{"id":3474,"date":"2026-05-31T16:34:02","date_gmt":"2026-05-31T16:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=3474"},"modified":"2026-06-01T22:54:16","modified_gmt":"2026-06-01T22:54:16","slug":"teorias-e-intelectuais-foucault-e-deleuze-1998-1972","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2026\/05\/31\/teorias-e-intelectuais-foucault-e-deleuze-1998-1972\/","title":{"rendered":"Teorias e intelectuais (Foucault e Deleuze 1998 [1972])"},"content":{"rendered":"<p><strong>MICHEL FOUCAULT<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O intelectual dizia a verdade \u00e0queles que ainda n\u00e3o a viam e em nome daqueles que n\u00e3o podiam diz\u00ea-la: consci\u00eancia e eloqu\u00eancia. [&#8230;] Ora, o que os intelectuais descobriram recentemente \u00e9 que as massas n\u00e3o necessitam deles para saber; elas sabem perfeitamente, claramente, muito melhor do que eles; e elas o dizem muito bem. Mas existe um sistema de poder que barra, pro\u00edbe, invalida esse discurso e esse saber. Poder que n\u00e3o se encontra somente nas inst\u00e2ncias superiores da censura, mas que penetra muito profundamente, muito sutilmente em toda a trama da sociedade. Os pr\u00f3prios intelectuais fazem parte deste sistema de poder, a id\u00e9ia de que eles s\u00e3o agentes da &#8220;consci\u00eancia&#8221; e do discurso tamb\u00e9m faz parte desse sistema. O papel do intelectual n\u00e3o \u00e9 mais o de se colocar &#8220;um pouco na frente ou um pouco de lado&#8221; para dizer a muda verdade de todos; \u00e9 antes o de lutar contra as formas de poder exatamente onde ele \u00e9, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento: na ordem do saber, da &#8220;verdade&#8221;, da &#8220;consci\u00eancia&#8221;, do discurso. E por isso que a teoria n\u00e3o expressar\u00e1, n\u00e3o traduzir\u00e1, n\u00e3o aplicar\u00e1 uma pr\u00e1tica; ela \u00e9 uma pr\u00e1tica. Mas local e regional, como voc\u00ea diz: n\u00e3o totalizadora. (Foucault <em>in<\/em> Foucault e Deleuze 1998:70-1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>GILLES DELEUZE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Uma teoria \u00e9 como uma caixa de ferramentas. Nada tem a ver com o significante&#8230; \u00c9 preciso que sirva, \u00e9 preciso que funcione. E n\u00e3o para si mesma. Se n\u00e3o h\u00e1 pessoas para utiliz\u00e1-la, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio te\u00f3rico que deixa ent\u00e3o de ser te\u00f3rico, \u00e9 que ela n\u00e3o vale nada ou que o momento ainda n\u00e3o chegou. N\u00e3o se refaz uma teoria, fazem-se outras; h\u00e1 outras a serem feitas. E curioso que seja um autor que \u00e9 considerado um puro intelectual, Proust, que o tenha dito t\u00e3o claramente: tratem meus livros como \u00f3culos dirigidos para fora e se eles n\u00e3o lhes servem, consigam outros, encontrem voc\u00eas mesmos seu instrumento, que \u00e9 for\u00e7osamente um instrumento de combate. A teoria n\u00e3o totaliza; a teoria se multiplica e multiplica. (Deleuze <em>in<\/em> Foucault e Deleuze 1998:71)<\/p><\/blockquote>\n<p>FOUCAULT, Michel; DELEUZE, Gilles. 1998 [1972]. Os intelectuais e o poder: conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze. In: Michel Foucault. <em>Microf\u00edsica do poder<\/em>. (Trad.: Roberto Machado) Petr\u00f3polis: Graal, p.69-78.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MICHEL FOUCAULT O intelectual dizia a verdade \u00e0queles que ainda n\u00e3o a viam e em nome daqueles que n\u00e3o podiam diz\u00ea-la: consci\u00eancia e eloqu\u00eancia. [&#8230;] Ora, o que os intelectuais descobriram recentemente \u00e9 que as massas n\u00e3o necessitam deles para saber; elas sabem perfeitamente, claramente, muito melhor do que eles; e elas o dizem muito bem. 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