{"id":314,"date":"2021-04-15T23:22:37","date_gmt":"2021-04-15T23:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=314"},"modified":"2021-04-15T23:22:37","modified_gmt":"2021-04-15T23:22:37","slug":"ciencia-moderna-merleau-ponty-1957","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/15\/ciencia-moderna-merleau-ponty-1957\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia moderna (Merleau-Ponty 1957)"},"content":{"rendered":"<p>MERLEAU-PONTY, Maurice. 2000. A ci\u00eancia moderna e a id\u00e9ia de natureza. In: <em>A Natureza: curso do Coll\u00e8ge de France<\/em>. (trad. \u00c1lvaro Cabral) S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, pp.131-81. [1956-60]<\/p>\n<p><strong>FINALISMO (o natural artificial), MECANICISMO (o artificial natural) e FILOSOFIA (o artificial frente ao natural)<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O pensamento finalista tem necessidade do mecanicismo para recha\u00e7ar a hipervitalidade. Do mesmo modo, o mecanicismo, que identifica m\u00e1quina e organismo, subentende o construtor que regula a m\u00e1quina. O mecanicismo afirma um artificial natural e o finalismo afirma um natural artificial. A filosofia, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma vontade de confrontar o artif\u00edcio humano com o seu exterior, com a Natureza. (Merleau-Ponty 2000:136)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CI\u00caNCIA como SELE\u00c7\u00c3O<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o se tem certamente que pedir \u00e0 ci\u00eancia uma nova concep\u00e7\u00e3o da Natureza, pronta e acabada, mas encontramos nela com o que eliminar as falsas concep\u00e7\u00f5es da Natureza. (Merleau-Ponty 2000:137)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CIBERN\u00c9TICA, NATUREZA e ARTIF\u00cdCIO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar da Natureza sem falar da cibern\u00e9tica. Talvez isso n\u00e3o seja mais do que um ultrafinalismo sem mecanismo; mas n\u00e3o podemos pensar a Natureza sem nos darmos conta de que a nossa id\u00e9ia da Natureza est\u00e1 impregnada de artif\u00edcio. (Merleau-Ponty 2000:138)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A CI\u00caNCIA MODERNA ESQUECE SUA METAF\u00cdSICA (o caso do organismo)<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 isso que \u00e9 simultaneamente excitante e exasperador no cientista: ele procura pontos de apoio de que se possa valer para apreender o fen\u00f4meno, mas n\u00e3o busca compreend\u00ea-lo. Assim, por exemplo, em embriologia, os cientistas entrev\u00eaem uma filosofia da vida, mas esquecem o que descobriram. [&#8230;] Tudo se passa como se, quando se produz uma se\u00e7\u00e3o [no organismo], o que remanesce vai resignar-se a considerar a situa\u00e7\u00e3o, a fazer de um dois ou de dois um, como se houvesse iman\u00eancia do todo nas partes. Mas o cientista ocupa-se pouco em fazer a &#8220;filosofia do organismo&#8221;. [&#8230;] [O] cientista, a partir do momento em que possui os seus desencadeadores, n\u00e3o formula mais problemas, esquece que lhe cumpre explicar a a\u00e7\u00e3o do todo sobre as partes, e isso porque realizou o todo e pode agir sobre este. (Merleau-Ponty 2000:138-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>VER (filosofia) e INTERVIR (ci\u00eancia)<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>A preocupa\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo \u00e9 ver; a do cientista \u00e9 encontrar pontos de apoio para explicar o fen\u00f4meno. O seu pensamento n\u00e3o \u00e9 dirigido pela preocupa\u00e7\u00e3o de ver, mas de intervir. Quer escapar ao atoleiro do ver filos\u00f3fico. Por isso trabalha frequentemente como um cego, por analogia. Conseguiu uma boa solu\u00e7\u00e3o? Ele trata de experiment\u00e1-la