{"id":3047,"date":"2025-10-19T15:25:16","date_gmt":"2025-10-19T15:25:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=3047"},"modified":"2025-10-19T15:55:58","modified_gmt":"2025-10-19T15:55:58","slug":"estudos-sociais-da-ciencia-e-da-tecnologia-na-anpocs-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2025\/10\/19\/estudos-sociais-da-ciencia-e-da-tecnologia-na-anpocs-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Estudos Sociais da Ci\u00eancia e da Tecnologia na ANPOCS Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p><strong>49<sup>o<\/sup> Encontro Anual da ANPOCS &#8211; Programa\u00e7\u00e3o Virtual.<\/strong><\/p>\n<h1><strong>GT11. Estudos Sociais da Ci\u00eancia e da Tecnologia<\/strong><\/h1>\n<p><strong>Coordenadores(as)<\/strong>: Daniela Alves de Alves (UFV); Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp).<\/p>\n<h2>Sess\u00e3o 01 &#8211; Tecnoci\u00eancias em debate<\/h2>\n<p>15\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30<br \/>\n<strong>Coordenador<\/strong>: Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp)<br \/>\n<strong>Debatedor<\/strong>: Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp)<\/p>\n<ul>\n<li>Marco Ant\u00f4nio Gav\u00e9rio (PPGBIOS\/FIOCRUZ) e Murilo Mariano Vila\u00e7a (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) &#8211; <strong>A defici\u00eancia como operador conceitual tecnocient\u00edfico? Mapeando articula\u00e7\u00f5es entre melhoramento humano, transumanismo e incapacidade na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica brasileira<\/strong>. Esta pesquisa, fruto de est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado financiado pela FAPERJ, investiga como a literatura acad\u00eamica brasileira mobiliza as no\u00e7\u00f5es de defici\u00eancia, incapacidade, capacidade e otimiza\u00e7\u00e3o nos debates sobre melhoramento humano e transumanismo. Parte-se da hip\u00f3tese de que, apesar da crescente inser\u00e7\u00e3o do tema no campo das humanidades, s\u00e3o raras as an\u00e1lises sistem\u00e1ticas sobre a interse\u00e7\u00e3o entre esses debates e os estudos sobre defici\u00eancia. Questiona-se de que modo a defici\u00eancia \u00e9 representada ou articulada nos discursos que projetam futuros p\u00f3s-humanos e tecnocient\u00edficos. Busca-se compreender se essa categoria funciona como diferen\u00e7a ou como operador conceitual nas disputas sobre corpo, normalidade e tecnologia.\n<li>Gabriel Pugliese Cardoso (UNIVASF) &#8211; <strong>A sa\u00edda da eugenia: diet\u00e9tica e liberalismo<\/strong>. Essa comunica\u00e7\u00e3o visa problematizar a sa\u00edda da eugenia, isto \u00e9, a maneira pela qual, as tecnologias biol\u00f3gicas de sele\u00e7\u00e3o artificial marcadas pelo controle da reprodu\u00e7\u00e3o humana \u2013 na medida em que encontraram diversos bloqueios \u00e9tico-pol\u00edticos em torno de valores liberais \u2013 aclimataram-se em um novo dom\u00ednio, a nutri\u00e7\u00e3o, a partir de uma gram\u00e1tica renovada de otimiza\u00e7\u00e3o do corpo. Explorar-se-\u00e1 as controv\u00e9rsias entre nutr\u00f3logos inventores da diet\u00e9tica racional como modelo de controle da nutri\u00e7\u00e3o e eugenistas que se apoiavam no controle da reprodu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da sexualidade. Essa disputa cient\u00edfica, que tem seu momento chave entre os anos 1920 e 50, estrutura duas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o biopol\u00edtica no campo da sa\u00fade que se orientavam pela finalidade de extra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de energia da popula\u00e7\u00e3o. Pretende-se explorar a confisca\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o de saberes e das tecnologias m\u00e9dicas e biol\u00f3gicas em rela\u00e7\u00e3o com as crises de governamentalidade liberais na primeira metade do s\u00e9culo XX no Brasil.\n<li>Em\u00edlia Braz (UFRGS) &#8211; <strong>&#8220;O que s\u00e3o os desreguladores end\u00f3crinos?&#8221;: uma investiga\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica sobre a desregula\u00e7\u00e3o end\u00f3crina<\/strong>. Desde quando iniciei minha pesquisa de doutorado, \u00e9 comum ouvir a pergunta \u201co que s\u00e3o desreguladores end\u00f3crinos?