{"id":241,"date":"2021-04-15T17:47:52","date_gmt":"2021-04-15T17:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=241"},"modified":"2021-04-15T17:47:52","modified_gmt":"2021-04-15T17:47:52","slug":"abducao-peirce-1902-1905","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/15\/abducao-peirce-1902-1905\/","title":{"rendered":"Abdu\u00e7\u00e3o (Peirce 1902; 1905)"},"content":{"rendered":"<p>PEIRCE, Charles S. 1974. Confer\u00eancias sobre pragmatismo. (Trad. Armando M. D&#8217;Oliveira; Sergio Pomerangblum) In: <em>Os Pensadores<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, pp.11-66 [1902; 1905]<\/p>\n<p><strong>TR\u00caS TIPOS DE RACIOC\u00cdNIO (dedu\u00e7\u00e3o, indu\u00e7\u00e3o e abdu\u00e7\u00e3o):<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:50)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ABDU\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Abdu\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo para formar hip\u00f3teses explicativas. \u00c9 a \u00fanica opera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica a introduzir id\u00e9ias novas; pois que a indu\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz mais que determinar um valor, e a dedu\u00e7\u00e3o envolve apenas as consequ\u00eancias necess\u00e1rias de uma pura hip\u00f3tese.  [\u2026] Dedu\u00e7\u00e3o prova que algo deve ser; Indu\u00e7\u00e3o mostra que algo atualmente \u00e9 operat\u00f3rio; Abdu\u00e7\u00e3o faz uma mera sugest\u00e3o de que algo pode ser. (Peirce 1974:52)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>N\u00e3o se pode fornecer nenhuma raz\u00e3o para justific\u00e1-la, que eu saiba; mas tamb\u00e9m n\u00e3o precisa, pois s\u00f3 oferece sugest\u00f5es. (Peirce 1974:53)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Tem que se estar completamente louco para negar que a ci\u00eancia fez muitas descobertas verdadeiras. Mas todos os elementos de teoria cient\u00edfica que foram estabelecidos at\u00e9 hoje foram-no atrav\u00e9s da Abdu\u00e7\u00e3o. (Peirce 1974:53)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>NADA DE ERRADO COM A ABDU\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[N]\u00e3o h\u00e1 nada de errado em usar observa\u00e7\u00f5es especiais de maneira puramente abdutiva para lan\u00e7ar luz em doutrinas estabelecidas por outras vias, e auxiliar o esp\u00edrito a entend\u00ea-las. (Peirce 1974:58)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ABDU\u00c7\u00c3O \u00c9 INFER\u00caNCA L\u00d3GICA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Deve ser lembrado que a abdu\u00e7\u00e3o, embora pouco estorvada por regras l\u00f3gicas, \u00e9, n\u00e3o obstante, uma infer\u00eancia l\u00f3gica (Peirce 1974:60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ABDU\u00c7\u00c3O como INFER\u00caNCIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O fato surpreendente C \u00e9 observado; Ora, se A fosse verdade, C seria um fato natural; Assim, h\u00e1 raz\u00e3o para suspeitar que A \u00e9 verdadeiro. (Peirce 1974:60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ABDU\u00c7\u00c3O, INSIGHT e ASSOCIA\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A]s nossas primeiras premissas, os ju\u00edzos perceptivos, devem ser considerados como um caso extremo de infer\u00eancias abdutivas, diferindo delas por se encontrarem absolutamente fora de an\u00e1lise. A inspira\u00e7\u00e3o abdutiva acontece em n\u00f3s num lampejo. \u00c9 um ato de insight, embora extremamente fal\u00edvel. \u00c9 verdade que os elementos da hip\u00f3tese estavam antes em nossa mente; mas \u00e9 a id\u00e9ia de associar o que nunca antes pens\u00e1ramos em associar que faz lampejar a inspira\u00e7\u00e3o abdutiva em n\u00f3s. (Peirce 1974:57)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INSIGHT, INSTINTO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O Insight] [t]em a natureza do Instinto, sendo semelhante aos instintos dos animais no ultrapassar o poder da raz\u00e3o e no sentido de guiar-nos como se estiv\u00e9ssemos de posse de fatos inteiramente fora do alcance dos sentidos. Assemelha-se ao instinto tamb\u00e9m pela reduzida tend\u00eancia ao erro; embora erremos frequentemente, a frequ\u00eancia relativa com que acertamos \u00e9 a coisa mais maravilhosa de nossa constitui\u00e7\u00e3o animal. (Peirce 1974:53)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INSTINTO E RAZ\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:54)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PRAGMATISMO e