numa outra coisa, porque teve \u00eaxito na primeira. O cientista tem a supersti\u00e7\u00e3o dos meios que s\u00e3o bem sucedidos. Mas nessa tentativa para assegurar-se de um ponto de apoio, o cientista desvenda mais do que, de fato, v\u00ea. O fil\u00f3sofo deve ver nas costas do f\u00edsico o que este n\u00e3o v\u00ea por si mesmo. (Merleau-Ponty 2000:139)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O ABSOLUTO RELATIVO na LINGUAGEM<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O Absoluto na linguagem n\u00e3o \u00e9 um absoluto imediato. Se a linguagem deve ser a alma do Absoluto, ela deve ser absoluta no relativo. (Merleau-Ponty 2000:139)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OS TR\u00caS PROBLEMAS da CONCEP\u00c7\u00c3O de LAPLACE<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Este pensamento afirma: [&#8230;] 1) <em>Um causalismo<\/em> [&#8230;]. No fundo, essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o da totalidade capaz de abranger toda a evolu\u00e7\u00e3o do mundo. [&#8230;] 2) Uma concep\u00e7\u00e3o anal\u00edtica do Ser [&#8230;]. Esta \u00e9 a id\u00e9ia cartesiana da decomposi\u00e7\u00e3o do complexo em simples, que exclui toda considera\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o como realidade original. [&#8230;] 3) Uma concep\u00e7\u00e3o espacial do ser natural [&#8230;]. O que exclui a id\u00e9ia de um ser em devir, em mudan\u00e7a (Merleau-Ponty 2000:143)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A QUEST\u00c3O QUE TODO SOCI\u00d3LOGO DEVERIA FAZER<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O que se pode dizer de s\u00e9rio quando n\u00e3o se \u00e9 t\u00e9cnico? (Merleau-Ponty 2000:143)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>METAF\u00cdSICA como o SENTIDO da F\u00cdSICA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Pode a f\u00edsica fornecer uma imagem da realidade? [&#8230;] \u00c9 nessa jun\u00e7\u00e3o do universo do cientista e do universo da linguagem que cupre examinar a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, no momento em que o cientista-fil\u00f3sofo procura dar um sentido ao seu formalismo. [&#8230;] [O] que contar\u00e1 para n\u00f3s \u00e9 o aparecimento de uma nova ontologia cient\u00edfica (Merleau-Ponty 2000:144)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ZEN\u00c3O e F\u00cdSICA QU\u00c2NTICA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Os problemas formulados pela mec\u00e2nica ondulat\u00f3ria \u00e0 l\u00f3gica s\u00e3o bastante compar\u00e1veis \u00e0queles apresentados pelo problema de Zen\u00e3o. [&#8230;] Da mesma maneira, o pensamento cl\u00e1ssico s\u00f3 quer considerar determina\u00e7\u00f5es positivas, comp\u00f4-las numa realidade \u00fanica. Ora, a mec\u00e2nica ondulat\u00f3ria afirma a impossibilidade de comp\u00f4-las numa realidade pr\u00e9-formada e completamente acess\u00edvel, assim como \u00e9 imposs\u00edvel para Zen\u00e3o formar o movimento a paritr de pontos. (Merleau-Ponty 2000:148)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A FUN\u00c7\u00c3O \u03a8 (<em>x, y, z<\/em>)<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>A raz\u00e3o desse esfor\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o a uma nova l\u00f3gica tem a ver com a nova rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre a coisa observada e a medida. (Merleau-Ponty 2000:149)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O APARELHO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Para os cl\u00e1ssicos, o aparelho \u00e9 o prolongamento dos nossos sentidos. Do ponto de vista gnoseol\u00f3gico, os aparelhos s\u00e3o comparados a uma sensorialidade mais precisa, eles nos fazem conhecer o estado de uma coisa. [&#8230;] O aparelhos [em mec\u00e2nica