\u201d. A este questionamento rapidamente respondia que &#8220;desreguladores end\u00f3crinos (DEs) s\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas ex\u00f3genas sint\u00e9ticas que interferem com qualquer aspecto da a\u00e7\u00e3o hormonal&#8221; (Gore et al, 2014), uma defini\u00e7\u00e3o endocrinol\u00f3gica proveniente dos documentos m\u00e9dicos nos quais estou fazendo pesquisa de campo. Contudo, partindo da produ\u00e7\u00e3o socioantropol\u00f3gica pautada nos estudos feministas da ci\u00eancia sobre teoria hormonal, passei a questionar a neutralidade e objetividade, assim como aplicabilidade e imediaticidade de tal defini\u00e7\u00e3o. Nesta apresenta\u00e7\u00e3o, proponho tratar tal pergunta como um ponto de partida para investigar etnograficamente as in\/determina\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas e epist\u00eamicas (onto-epist\u00eamicas) e as materializa\u00e7\u00f5es dos DEs, isto \u00e9, seus efeitos no mundo a partir dos registros m\u00e9dico, popular (divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) e art\u00edstico (cinema, literatura e performance).<\/ul>\n<p>.<\/p>\n<h2>Sess\u00e3o 02 &#8211; Pr\u00e1ticas cient\u00edficas<\/h2>\n<p>16\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30<br \/>\n<strong>Coordenador<\/strong>: Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp)<br \/>\n<strong>Debatedora<\/strong>: Daniela Alves de Alves (UFV)<\/p>\n<ul>\n<li>Leonardo Calau da Cruz (FFLCH\/USP) &#8211; <strong>A provoca\u00e7\u00e3o e os seus provocadores<\/strong>. Steve Woolgar (2022, p. 182) enumera algumas das sensibilidades fundamentais dos pesquisadores que prop\u00f5e embarcar no projeto da STS. Dentre elas a propens\u00e3o a causar problemas, a tend\u00eancia a debater temas conceitualmente dif\u00edceis e o manejo para deflacionar afirma\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas grandiloquentes sem perder a \u00eanfase em quest\u00f5es locais e contingentes. Mas uma das sensibilidades \u00e9 apresentada como fundamental: a provoca\u00e7\u00e3o. (WOOLGAR, 2022, p. 183). Mas o que \u00e9 a provoca\u00e7\u00e3o e qual a sua rela\u00e7\u00e3o com os estudos que prop\u00f5e estudar a ci\u00eancia, a tecnologia e o conhecimento? Para responder a quest\u00e3o de maneira provocativa ser\u00e1 analisado um dos arcos narrativos da s\u00e1tira conspirat\u00f3ria \u201cBirds Aren\u2019t Real\u201d.\n<li>Mariana Petruceli (UnB) &#8211; <strong>Entre redes e recrutamentos: quando pesquisadores e pesquisados se encontram nas Ci\u00eancias do Zika<\/strong>. A resposta cient\u00edfica em emerg\u00eancias sanit\u00e1rias depende de uma ampla gama de recursos acionados por redes de pesquisadores. Latour (1987), Traweek (1998) e Fleischer &#038; Valim (2025) mostram que essas redes s\u00e3o formadas por pessoas, objetos, institui\u00e7\u00f5es e dados em circula\u00e7\u00e3o. Entre 2022 e 2025, integrei um projeto sobre a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento durante a epidemia do Zika em Recife\/PE. Realizamos 93 entrevistas com profissionais da sa\u00fade que atuaram entre 2015 e 2017, quando a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria estava em voga. Um tema recorrente foi o recrutamento de participantes, quest\u00e3o central na Antropologia da ci\u00eancia (Epstein, 2008, 2010; Petryna, 2011). A partir de Knorr-Cetina (1981), proponho discutir os participantes como recurso relacional fundamental, em especial nas Ci\u00eancias do Zika, onde ocupam papel ativo na cr\u00edtica \u00e0s pesquisas. Meu objetivo \u00e9 explorar como se constroem essas rela\u00e7\u00f5es e as negocia\u00e7\u00f5es em torno do recrutamento.