{"id":2612,"date":"2024-09-17T02:20:34","date_gmt":"2024-09-17T02:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=2612"},"modified":"2024-10-02T18:24:50","modified_gmt":"2024-10-02T18:24:50","slug":"alagmatica-simondon-2020-1958","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2024\/09\/17\/alagmatica-simondon-2020-1958\/","title":{"rendered":"Alagm\u00e1tica (Simondon 2020 [1958])"},"content":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2020 [1958]. Alagm\u00e1tica. In: <em>A individua\u00e7\u00e3o \u00e0 luz das no\u00e7\u00f5es de forma e de informa\u00e7\u00e3o<\/em>. (Trads.: Lu\u00eds E.P. Aragon; Guilherme Ivo) S\u00e3o Paulo: Editora 34, p.559-71.<\/p>\n<p><strong>ALAGM\u00c1TICA como TEORIA DAS OPERA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A <em>alagma\u0301tica<\/em> e\u0301 a teoria das operac\u0327o\u0303es. (Simondon 2020:559)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ALAGM\u00c1TICA e CI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Na\u0303o se pode designar cada ramo da <em>alagma\u0301tica<\/em> por um domi\u0301nio objetivo, como estudo da mate\u0301ria, estudo da vida&#8230;. Em contrapartida, uma maneira primitiva, pore\u0301m u\u0301til, de distinguir suas especificac\u0327o\u0303es consiste em se servir das cie\u0302ncias ja\u0301 constitui\u0301das para denominar seus intervalos. Um intervalo significa, com efeito, possibilidade de uma relac\u0327a\u0303o, e uma relac\u0327a\u0303o implica operac\u0327a\u0303o. Obteri\u0301amos assim a alagma\u0301tica fi\u0301sico-qui\u0301mica, a alagma\u0301tica psico-fisiolo\u0301gica, a alagma\u0301tica meca\u0302nico-termodina\u0302mica.  (Simondon 2020:559)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A cie\u0302ncia das operac\u0327o\u0303es so\u0301 pode ser atingida se a cie\u0302ncia das estruturas percebe desde o interior os limites de seu pro\u0301prio domi\u0301nio. A alagma\u0301tica e\u0301 a vertente operato\u0301ria da teoria cienti\u0301fica. A cie\u0302ncia esta\u0301, ate\u0301 nossos dias, realizada apenas pela metade; resta- lhe agora fazer a teoria da operac\u0327a\u0303o. Pore\u0301m, como uma operac\u0327a\u0303o e\u0301 uma conversa\u0303o de uma estrutura em uma outra estrutura, seria preciso inicialmente uma sistema\u0301tica das estruturas para que esse trabalho possa ser realizado. A Ciberne\u0301tica marca o ini\u0301cio de uma <em>alagma\u0301tica geral<\/em>. (Simondon 2020:562)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESTRUTURAS e OPERA\u00c7\u00d5ES (transopera\u00e7\u00f5es e convers\u00f5es; modula\u00e7\u00e3o e desmodula\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>sendo uma estrutura dada como o resultado de uma construc\u0327a\u0303o, pode-se dizer que a operac\u0327a\u0303o e\u0301 o que faz aparecer uma estrutura ou que modifica uma estrutura. A operac\u0327a\u0303o e\u0301 o complemento ontolo\u0301gico da estrutura e a estrutura e\u0301 o complemento ontolo\u0301gico da operac\u0327a\u0303o. O <em>ato<\/em> conte\u0301m ao mesmo tempo a operac\u0327a\u0303o e a estrutura; tambe\u0301m, segundo a vertente do ato ao qual a atenc\u0327a\u0303o se volta, ela rete\u0301m o elemento operac\u0327a\u0303o ou o elemento estrutura, deixando seu complemento de lado. (Simondon 2020:560)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O programa da <em>alagma\u0301tica<\/em> &#8211; que visa tornar-se uma Ciberne\u0301tica universal &#8211; consiste em fazer uma teoria da operac\u0327a\u0303o. Pore\u0301m, na\u0303o e\u0301 possi\u0301vel definir uma operac\u0327a\u0303o a\u0300 parte de uma estrutura; portanto, o sistema estrutural estara\u0301 presente na definic\u0327a\u0303o da operac\u0327a\u0303o sob sua forma mais abstrata e mais universal; e definir a operac\u0327a\u0303o consistira\u0301 em definir uma certa convertibilidade da operac\u0327a\u0303o em estrutura e da estrutura em