ondulat\u00f3ria] n\u00e3o nos apresenta o objeto. (Merleau-Ponty 2000:150)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>VAI TER SIDO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o se pode dizer em que momento \u00e9 tomada a decis\u00e3o: ela est\u00e1 sempre para ser tomada ou j\u00e1 foi tomada. ela vai ter sido. A \u00faltima gota de \u00e1gua opera muito mais que as outras gotas de \u00e1gua: ela opera uma reorganiza\u00e7\u00e3o de todo o conjunto. \u00c9 assim que se conhece, em todos os modelos do conhecimento. (Merleau-Ponty 2000:153)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>REALISMO QU\u00c2NTICO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O pensamento cl\u00e1ssico coordena os fen\u00f4menos num modelo objetivo da Natureza. \u00c9 essa unifica\u00e7\u00e3o que nos parece imposs\u00edvel no n\u00edvel da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Se uma filosofia puder corresponder \u00e0 mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, ser\u00e1 uma filosofia mais realista, cuja verdade n\u00e3o ser\u00e1 definida em termos transcendentais, e tamb\u00e9m mais subjetivista. Ao &#8220;eu penso&#8221; universal da filosofia transcendental deve suceder o aspecto situado e encarnado do f\u00edsico. (Merleau-Ponty 2000:156)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>REALIDADE QU\u00c2NTICA e CONHECIMENTO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Sabemos que um processo deve ser observado para ser conhecido e que essa observa\u00e7\u00e3o o muda em sua ess\u00eancia. N\u00f3s o sabemos pelas dificuldades da auto-observa\u00e7\u00e3o, na qual o sujeito do conhecimento torna-se seu objeto (Bohr).&#8221; (Weizs\u00e4cker, in: Merleau-Ponty 2000:157)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ATITUDE ISOLANTE x ATITUDE NATURAL<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Cumpre distinguir assim a percep\u00e7\u00e3o como atitude isolante, tal como pode ensin\u00e1-la o professor de desenho, que faz com que eu d\u00ea a cada coisa uma grandeza numer\u00e1vel, e a percep\u00e7\u00e3o como atitude natural, na qual semelhante opera\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. No campo natural, vou encontrar seres amb\u00edguos, que n\u00e3o s\u00e3o nem ondas nem corp\u00fasculos. O que \u00e9 o vento percebido? Algu\u00e9m, uma coisa, um fen\u00f4meno? \u00c9 as tr\u00eas coisas ao mesmo tempo: uma sequ\u00eancia de movimentos sem m\u00f3veis, de comportamentos sem sujeitos, como a cauda do cometa ou a estrela cadente (Husserl), isto \u00e9, seres prov\u00e1veis que se reduzem a um feixe de probabilidades [&#8230;], seres n\u00e3o determinados, sem que essa indetermina\u00e7\u00e3o os converta em quaisquer [&#8230;], seres negativos, dos quais toda a ess\u00eancia consiste em ser uma aus\u00eancia [&#8230;], seres nem finitos nem infinitos. (Merleau-Ponty 2000:160)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A TAREFA NEGATIVA DA CI\u00caNCIA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Se tudo isso \u00e9 verdadeiro, percebe-se que o sentido da f\u00edsica \u00e9 o de nos fazer realizar &#8220;descobertas filos\u00f3ficas negativas&#8221; ao mostrar que &#8220;certas afirma\u00e7\u00f5es que pretendem ter validade filos\u00f3fica na verdade n\u00e3o a t\u00eam&#8221; [London e Bauer]. Ela nos ensina que a concep\u00e7\u00e3o laplaciana do Ser, assim como a ontologia do senso comum, n\u00e3o possui coer\u00eancia absoluta. A f\u00edsica destr\u00f3i certos preconceitos do pensamento filos\u00f3fico e do pensamento n\u00e3o-filos\u00f3fico, sem que por isso seja uma filosofia. Ela limita-se a inventar vieses para encobrir a car\u00eancia dos conceitos tradicionais, mas n\u00e3o formula conceitos leg\u00edtimos. Provoca a