{"id":2702,"date":"2024-12-02T00:13:27","date_gmt":"2024-12-02T00:13:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=2702"},"modified":"2024-12-02T00:13:27","modified_gmt":"2024-12-02T00:13:27","slug":"maquinas-desejantes-em-1982-guattari-e-rolnik-1996","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2024\/12\/02\/maquinas-desejantes-em-1982-guattari-e-rolnik-1996\/","title":{"rendered":"M\u00e1quinas desejantes em 1982 (Guattari e Rolnik 1996)"},"content":{"rendered":"<p><em>Acho muito mais vantajoso partir para uma teoria do desejo que o considere como pertencendo propriamente a sistemas maqu\u00ednicos altamente diferenciados e elaborados<\/em>. E, quando digo &#8220;maqu\u00ednico&#8221;, n\u00e3o me refiro a mec\u00e2nico, nem necessariamente a m\u00e1quinas t\u00e9cnicas. As m\u00e1quinas t\u00e9cnicas existem, \u00e9 claro, mas h\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e1quinas sociais, m\u00e1quinas est\u00e9ticas, m\u00e1quinas te\u00f3ricas e assim por diante. Em outras palavras, h\u00e1 m\u00e1quinas territorializadas (em metal, em eletricidade, etc.), assim como h\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e1quinas desterritorializadas que funcionam num n\u00edvel de semiotiza\u00e7\u00e3o completamente outro. (Guattari, <em>in<\/em>: Guattari e Rolnik 1996:239)<\/p>\n<p>Forjei, com Gilles Deleuze, [&#8230;] o conceito de &#8220;m\u00e1quina desejante&#8221;. \u00c9 a ideia de que o desejo corresponde a urn certo tipo de produ\u00e7\u00e3o e que ele n\u00e3o \u00e9 absolutamente algo de indiferenciado. O desejo n\u00e3o \u00e9 nem urna puls\u00e3o org\u00e2nica, nem algo que estaria sendo trabalhado, por exemplo, pelo segundo princ\u00edpio da termodin\u00e2mica, sendo arrastado de maneira inexor\u00e1vel por uma esp\u00e9cie de puls\u00e3o de morte. O desejo, ao contr\u00e1rio, teria infinitas possibilidades de montagem. [&#8230;]  Isso n\u00e3o quer dizer que o desejo seja uma for\u00e7a que, por si mesma, v\u00e1 construir todo um universo coordenado. Gilles Deleuze e eu estamos inteiramente distanciados de qualquer ideia de espontane\u00edsmo neste campo. O desejo, para n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 a nova f\u00f3rmula do bom selvagem de Jean Jacques Rosseau. Ele tamb\u00e9m pode, como toda m\u00e1quina que se preze, se paralisar, se bloquear (e at\u00e9 muito mais do que qualquer m\u00e1quina t\u00e9cnica); ele corre o risco de entrar em processos de implos\u00e3o, de autodestrui\u00e7\u00e3o, que no campo social poder\u00e3o se manifestar atrav\u00e9s de fen\u00f4menos que eu e Deleuze chamamos de \u201cmicrofascismos&#8221;. Portanto, para n\u00f3s, a quest\u00e3o est\u00e1 em se tentar apreciar o que \u00e9 efetivamente a economia do desejo, num n\u00edvel pr\u00e9-pessoal, num n\u00edvel das rela\u00e7\u00f5es de identidade ou das rela\u00e7\u00f5es intra-familiais, assim como em todos os n\u00edveis do campo social. (Guattari, <em>in<\/em>: Guattari e Rolnik 1996:239-40)<\/p>\n<p>GUATTARI, F\u00e9lix; ROLNIK, Suely. 1996. Desejo e hist\u00f3ria. In: <em>Micropol\u00edtica: cartografias do desejo<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, p.197-273.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho muito mais vantajoso partir para uma teoria do desejo que o considere como pertencendo propriamente a sistemas maqu\u00ednicos altamente diferenciados e elaborados. E, quando digo &#8220;maqu\u00ednico&#8221;, n\u00e3o me refiro a mec\u00e2nico, nem necessariamente a m\u00e1quinas t\u00e9cnicas. As m\u00e1quinas t\u00e9cnicas existem, \u00e9 claro, mas h\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e1quinas sociais, m\u00e1quinas est\u00e9ticas, m\u00e1quinas te\u00f3ricas e assim por diante. 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