se a sociologia das associa\u00e7\u00f5es se mostrou capaz de tomar o testemunho da sociologia do social, detectando conex\u00f5es novas e mais activas, mas tamb\u00e9m herdando tudo o que seja leg\u00edtimo na ambi\u00e7\u00e3o de construir uma ci\u00eancia do social. (Latour 2006:13)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Estou convencido de que, se a sociologia tivesse herdado mais de G. Tarde (n\u00e3o esquecendo Comte, Spencer, Durkheim e Weber), poderia ter sido uma disciplina ainda mais relevante.<br \/>\n(Latour 2006:14)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TARDE x DURKHEIM:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Tarde sempre lamentou que Durkheim tenha abandonando a tarefa de explicar a sociedade, confundindo causa e efeito, abandonando compreens\u00e3o do la\u00e7o social, em favor de um projecto pol\u00edtico que visava a engenharia social. Contra o seu jovem rival, Tarde afirmava vigorosamente que o social n\u00e3o constitu\u00eda um dom\u00ednio particular da realidade, mas um princ\u00edpio de conex\u00f5es [&#8230;]. Acima de tudo, Tarde concebia o social, n\u00e3o como um tipo espec\u00edfico de organismo, mas como um flu\u00eddo em circula\u00e7\u00e3o que se devia observar com novos m\u00e9todos. [&#8230;] [E]le \u00e9 um dos poucos, tal como Harold Garfinkel, que pensaram que a sociologia podia ser uma ci\u00eancia que relatasse a maneira como a sociedade se mant\u00e9m junta, em vez de usar a sociedade para explicar outras coisas ou para ajudar a resolver alguma das quest\u00f5es pol\u00edticas da \u00e9poca. (Latour 2006:13)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TARDE E O PONTO DE VISTA SOCIOL\u00d3GICO UNIVERSAL:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u2018Mas isto quer dizer que cada coisa \u00e9 uma sociedade e que todas as coisas s\u00e3o sociedades. E \u00e9 bastante not\u00f3rio que a ci\u00eancia tenda, mediante uma sequ\u00eancia l\u00f3gica dos seus movimentos anteriores, a generalizar estranhamente a no\u00e7\u00e3o de sociedade. Ela fala-nos de sociedades celulares, porque n\u00e3o de sociedades at\u00f3micas? Isto para n\u00e3o falar das sociedades de estrelas, dos sistemas solares. Todas as ci\u00eancias parecem destinadas a tornar-se ramos da sociologia.\u2019 (Tarde, in: Latour 2006:14)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Mas isso sup\u00f5e, em primeiro lugar, <em>que toda coisa \u00e9 uma sociedade<\/em>, que todo fen\u00f4meno \u00e9 um fato social. Ora, \u00e9 significativo que a ci\u00eancia tenda, ali\u00e1s por uma continuidade l\u00f3gica de suas tend\u00eancias precedentes, a generalizar estranhamente a no\u00e7\u00e3o de sociedade. Ela nos fala de sociedades animais [&#8230;], de sociedades celulares, e por que n\u00e3o de sociedades at\u00f4micas? Ia-me esquecendo das sociedades de astros, os sistemas solares e estelares. Todas as ci\u00eancias parecem destinadas a tornarem-se ramos da sociologia. (Tarde 2007:81)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MONADOLOGIA TARDEANA: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Tudo, mesmo o que se encontra agora difundido em todas as mentes cultivadas e ensinado mesmo na escola prim\u00e1ria, come\u00e7ou por ser o segredo duma mente solit\u00e1ria, de onde uma pequena chama bruxuleante enviou os seus raios, inicialmente de forma incipiente e encontrando muitos obst\u00e1culos, mas, aumentando \u00e0 medida que se espalhava, com o tempo se tornou uma ilumina\u00e7\u00e3o brilhante. Actualmente, se parece evidente que a ci\u00eancia foi assim constru\u00edda, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a constru\u00e7\u00e3o de cada dogma, c\u00f3digo legal, governo, ou regime econ\u00f3mico foi efectuado da mesma maneira. E se poder\u00e1 haver alguma d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem e \u00e0 \u00e9tica devido \u00e0 obscuridade da sua origem e \u00e0 lentid\u00e3o das suas transforma\u00e7\u00f5es, que as impedem a sua observa\u00e7\u00e3o durante grande parte da sua hist\u00f3ria, n\u00e3o ser\u00e1 altamente prov\u00e1vel que a sua evolu\u00e7\u00e3o tenha seguido o mesmo caminho?