filosofia, impele-a a pensar os conceitos v\u00e1lidos na situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a sua. O que n\u00e3o quer dizer que a percep\u00e7\u00e3o cont\u00e9m tudo. \u00c9 a cr\u00edtica interna da f\u00edsica que nos leva a tomar consci\u00eancia do mundo percebido. [&#8230;] A media\u00e7\u00e3o do saber permite-nos reencontrar indiretamente e de um modo negativo o mundo percebido que as idealiza\u00e7\u00f5es anteriores nos tinham feito esquecer. (Merleau-Ponty 2000:161)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A ci\u00eancia pode fazer somente &#8220;descobertas filos\u00f3ficas negativas&#8221; [London e Bauer], dizer-nos o que o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9, o que o tempo n\u00e3o \u00e9, mas sob a condi\u00e7\u00e3o de que se compreenda que essas nega\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser tomadas como afirma\u00e7\u00f5es disfar\u00e7adas. A ci\u00eancia n\u00e3o fornece ontologia, mesmo sob forma negativa. Ela tem somente o poder de destituir as pseudo-evid\u00eancias de seu pretenso car\u00e1ter de evid\u00eancia. (Merleau-Ponty 2000:171)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESPA\u00c7O EUCLIDIANO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O espa\u00e7o euclidiano n\u00e3o pode ser considerado uma condi\u00e7\u00e3o <em>a priori<\/em> de nossa ci\u00eancia e de nossa experi\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 uma estrutura <em>de direito<\/em>. Os ge\u00f4metras n\u00e3o-euclidianos, ao generalizarem a no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, fazem do espa\u00e7o euclidiano um caso particular. (Merleau-Ponty 2000:163)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A NATUREZA e o SENTIDO do ESPA\u00c7O<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p><em>A pr\u00f3pria quest\u00e3o da natureza do espa\u00e7o n\u00e3o tem sentido<\/em>. (Merleau-Ponty 2000:163)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Colocar a quest\u00e3o da natureza em si do espa\u00e7o \u00e9 admitir um <em>kosmos th\u00e9oros<\/em> [contemplador do mundo]. A quest\u00e3o n\u00e3o se p\u00f5e no caso dos seres vivos, pois n\u00e3o tem sentido: o espa\u00e7o faz parte da situa\u00e7\u00e3o; ora, um espa\u00e7o de situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o em si. (Merleau-Ponty 2000:166)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PLANOL\u00c2NCIA (citando H.Reichenbach, <em>Atome et cosmos<\/em>)<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>(Merleau-Ponty 2000:164-5)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O artif\u00edcio de Reichenbach \u00e9 enganador, uma vez que ele representa por tr\u00eas dimens\u00f5es um espa\u00e7o que tem somente duas. Na medida em que sua analogia \u00e9 transcrita em linguagem euclidiana, ela corre o risco, justamente por essa raz\u00e3o, de nos enganar.  Segundo tais analogias, imaginamos que o espa\u00e7o n\u00e3o-euclidiano est\u00e1 presente aos sentidos de um ser vivo, que se pode ver em duas dimens\u00f5es assim como n\u00f3s vemos em tr\u00eas dimens\u00f5es. (Merleau-Ponty 2000:166)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O ESPA\u00c7O N\u00c3O \u00c9 ALGO, mas PODE SER PARAMETRADO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 algo. As diferentes geometrias s\u00e3o m\u00e9tricas, e as m\u00e9tricas n\u00e3o s\u00e3o nem verdadeiras nem falsas e, por conseguinte, os resultados dessas diferentes m\u00e9tricas n\u00e3o s\u00e3o alternativas. [&#8230;] [O]s resultados da teoria da relatividade, se confirmam a objetividade do espa\u00e7o riemaniano, n\u00e3o nos autorizam a dizer que o espa\u00e7o <em>\u00e9<\/em> riemaniano. Trata-se de &#8220;parametrar&#8221; e nada mais que isso. (Merleau-Ponty 