operac\u0327a\u0303o, ja\u0301 que a operac\u0327a\u0303o realiza uma transformac\u0327a\u0303o de uma estrutura em uma outra estrutura, e e\u0301 enta\u0303o investida da estrutura antecedente que vai se reconverter, ao final da operac\u0327a\u0303o, na estrutura seguinte; a operac\u0327a\u0303o e\u0301 um <em>metaxu\u0301<\/em> [correla\u00e7\u00e3o] entre duas estruturas e e\u0301, contudo, de uma outra natureza que a de toda estrutura. Portanto, podemos prever que a <em>alagma\u0301tica<\/em> devera\u0301 definir a relac\u0327a\u0303o de uma operac\u0327a\u0303o a uma operac\u0327a\u0303o e a relac\u0327a\u0303o de uma operac\u0327a\u0303o a uma estrutura. Estas operac\u0327o\u0303es podem ser nomeadas, as primeiras, <em>transoperato\u0301rias<\/em>, e as segundas, converso\u0303es. (Simondon 2020:562)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>a modulac\u0327a\u0303o e a desmodulac\u0327a\u0303o sa\u0303o as equivale\u0302ncias de operac\u0327a\u0303o e de estrutura: a modulac\u0327a\u0303o e\u0301 a transformac\u0327a\u0303o de uma energia em estrutura e a desmodulac\u0327a\u0303o a transformac\u0327a\u0303o de uma estrutura em energia. (Simondon 2020:563)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Um <em>monismo epistemolo\u0301gico<\/em> da estrutura ou da operac\u0327a\u0303o na\u0303o permanece fiel a si pro\u0301prio e recria, no decorrer de seu desenvolvimento, o termo que ele havia exclui\u0301do primitivamente. (Simondon 2020:568)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ANALOGIA (O-O) e MODULA\u00c7\u00c3O (O-E)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>a analogia e\u0301 uma equivale\u0302ncia transoperato\u0301ria. (Simondon 2020:563)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O ato analo\u0301gico e\u0301 a colocac\u0327a\u0303o em relac\u0327a\u0303o de duas operac\u0327o\u0303es [O-O], diretamente ou atrave\u0301s das estruturas, enquanto que o ato de modulac\u0327a\u0303o e\u0301 a colocac\u0327a\u0303o em relac\u0327a\u0303o da operac\u0327a\u0303o e da estrutura [O-E], atrave\u0301s de um conjunto ativo nomeado modulador. [&#8230;] Todas as operac\u0327o\u0303es sa\u0303o aspectos do ato de modulac\u0327a\u0303o ou do ato analo\u0301gico, ou combinac\u0327o\u0303es do ato de modulac\u0327a\u0303o e do ato analo\u0301gico. (Simondon 2020:563)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O ato analo\u0301gico e\u0301 a colocac\u0327a\u0303o em relac\u0327a\u0303o de duas operac\u0327o\u0303es. (Simondon 2020:563)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O me\u0301todo analo\u0301gico supo\u0303e que se pode conhecer <em>ao definir as estruturas pelas operac\u0327o\u0303es que as dinamizam<\/em>, ao inve\u0301s de conhecer <em>ao definir as opera\u00e7\u00f5es pelas estruturas entre as quais elas se exercem<\/em>. (Simondon 2020:565) <\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O PENSAMENTO ANA-L\u00d3GICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A condic\u0327a\u0303o lo\u0301gica do exerci\u0301cio da analogia supo\u0303e uma condic\u0327a\u0303o ontolo\u0301gica da relac\u0327a\u0303o entre a estrutura e a operac\u0327a\u0303o. Pois a transfere\u0302ncia da <em>operac\u0327a\u0303o lo\u0301gica<\/em> pela qual se pensa um ser, de um ser a um ser <em>ana\u0301logo<\/em>, so\u0301 pode ser va\u0301lida se a <em>operac\u0327a\u0303o lo\u0301gica<\/em> for modulada pelo conjunto sistema\u0301tico das <em>operac\u0327o\u0303es essenciais<\/em> que constituem o ser. Se a analogia a um outro ser fosse uma simples transfere\u0302ncia das modalidades do pensamento pela qual se considera um ser, ela na\u0303o passaria de uma associac\u0327a\u0303o de ideias. A analogia so\u0301 se torna lo\u0301gica se a transfere\u0302ncia de uma operac\u0327a\u0303o lo\u0301gica e\u0301 a transfere\u0302ncia de uma operac\u0327a\u0303o que reproduz o esquema operato\u0301rio