\n<li>Thamara Rosa Pedro (UFMG) e Victor Luiz Alves Mour\u00e3o (UFV) &#8211; <strong>Conhecimentos can\u00e1bicos: processo de forma\u00e7\u00e3o de carreira dos pesquisadores<\/strong>. Esta pesquisa integra o projeto Conhecimentos Can\u00e1bicos: ci\u00eancia e pol\u00edtica nas pesquisas com\/sobre cannabis no Brasil, que busca analisar sociologicamente a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre cannabis em universidades brasileiras. Este trabalho, em particular, examina o caso da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), bem como da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ) e Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) com o objetivo de identificar o perfil dos pesquisadores da \u00e1rea e compreender os processos pelos quais se especializam em pesquisas sobre cannabis. A investiga\u00e7\u00e3o parte da perspectiva sociol\u00f3gica proposta por Becker (1963), adaptando a ideia de trajet\u00f3ria de socializa\u00e7\u00e3o \u2014 &#8220;como se torna um usu\u00e1rio de maconha?&#8221; \u2014 para o campo da ci\u00eancia: &#8220;como se torna um pesquisador de cannabis?&#8221;.\n<li>Larissa Aparecida Prevato Lopes (UNICAMP) e Milena Pavan Serafim (UNICAMP) &#8211; <strong>Conhecimento Cient\u00edfico e Pol\u00edtica: Organiza\u00e7\u00f5es de Assessoramento Informacional Legislativo em Perspectiva Comparada<\/strong>. As associa\u00e7\u00f5es entre conhecimentos cient\u00edficos e os processos de tomada de decis\u00e3o pol\u00edtica podem assumir diferentes contornos, a depender das intencionalidades dos agentes, dos posicionamentos dos atores no jogo pol\u00edtico e at\u00e9 mesmo do entendimento dos decisores sobre as tem\u00e1ticas em debate. A complexidade dos assuntos em discuss\u00e3o e as assimetrias de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o entre os representantes eleitos s\u00e3o frequentemente apontadas como quest\u00f5es que influenciam negativamente os debates nas arenas decis\u00f3rias. Muito se discute sobre a necessidade de fundamentar as decis\u00f5es pol\u00edticas com informa\u00e7\u00f5es verific\u00e1veis, principalmente sobre temas considerados altamente especializados, como aqueles relacionados \u00e0 Ci\u00eancia e Tecnologia. Apesar das aparentes incompatibilidades entre espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o\/ divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e ambientes pol\u00edticos \u00e9 poss\u00edvel identificar em diferentes pa\u00edses a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es de assessoramento informacional, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 articular ci\u00eancia e pol\u00edtica.<\/ul>\n<p>.<\/p>\n<h2>Sess\u00e3o 03 &#8211; Tecnologias em contexto<\/h2>\n<p>17\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30<br \/>\n<strong>Coordenadora<\/strong>: Daniela Alves de Alves (UFV)<br \/>\n<strong>Debatedor<\/strong>: Marko Monteiro (UNICAMP)<\/p>\n<ul>\n<li>Elism\u00eannia Aparecida Oliveira (UFG) e Francy Eide Nunes Leal (IFG) &#8211; <strong>Tecnologias sociais e seus territ\u00f3rios: um estudo de caso a partir de uma pesquisa-a\u00e7\u00e3o com profissionais da educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Este artigo aborda a utiliza\u00e7\u00e3o das Tecnologias Sociais (TS) para a elabora\u00e7\u00e3o de ferramentas, a\u00e7\u00f5es e atividades voltadas ao campo da educa\u00e7\u00e3o, com \u00eanfase nas tem\u00e1ticas de g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia, diversidade cultural e cidadania. Os resultados parciais apresentados derivam de oficinas tem\u00e1ticas, nas quais empregamos um aporte te\u00f3rico-metodol\u00f3gico transdisciplinar e das TS na Educa\u00e7\u00e3o com o objetivo de mapear e propor interven\u00e7\u00f5es direcionadas \u00e0s demandas do grupo. Assim, fundamentados na execu\u00e7\u00e3o de etapas de pesquisa, ensino e extens\u00e3o, buscamos implementar e produzir conhecimentos estruturados nos princ\u00edpios da TS, como a sustentabilidade e autonomia, constru\u00e7\u00e3o de redes de apoio e comprometimento com a justi\u00e7a social. Ao mesmo tempo, esse processo ocorreu em conjunto com a an\u00e1lise te\u00f3rica das TS e sua conflu\u00eancia com estudos da epistemologia feminista, sociologia digital, estudos subalternos e decoloniais, que tamb\u00e9m tematizam a tecnologia e sua rela\u00e7\u00e3o com diferentes territ\u00f3rios.