2000:166-7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PERCEP\u00c7\u00c3O, SER e CI\u00caNCIA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O campo perceptivo nos oferece o primeiro modelo do Ser sobre o qual a ci\u00eancia trabalha a fim de dar uma vis\u00e3o articulada do Ser. (Merleau-Ponty 2000:170)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A NATUREZA INDEXICAL <em>E<\/em> ARTIFICIAL da CI\u00caNCIA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>A ci\u00eancia \u00e9 um conjunto rigoroso de elementos constru\u00eddos, que n\u00e3o podemos separar do todo que o justifica. (Merleau-Ponty 2000:172)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TEMPO e PERSPECTIVISMO<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O fen\u00f4meno da pluralidade de tempos \u00e9 um fen\u00f4meno de perspectiva. A concep\u00e7\u00e3o do f\u00edsico relativista \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica. Pensa numa situa\u00e7\u00e3o e d\u00e1-nos a representa\u00e7\u00e3o que se pode fazer das outras situa\u00e7\u00f5es a partir daquela, sendo entendido que a situa\u00e7\u00e3o estacion\u00e1ria \u00e9 uma qualquer. Ele prefere multiplicar as vis\u00f5es egoc\u00eantricas sucessivas a operar a coexist\u00eancia filos\u00f3fica do tempo dos diferentes observadores. Atrav\u00e9s das equa\u00e7\u00f5es, atinge um solipsismo de v\u00e1rios. Pensa o mundo <em>sucessivamente<\/em> de todos os pontos de vista, mas nunca <em>simultaneamente<\/em> de todos os pontos de vista. O que o fil\u00f3sofo procura s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de uma tal equa\u00e7\u00e3o. O fil\u00f3sofo parte da relatividade inerente a cada observador e pergunta-se como \u00e9 poss\u00edvel uma intersubjetividade, como surgiu essa id\u00e9ia de coexist\u00eancia; procura destacar o sentido profundo de nossa situa\u00e7\u00e3o singular e de nossa perten\u00e7a a um mesmo mundo. Trata-se de justificar o pensamento f\u00edsico por outras raz\u00f5es que n\u00e3o as suas pr\u00f3prias e de dar significa\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas para as dificuldades pr\u00e1ticas com que o cientista se defronta, de compreend\u00ea-lo melhor do que ele pr\u00f3prio se compreende, sendo pr\u00f3prio do fil\u00f3sofo compreender melhor do que aqueles que fazem aquilo o que eles fazem. (Merleau-Ponty 2000:176-7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FILOSOFIA DA CI\u00caNCIA<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>Por que n\u00e3o admitir que a f\u00edsica, por mais objetiva que seja, pode ser altamente significativa para a filosofia? Como Bergson mostra em sua <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metaf\u00edsica<\/em>, por tr\u00e1s da autoridade da ci\u00eancia, h\u00e1 todo o halo da ci\u00eancia entregue ao seu trabalho, e essa atmosfera est\u00e1 repleta de filosofia. (Merleau-Ponty 2000:179)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>RELATIVIDADE e SENSO COMUM<\/strong>:<\/p>\n<blockquote><p>O resultado da Relatividade n\u00e3o est\u00e1 em suas formula\u00e7\u00f5es exot\u00e9ricas. N\u00e3o se trata de destruir as id\u00e9ias do senso comum, mas de as tornar mais precisas. (Merleau-Ponty 2000:181)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MERLEAU-PONTY, Maurice. 2000. A ci\u00eancia moderna e a id\u00e9ia de natureza. In: A Natureza: curso do Coll\u00e8ge de France. (trad. \u00c1lvaro Cabral) S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, pp.131-81. [1956-60] FINALISMO (o natural artificial), MECANICISMO (o artificial natural) e FILOSOFIA (o artificial frente ao natural): O pensamento finalista tem necessidade do mecanicismo para recha\u00e7ar a hipervitalidade. 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