do ser conhecido. A analogia entre dois seres por meio do pensamento so\u0301 se legitima se o pensamento sustenta uma <em>relac\u0327a\u0303o analo\u0301gica<\/em> com o esquema operato\u0301rio de cada um dos seres representados. Antes que o conhecimento da relac\u0327a\u0303o analo\u0301gica entre dois seres seja estabelecido, e\u0301 preciso que o conhecimento de um ser ja\u0301 seja uma relac\u0327a\u0303o analo\u0301gica entre as operac\u0327o\u0303es essenciais deste ser e as operac\u0327o\u0303es do pensamento que o conhece. E\u0301 o conhecimento de um esquematismo operato\u0301rio que o pensamento transfere, e este conhecimento do esquematismo e\u0301 ele pro\u0301prio um esquematismo que consiste em operac\u0327o\u0303es do pensamento. O pensamento analo\u0301gico estabelece uma relac\u0327a\u0303o entre dois termos, pois o pensamento e\u0301 <em>uma mediac\u0327a\u0303o entre dois termos com os quais ele tem, separadamente, uma relac\u0327a\u0303o imediata<\/em>. Essa mediac\u0327a\u0303o e\u0301 feita de duas imediac\u0327o\u0303es isoladas: o pensamento torna-se o <em>metaxu\u0301<\/em> operato\u0301rio dos seres sem relac\u0327a\u0303o ontolo\u0301gica porque eles na\u0303o fazem parte do mesmo sistema natural de existe\u0302ncia. (Simondon 2020:565)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ANALOGIA (pensamento cient\u00edfico) e SEMELHAN\u00c7A (pensamento pseudocient\u00edfico)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>o pensamento analo\u0301gico e\u0301 aquele que revela as identidades de relac\u0327o\u0303es, na\u0303o das relac\u0327o\u0303es de identidade, mas e\u0301 necessa\u0301rio precisar que essas identidades de relac\u0327a\u0303o sa\u0303o as identidades de relac\u0327o\u0303es operato\u0301rias, na\u0303o as identidades de relac\u0327o\u0303es estruturais. Desse modo se descobre a oposic\u0327a\u0303o entre a semelhanc\u0327a e a analogia: a semelhanc\u0327a e\u0301 feita de relac\u0327o\u0303es estruturais. O pensamento pseudocienti\u0301fico faz um amplo uso da semelhanc\u0327a, a\u0300s vezes mesmo da semelhanc\u0327a de vocabula\u0301rio, mas na\u0303o faz uso da analogia. [&#8230;] Ao contra\u0301rio, o uso da analogia comec\u0327a com a cie\u0302ncia. (Simondon 2020:565-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O SER COMO FAZER<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>toda teoria do conhecimento supo\u0303e uma teoria do ser; o me\u0301todo analo\u0301gico e\u0301 va\u0301lido se ele visa a um mundo em que os seres sa\u0303o definidos por suas operac\u0327o\u0303es e na\u0303o por suas estruturas, pelo o que eles fazem e na\u0303o pelo o que eles sa\u0303o: se um ser e\u0301 o que ele faz, se ele na\u0303o e\u0301 independentemente do que ele <em>faz<\/em>, o me\u0301todo analo\u0301gico pode ser aplicado sem reservas. Se, ao contra\u0301rio, um ser se define por sua estrutura, tanto quanto por suas operac\u0327o\u0303es, o pensamento analo\u0301gico na\u0303o pode alcanc\u0327ar toda a realidade do ser. Se, enfim, e\u0301 a estrutura, e na\u0303o a operac\u0327a\u0303o, que e\u0301 primordial, o me\u0301todo analo\u0301gico e\u0301 desprovido de sentido profundo e so\u0301 pode ter um papel pedago\u0301gico ou heuri\u0301stico. A questa\u0303o primeira da teoria do conhecimento e\u0301, portanto, metafi\u0301sica: qual e\u0301 a relac\u0327a\u0303o da operac\u0327a\u0303o e da estrutura no ser? (Simondon 2020:567)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EPISTEMOLOGIA ALAGM\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O dever da epistemologia <em>alagma\u0301tica<\/em> e\u0301 determinar a relac\u0327a\u0303o verdadeira entre a estrutura e a operac\u0327a\u0303o no <em>ser<\/em>, e assim, organizar a relac\u0327a\u0303o rigorosa e v\u00e1lida entre o conhecimento estrutural e o conhecimento operato\u0301rio de um ser, entre a <em>cie\u0302ncia