\n<li>Thiago Novaes (Faperj\/UFF) &#8211; <strong>Arqueologia da Tecnomagia: Simondon e Haraway visitam os s\u00edtios megal\u00edticos do Peru e Egito<\/strong>. Considerando uma vasta literatura de refer\u00eancia que evidencia o contraste entre narrativas arqueol\u00f3gicas consolidadas sobre ferramentas primitivas, isolamento cultural e simbolismo religioso, em contraste com anomalias tecnol\u00f3gicas e culturais observadas em s\u00edtios megal\u00edticos andinos e eg\u00edpcios (precis\u00e3o, escala, t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o e artefatos que sugerem alta tecnologia), como as ci\u00eancias sociais, em articula\u00e7\u00e3o com a filosofia da t\u00e9cnica, podem construir modelos alternativos de investiga\u00e7\u00e3o, epistemologicamente orientados, que levem \u00e0 valida\u00e7\u00e3o ou \u00e0 supress\u00e3o de diferentes \u201cimagin\u00e1rios tecnocient\u00edficos\u201d sobre o passado? Qual o papel da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, na negocia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 considerado conhecimento \u201cleg\u00edtimo\u201d e as interpreta\u00e7\u00f5es alternativas que emergem da observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, especialmente quando estas desafiam dogmas estabelecidos e questionam a pr\u00f3pria capacidade de civiliza\u00e7\u00f5es ancestrais?\n<li>Jorge Wilton da Silva Santos Junior (USP), Marina Proven\u00e7ano Del Rei (USP) e Matheus Vinicius Gomes de Lima (USP) &#8211; <strong>Filtrando o desejo: marcadores sociais da diferen\u00e7a e homonormatividade no Grindr<\/strong>. Esta pesquisa prop\u00f5e investigar o Grindr como espa\u00e7o de disputas pol\u00edticas atravessadas por algoritmos, desejos e desigualdades. A partir das rela\u00e7\u00f5es de poder mediadas por marcadores sociais como ra\u00e7a, idade, g\u00eanero, sexualidade, sorologia, corpo (gordofobia) e classe, busca-se compreender de que forma o uso do \u201cfiltro de etnia\u201d pode refor\u00e7ar ou tensionar din\u00e2micas de exclus\u00e3o dentro da pr\u00f3pria comunidade LGBTQIA+. A an\u00e1lise articula o mapeamento de controv\u00e9rsias (Latour, 1994), a teoria das cenas (Paiva, 2000) e o conceito de homonormatividade (Mowlabocus, 2021), tomando o Grindr como poss\u00edvel dispositivo de produ\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o do desejo. Parte-se da hip\u00f3tese de que as intera\u00e7\u00f5es entre sujeitos, algoritmos e interfaces participam da coprodu\u00e7\u00e3o de identidades, levantando quest\u00f5es sobre quem \u00e9 desejado, ouvido ou reconhecido nesses circuitos digitais.\n<li>Juliane Cristina Helanski Cardoso (UNICAMP) &#8211; <strong>Do cart\u00e3o perfurado \u00e0 intelig\u00eancia artificial: a m\u00e1quina de Hollerith e as l\u00f3gicas da computa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea<\/strong>. \u00c9 poss\u00edvel investigar pr\u00e1ticas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas ligadas a um centro de pesquisa em intelig\u00eancia artificial por meio da an\u00e1lise da ag\u00eancia de um objeto t\u00e9cnico do final do s\u00e9culo XIX? Este trabalho acredita que sim, ao propor um estudo sobre a m\u00e1quina de cart\u00f5es perfurados de Herman Hollerith (1860\u20131929), usada nos primeiros censos demogr\u00e1ficos automatizados da hist\u00f3ria. Ao conectar esse objeto t\u00e9cnico a dois eventos hist\u00f3ricos, o censo dos Estados Unidos de 1890 e o Holocausto na Alemanha nazista, busca-se compreender como a ag\u00eancia da m\u00e1quina, entendida como seu poder l\u00f3gico (codifica\u00e7\u00e3o), expressivo (decodifica\u00e7\u00e3o) e moralmente amb\u00edguo, permanece ativa em pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas de pesquisa em intelig\u00eancia artificial.