\u2019 (Tarde, <em>in<\/em>: Latour 2006:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>UNIDADES ANAL\u00cdTICAS DE TARDE (inova\u00e7\u00f5es, <em>quanta<\/em> de diferen\u00e7a)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>As entidades com que Tarde lida n\u00e3o s\u00e3o pessoas, mas inova\u00e7\u00f5es, <em>quanta <\/em>de mudan\u00e7a que t\u00eam uma vida pr\u00f3pria (Latour 2006:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>IDENTIDADE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A] identidade \u00e9 um m\u00ednimo e, assim, um g\u00e9nero de diferen\u00e7a, de tipo muito raro, do mesmo modo que o repouso \u00e9 um tipo de movimento, e o c\u00edrculo um tipo de elipse. Partir de uma identidade primordial implica come\u00e7ar por uma singularidade prodigiosamente improv\u00e1vel (Tarde, <em>in<\/em>: Latour 2006:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TR\u00caS TAREFAS DISTINTAS DA SOCIOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> [1] Como <em>configurar<\/em> [<em>deploy<\/em>; desdobrar] as v\u00e1rias controv\u00e9rsias acerca de associa\u00e7\u00f5es sem restringir, \u00e0 partida, o social a um dom\u00ednio espec\u00edfico? [&#8230;] [2] Como tornar plenamente deline\u00e1veis [<em>traceable<\/em>; rastre\u00e1veis] os meios que permitem aos actores <em>estabilizarem<\/em> essas controv\u00e9rsias? [&#8230;] [3] Atrav\u00e9s de que <em>procedimentos<\/em> ser\u00e1 poss\u00edvel reagrupar [<em>reassemble<\/em>; recompor] o social, n\u00e3o numa sociedade mas num colectivo? (Latour 2006:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>RESUMO DO LIVRO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[1] Na primeira parte, mostrarei porque n\u00e3o deveremos limitar \u00e0 partida os tipos de seres que povoam o mundo social. As ci\u00eancias sociais foram pouco ousadas na forma como modelaram a grande complexidade das associa\u00e7\u00f5es com que se depararam. \u00c9 na verdade poss\u00edvel alimentarmo-nos, por assim dizer, de controv\u00e9rsias, e aprendermos a tornar-nos bons relativistas \u2013 certamente uma indispens\u00e1vel prepara\u00e7\u00e3o antes de nos aventuramos em novo territ\u00f3rio. [2] Na segunda parte veremos como \u00e9 poss\u00edvel tornar as conex\u00f5es sociais deline\u00e1veis, seguindo o trabalho efectuado para estabilizar as controv\u00e9rsias abordadas na primeira parte. Recorrendo a uma met\u00e1fora cartogr\u00e1fica, poder-se-ia dizer que a ANT se esfor\u00e7a por tornar o mundo social t\u00e3o plano quanto poss\u00edvel, de modo a assegurar que o estabelecimento de qualquer novo la\u00e7o ser\u00e1 claramente vis\u00edvel. [3] Finalmente, veremos na conclus\u00e3o porque raz\u00e3o valer\u00e1 a pena prosseguir a tarefa de agrupar o colectivo, mas apenas depois de se terem abandonado os atalhos da sociedade e da \u2018explica\u00e7\u00e3o social\u2019. Se \u00e9 verdade que as vis\u00f5es da sociedade oferecidas pelos soci\u00f3logos do social foram sobretudo uma maneira de garantir a paz civil na \u00e9poca do modernismo, ent\u00e3o que esp\u00e9cie de vida colectiva e que tipo de saber os soci\u00f3logos das associa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o recolher, agora que a d\u00favida paira sobre a moderniza\u00e7\u00e3o, e a tarefa mais importante consiste em encontrar formas de coabita\u00e7\u00e3o? (Latour 2006:16)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>N\u00c3O \u00c9 METODOLOGIA, MAS SIM UM GUIA DE VIAGEM:<\/strong> (Latour 2006:16)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LATOUR, Bruno. 2006. Como prosseguir a tarefa de delinear associa\u00e7\u00f5es? Configura\u00e7\u00f5es 2:11-27. [2005] REDEFINIR &#8220;SOCIAL&#8221; PARA RETOMAR A SOCIOLOGIA: desejo redefinir a no\u00e7\u00e3o de social, retornando ao seu sentido original e tornando-o de novamente capaz de delinear as conex\u00f5es. Ser\u00e1 ent\u00e3o poss\u00edvel retomar o objectivo tradicional das ci\u00eancias sociais com utens\u00edlios mais adaptados \u00e0 tarefa. (Latour 2006:1) REDEFINI\u00c7\u00c3O ALTERNATIVA DE [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":364,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[12],"class_list":["post-363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-latour"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/latour_Bruno-Latour_foto.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=363"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":366,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363\/revisions\/366"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}