{"id":274,"date":"2021-04-15T21:05:42","date_gmt":"2021-04-15T21:05:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=274"},"modified":"2021-04-15T21:05:42","modified_gmt":"2021-04-15T21:05:42","slug":"o-novum-organum-de-latour-2000-1987","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/15\/o-novum-organum-de-latour-2000-1987\/","title":{"rendered":"O <em>Novum Organum<\/em> de Latour (2000 [1987])"},"content":{"rendered":"<p>Depois das &#8220;regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico&#8221; de Durkheim, vieram as &#8220;regras metodol\u00f3gicas&#8221; e os &#8220;princ\u00edpios&#8221; de Latour.<\/p>\n<p>LATOUR, Bruno. 2000. Regras metodol\u00f3gicas; Princ\u00edpios. In: <em>Ci\u00eancia em a\u00e7\u00e3o: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora<\/em>. (Trad. Ivone C. Benedetti) S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, pp.421-4. [1987]<\/p>\n<p>AP\u00caNDICE I<br \/>\nREGRAS METODOL\u00d3GICAS<\/p>\n<p><strong>REGRA 1<\/strong>: Estudamos a ci\u00eancia <em>em a\u00e7\u00e3o<\/em>, e n\u00e3o a ci\u00eancia ou a tecnologia pronta; para isso, ou chegamos antes que fatos e m\u00e1quinas se tenham transformado em caixas-pretas, ou acompanhamos as controv\u00e9rsias que as reabrem. (Introdu\u00e7\u00e3o)<br \/>\n<strong>REGRA 2<\/strong>: Para determinar a objetividade ou subjetividade de uma afirma\u00e7\u00e3o, a efici\u00eancia ou a perfei\u00e7\u00e3o de um mecanismo, n\u00e3o devemos procurar por suas qualidades <em>intr\u00ednsecas<\/em>, mas por todas as transforma\u00e7\u00f5es que ele sofre <em>depois<\/em>, nas m\u00e3os dos outros. (Cap\u00edtulo 1)<br \/>\n<strong>REGRA 3<\/strong>: Como a solu\u00e7\u00e3o de uma controv\u00e9rsia \u00e9 a <em>causa<\/em> da representa\u00e7\u00e3o da Natureza, e n\u00e3o sua consequ\u00eancia, nunca podemos utilizar essa consequ\u00eancia, a Natureza, para explicar como e por que uma controv\u00e9rsia foi resolvida. (Cap\u00edtulo 2)<br \/>\n<strong>REGRA 4<\/strong>: Como a resolu\u00e7\u00e3o de uma controv\u00e9rsia \u00e9 a <em>causa<\/em> da estabilidade da sociedade, n\u00e3o podemos usar a sociedade para explicar como e por que uma controv\u00e9rsia foi dirimida. Devemos considerar simetricamente os esfor\u00e7os para alistar recursos humanos e n\u00e3o-humanos. (Cap\u00edtulo 3)<br \/>\n<strong>REGRA 5<\/strong>: Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo de que \u00e9 feita a tecnoci\u00eancia, devemos permanecer t\u00e3o indecisos quanto os v\u00e1rios atores que seguimos; sempre que se constr\u00f3i um divisor entre interior e exterior, devemos estudar os dois lados simultaneamente e fazer uma lista (n\u00e3o importa se longa e heterog\u00eanea) daqueles que realmente trabalham. (Cap\u00edtulo 4)<br \/>\n<strong>REGRA 6<\/strong>: Diante da acusa\u00e7\u00e3o de irracionalidade, n\u00e3o olhamos para que regra da l\u00f3gica foi infrigida nem que estrutura social poderia explicar a distor\u00e7\u00e3o, mas sim para o \u00e2ngulo e a dire\u00e7\u00e3o do <em>deslocamento<\/em> do observador, bem como para a <em>extens\u00e3o<\/em> da rede que assim est\u00e1 sendo constru\u00edda. (Cap\u00edtulo 5)<br \/>\n<strong>REGRA 7<\/strong>: Antes de atribuir qualquer qualidade especial \u00e0 mente ou ao m\u00e9todo das pessoas, examinemos os muitos modos como as inscri\u00e7\u00f5es s\u00e3o coligidas, combinadas, interligadas e devolvidas. S\u00f3 se alguma coisa ficar sem explica\u00e7\u00e3o depois do estudo da rede \u00e9 que devemos come\u00e7ar a falar em fatores cognitivos. (Cap\u00edtulo 6)<\/p>\n<p>AP\u00caNDICE II<br \/>\nPRINC\u00cdPIOS<\/p>\n<p><strong>PRIMEIRO<\/strong>: O destino de fatos e m\u00e1quinas est\u00e1 nas m\u00e3os dos consumidores finais; suas qualidades, portanto, s\u00e3o consequ\u00eancia, e n\u00e3o causa, de uma a\u00e7\u00e3o coletiva. (Cap\u00edtulo 1)<br \/>\n<strong>SEGUNDO<\/strong>: Os cientistas e engenheiros falam em nome de novos aliados que conformaram e alistaram; representantes entre outros representantes, com esses recursos inesperados, fazem o fiel da balan\u00e7a de for\u00e7as pender em seu favor. (Cap\u00edtulo 2)<br \/>\n<strong>TERCEIRO<\/strong>: Nunca somos postos diante da ci\u00eancia, da tecnologia e da sociedade, mas sim diante de uma gama de <em>associa\u00e7\u00f5es<\/em> mais fracas e mais fortes; portanto, entender o que s\u00e3o fatos e m\u00e1quinas \u00e9 o mesmo que entender o <em>que<\/em> as pessoas s\u00e3o.<br \/>\n<strong>QUARTO<\/strong>: Quanto mais esot\u00e9rico o conte\u00fado da ci\u00eancia e da tecnologia, mais elas se expandem externamente; portanto, &#8220;ci\u00eancia e tecnologia&#8221; \u00e9 apenas um subconjunto da tecnoci\u00eancia. (Cap\u00edtulo 4)<br \/>\n<strong>QUINTO<\/strong>: A acusa\u00e7\u00e3o de irracionalidade \u00e9 sempre feita por algu\u00e9m que est\u00e1 construindo uma rede em rela\u00e7\u00e3o a outra pessoa que atravessa seu caminho; portanto, n\u00e3o h\u00e1 Grande Divisor entre mentes, mas apenas redes  maiores ou menores; os fatos duros n\u00e3o s\u00e3o regra, mas exce\u00e7\u00e3o, visto serem necess\u00e1rios em poucos casos para afastar um grande n\u00famero de pessoas de seu caminho habitual. (Cap\u00edtulo 5)<br \/>\n<strong>SEXTO<\/strong>: A hist\u00f3ria da tecnoci\u00eancia \u00e9, em grande parte, a hist\u00f3ria dos recursos espalhados ao longo das redes para acelerar a mobilidade, a fidedignidade, a combina\u00e7\u00e3o e a coes\u00e3o dos tra\u00e7ados que possibilitam a a\u00e7\u00e3o [\u00e0] dist\u00e2ncia. [(Cap\u00edtulo 6)]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois das &#8220;regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico&#8221; de Durkheim, vieram as &#8220;regras metodol\u00f3gicas&#8221; e os &#8220;princ\u00edpios&#8221; de Latour. LATOUR, Bruno. 2000. Regras metodol\u00f3gicas; Princ\u00edpios. In: Ci\u00eancia em a\u00e7\u00e3o: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. (Trad. Ivone C. Benedetti) S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, pp.421-4. 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