anali\u0301tica<\/em> e a <em>cie\u0302ncia analo\u0301gica<\/em>. (Simondon 2020:568-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O INDIV\u00cdDUO ESPA\u00c7O-TEMPORAL como MEIO DO ATO ALAGM\u00c1TICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A <em>cie\u0302ncia anali\u0301tica<\/em>, estrutural, supo\u0303e que um todo e\u0301 reduzi\u0301vel a\u0300 soma de suas partes ou a\u0300 combinac\u0327a\u0303o de seus elementos. A <em>cie\u0302ncia analo\u0301gica<\/em> supo\u0303e, ao contra\u0301rio, que o todo e\u0301 primordial e se expressa por sua operac\u0327a\u0303o, que e\u0301 um funcionamento ho\u0301lico. Ela estabelece as equivale\u0302ncias entre as operac\u0327o\u0303es, isto e\u0301, os funcionamentos ho\u0301licos. Perguntar-se <em>o que e\u0301 o ser<\/em>, e\u0301 perguntar <em>como se articulam o funcionamento, ou seja, o esquematismo ho\u0301lico de um ser, e a estrutura, isto e\u0301, a sistema\u0301tica anali\u0301tica do mesmo ser<\/em>: o esquematismo <em>cronolo\u0301gico<\/em> e a sistema\u0301tica <em>espacial<\/em> sa\u0303o organizados conjuntamente no <em>ser<\/em>. Sua unia\u0303o faz a individualidade, o <em>indivi\u0301duo<\/em> sendo um domi\u0301nio de convertibilidade reci\u0301proca de operac\u0327a\u0303o em estrutura e de estrutura em operac\u0327a\u0303o: o <em>indivi\u0301duo<\/em> e\u0301 a unidade do ser apreendido previamente a toda distinc\u0327a\u0303o ou oposic\u0327a\u0303o de operac\u0327a\u0303o e de estrutura. Ele e\u0301 aquilo em que uma operac\u0327a\u0303o pode se reconverter em estrutura e uma estrutura em operac\u0327a\u0303o; ele e\u0301 o ser previamente a todo conhecimento ou a toda ac\u0327a\u0303o: ele e\u0301 o meio do ato <em>alagma\u0301tico<\/em>. (Simondon 2020:569)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A <em>teoria alagma\u0301tica e\u0301 o estudo do ser indivi\u0301duo<\/em>. Ela organiza e define a relac\u0327a\u0303o da teoria das operac\u0327o\u0303es (ciberne\u0301tica aplicada) e da teoria das estruturas (cie\u0302ncia determinista e anali\u0301tica). (Simondon 2020:569)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O conhecimento da relac\u0327a\u0303o entre a <em>operac\u0327a\u0303o<\/em> e a <em>estrutura<\/em> se estabelece grac\u0327as a uma mediac\u0327a\u0303o entre o esquematismo temporal e a sistema\u0301tica espacial no i<em>ndivi\u0301duo<\/em>. Esta mediac\u0327a\u0303o, esta condic\u0327a\u0303o comum, esta realidade ainda na\u0303o desenvolvida em esquematismo e sistema\u0301tica, em operac\u0327a\u0303o e estrutura, podemos nomea\u0301-la tensa\u0303o interna, ou ainda supersaturac\u0327a\u0303o, ou ainda incompatibilidade. O <em>indivi\u0301duo e\u0301 tensa\u0303o, supersaturac\u0327a\u0303o, incompatibilidade<\/em>. Esta tensa\u0303o, supersaturac\u0327a\u0303o e incompatibilidade, se desenvolve em operac\u0327a\u0303o e em estrutura, em operac\u0327a\u0303o de uma estrutura, se bem que devemos sempre considerar o <em>par<\/em> operac\u0327a\u0303o-estrutura equivalente <em>alagmaticamente<\/em> a\u0300 tensa\u0303o, supersaturac\u0327a\u0303o e incompatibilidade de um indivi\u0301duo. Existem dois estados do indivi\u0301duo: o estado unificado, sincre\u0301tico, isto e\u0301, o estado de tensa\u0303o, e o estado anali\u0301tico, ou seja, o estado de distinc\u0327a\u0303o da operac\u0327a\u0303o e da estrutura. O <em>ato<\/em> e\u0301 a mudanc\u0327a de <em>estado<\/em> do indivi\u0301duo. (Simondon 2020:569-70)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TEORIA ALAGM\u00c1TICA \u00e9 AXIONTOL\u00d3GICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A <em>teoria alagma\u0301tica<\/em> introduz tanto a\u0300 teoria do saber como a\u0300 teoria dos valores. Ela e\u0301 <em>axiontolo\u0301gica<\/em>, pois apreende a reciprocidade do dinamismo axiolo\u0301gico e das estruturas ontolo\u0301gicas. Ela apreende o ser na\u0303o