\n<li>Leticia Pereira Sim\u00f5es Gomes (NEV\/USP) &#8211; <strong>Pr\u00e1ticas digitais em um Centro de Opera\u00e7\u00f5es 190<\/strong>. O paper analisa como sistemas digitais e bancos de dados s\u00e3o usados no despacho e aloca\u00e7\u00e3o de recursos policiais, explorando as narrativas que articulam tecnologia e trabalho. Primeiro, discuto como intera\u00e7\u00f5es sociais tensas s\u00e3o codificadas nas media\u00e7\u00f5es entre solicitantes, operadores, despachantes, patrulheiros, e tecnologias: que informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o priorizadas ou descartadas, e como o sistema de despacho enquadra situa\u00e7\u00f5es complexas. Depois, analiso as pr\u00e1ticas dos despachantes, focando no acesso a bancos de dados e na sele\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para as patrulhas. Diante de sistemas paralelos integrados manualmente, v\u00ea-se o trabalho como uma &#8220;gincana&#8221; para descobrir suspeitos, em que as tecnologias digitais s\u00e3o essenciais. Por fim, discuto a territorialidade do policiamento via chamados 190, mostrando como a aloca\u00e7\u00e3o de recursos divide \u00e1reas entre estrat\u00e9gias baseadas em an\u00e1lise criminal (policiamento inteligente) e respostas reativas a emerg\u00eancias (&#8220;apagar inc\u00eandios&#8221;).\n<li>Pedro Henrique Santos de Sales (UFRGS) &#8211; <strong>Os Estudos Sociais em Ci\u00eancia e Tecnologia na atualidade: uma revis\u00e3o liter\u00e1ria do campo nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>. O presente trabalho tem como objetivo analisar a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre os Estudos Sociais em Ci\u00eancia e Tecnologia (ESCT) nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Brasil. O campo dos ESCT caracteriza-se por investigar, a partir de abordagens e metodologias das ci\u00eancias sociais (PREMIDA; NEVES; ALMEIDA, 2011), os processos de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e os impactos sociais da ci\u00eancia e da tecnologia. Considerando o crescimento de estudos sociais sobre ci\u00eancia e tecnologia no Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas (ANDRADE, 2007), busca-se mapear onde e como os ESCT t\u00eam sido incorporados na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica avan\u00e7ada.<\/ul>\n<p>.<br \/>\n<strong>Obs.<\/strong>: a programa\u00e7\u00e3o do GT apresentada aqui n\u00e3o coincide com a presente no <a href=\"https:\/\/www.encontro2025.anpocs.org.br\/atividade\/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9BVElWSURBREVcIjpcIjQwOFwifSIsImgiOiI5N2I2YTVjMDViZWY5OTQzNzdjYmVkN2IyYmNhNGZkYiJ9&#038;ID_ATIVIDADE=408\">site da ANPOCS<\/a>, pois: incorporou a troca dos dias da apresenta\u00e7\u00e3o de Pedro H. Santos de Sales e nos quais Pedro Ferreira e Marko Monteiro seriam debatedores; e incluiu apenas os trabalhos efetivamente apresentados nas sess\u00f5es.<\/p>\n<h2>Registros fotogr\u00e1ficos das sess\u00f5es 2 e 3<\/h2>\n<p><strong>Sess\u00e3o 2<\/strong> &#8211; 16\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/GT11-anpocs-20251016.png\" alt=\"\" \/><br \/>\n<strong>Sess\u00e3o 3<\/strong> &#8211; 17\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gt11-anpocs-20251017.png\" alt=\"\" \/><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>49o Encontro Anual da ANPOCS &#8211; Programa\u00e7\u00e3o Virtual. GT11. Estudos Sociais da Ci\u00eancia e da Tecnologia Coordenadores(as): Daniela Alves de Alves (UFV); Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp). Sess\u00e3o 01 &#8211; Tecnoci\u00eancias em debate 15\/10\/2025 das 13:30 \u00e0s 16:30 Coordenador: Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp) Debatedor: Pedro Peixoto Ferreira (DS\/IFCH\/Unicamp) Marco Ant\u00f4nio Gav\u00e9rio (PPGBIOS\/FIOCRUZ) e Murilo Mariano Vila\u00e7a (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) &#8211; A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3045,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[92],"tags":[],"class_list":["post-3047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divulgacao"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gt11-anpocs-20251017.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3047"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3055,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions\/3055"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}