fora do espac\u0327o e do tempo, mas previamente a\u0300 divisa\u0303o em sistema\u0301tica espacial e esquematismo temporal. (Simondon 2020:569)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>AS DUAS PARTES DA ALAGM\u00c1TICA (cristaliza\u00e7\u00e3o e modula\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Existem duas partes na alagma\u0301tica: [&#8230;] 1<sup>a<\/sup>) a teoria da passagem do estado sincre\u0301tico para o estado anali\u0301tico. [&#8230;] 2<sup>a<\/sup>) a teoria da passagem do estado anali\u0301tico para o estado sincre\u0301tico. [&#8230;] Todo ato da primeira espe\u0301cie equivale a um ato da segunda espe\u0301cie. Pode-se nomear <em>cristalizac\u0327a\u0303o<\/em> a primeira espe\u0301cie de ato e <em>modulac\u0327a\u0303o<\/em> a segunda espe\u0301cie. Tomaremos como postulado que toda <em>cristalizac\u0327a\u0303o<\/em> equivale a uma <em>modulac\u0327a\u0303o<\/em> invertida, e reciprocamente. A cristalizac\u0327a\u0303o e\u0301 o ato que, partindo de uma individualidade sincre\u0301tica, transforma-a em uma individualidade anali\u0301tica, composta de uma estrutura espacial (topologia de interioridade e de exterioridade, nascimento de um limite, forma organizada e homoge\u0302nea em um meio tornado amorfo, heterogeneidade esta\u0301vel assegurada pelo limite topolo\u0301gico) e de uma func\u0327a\u0303o operato\u0301ria que se expressa sob a forma de atividade organizada por um esquematismo temporal energe\u0301tico: a <em>cristalizac\u0327a\u0303o<\/em> substitui o estado sincre\u0301tico do <em>indivi\u0301duo individuante<\/em> pelo estado anali\u0301tico do <em>indivi\u0301duo individuado<\/em>, caracterizado em particular pela alteridade mu\u0301tua da forma <em>estrutural<\/em> e do <em>meio material<\/em> no qual ele existe. Ao contra\u0301rio, a <em>modulac\u0327a\u0303o<\/em> faz a si\u0301ntese de uma <em>estrutura<\/em> e de uma <em>operac\u0327a\u0303o<\/em> ao ordenar uma <em>operac\u0327a\u0303o<\/em> temporal de acordo com uma estrutura morfolo\u0301gica: a forc\u0327a de uma operac\u0327a\u0303o e\u0301 ai\u0301 informada por uma <em>forma-sinal<\/em> que governa essa <em>forc\u0327a<\/em>. A <em>desmodulac\u0327a\u0303o<\/em> e\u0301 a ana\u0301lise desse complexo sincre\u0301tico de forma e de forc\u0327a. Toda desmodulac\u0327a\u0303o, ou <em>detecc\u0327a\u0303o<\/em>, que separa a <em>forma<\/em> da <em>forc\u0327a<\/em> que ela informa, e\u0301 uma <em>cristalizac\u0327a\u0303o<\/em>. Ela so\u0301 se produz se a condic\u0327a\u0303o de <em>tensa\u0303o<\/em>, <em>supersaturac\u0327a\u0303o<\/em> e <em>incompatibilidade<\/em> for preenchida. Sena\u0303o a <em>forc\u0327a modulada<\/em> resiste como indivi\u0301duo individuante, sem nunca se analisar em <em>estrutura<\/em> e <em>operac\u0327a\u0303o<\/em>. (Simondon 2020:570) <\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIMONDON, Gilbert. 2020 [1958]. Alagm\u00e1tica. In: A individua\u00e7\u00e3o \u00e0 luz das no\u00e7\u00f5es de forma e de informa\u00e7\u00e3o. (Trads.: Lu\u00eds E.P. Aragon; Guilherme Ivo) S\u00e3o Paulo: Editora 34, p.559-71. ALAGM\u00c1TICA como TEORIA DAS OPERA\u00c7\u00d5ES A alagma\u0301tica e\u0301 a teoria das operac\u0327o\u0303es. (Simondon 2020:559) ALAGM\u00c1TICA e CI\u00caNCIA Na\u0303o se pode designar cada ramo da alagma\u0301tica por um domi\u0301nio objetivo, como estudo da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2613,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[48],"class_list":["post-2612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-simondon"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/GS-CARTE-VOITURE-600-copie.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2612"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2626,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2612\/revisions\/2626"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}