ABDU\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] problema do pragmatismo \u00e9 o problema da l\u00f3gica da abdu\u00e7\u00e3o. (Peirce 1974:62)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>M\u00c1XIMA DO PRAGMATISMO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A m\u00e1xima do pragmatismo afirma que uma determinada concep\u00e7\u00e3o difere de outra na medida em que possa modificar diferentemente nossa conduta pr\u00e1tica. (Peirce 1974:62)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>JU\u00cdZO PERCEPTIVO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Para mim um ju\u00edzo perceptivo \u00e9 um ju\u00edzo que sou for\u00e7ado a aceitar por processo que escapa ao meu controle e que por isso n\u00e3o posso analisar. (Peirce 1974:49)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LOGOS DO MUNDO EST\u00c9TICO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[U]ma certa teoria da percep\u00e7\u00e3o parece estar inclu\u00edda na percep\u00e7\u00e3o. (Peirce 1974:58)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PERCEP\u00c7\u00c3O:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[T]oda a forma l\u00f3gica do pensamento \u00e9 dada na percep\u00e7\u00e3o. (Peirce 1974:62)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PERCEP\u00c7\u00c3O=\/=REALIDADE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:59)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00c9 NO INTERVALO ENTRE A REALIDADE E NOSSA INTERPRETA\u00c7\u00c3O DA REALIDADE QUE SE INSTALA O JU\u00cdZO PERCEPTIVO\/ABDUTIVO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:59)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>JU\u00cdZO PERCEPTIVO=\/=JU\u00cdZO ABDUTIVO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o somente acho que todo elemento geral da hip\u00f3tese, seja grosseira ou sofisticada, \u00e9 dado na percep\u00e7\u00e3o, como at\u00e9 acho que qualquer forma geral de associar conceitos (&#8230;) \u00e9 fornecida na percep\u00e7\u00e3o. Para decidir se assim \u00e9, imp\u00f5e-se ter uma no\u00e7\u00e3o clara da diferen\u00e7a precisa entre ju\u00edzo abdutivo e perceptivo, que \u00e9 o caso-limite do primeiro. O \u00fanico sintoma para distingui-los \u00e9 que n\u00e3o podemos imaginar o que seria negar um ju\u00edzo perceptivo. [&#8230;] Uma sugest\u00e3o abdutiva, contudo, \u00e9 algo cuja verdade pode ser questionada ou at\u00e9 negada. (Peirce 1974:59-60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>JU\u00cdZO PERCEPTIVO \u00e9 INCONSCIENTE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] ju\u00edzo perceptivo \u00e9 o resultado de um processo, n\u00e3o suficientemente consciente para poder ser controlado, ou, antes, n\u00e3o control\u00e1vel e, portanto, n\u00e3o plenamente consciente. Se tiv\u00e9ssemos que submeter este processo subconsciente \u00e0 an\u00e1lise l\u00f3gica, ver\u00edamos que ele desemboca numa infer\u00eancia abdutiva baseada por seu turno em outra infer\u00eancia abdutiva, e assim <em>ad infinitum<\/em>. A an\u00e1lise efetuada seria an\u00e1loga precisamente \u00e0 do sofisma onde Aquiles persegue a tartaruga e seria incapaz de representar o processo real pela mesma raz\u00e3o. Da mesma forma que Aquiles n\u00e3o \u00e9 obrigado a fazer toda aquela s\u00e9rie de movimentos, assim, no decurso do processo de forma\u00e7\u00e3o dum ju\u00edzo perceptivo (uma vez que \u00e9 subconsciente e inacess\u00edvel \u00e0 an\u00e1lise l\u00f3gica), n\u00e3o t\u00eam por que aparecer aqui atos distintos de infer\u00eancia, ocorrendo apenas um processo cont\u00ednuo. (Peirce 1974:58)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INCONSCIENTE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[N]ossos pensamentos logicamente controlados comp\u00f5em uma pequena parte da mente, mera floresc\u00eancia de um vasto complexo que podemos chamar a mente instintiva, e no qual n\u00e3o se tem f\u00e9, pois isso implica a possibilidade de suspeita, mas sobre o qual \u00e9 edificada, afinal, toda a verdade da l\u00f3gica. (Peirce 1974:65-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ZONA INCONTROLADA DA MENTE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:61)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESCHER:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:58)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CI\u00caNCIA E MAGIA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:53)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TESE DA INCONCEBILIDADE:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PSICOLOGIA =\/= L\u00d3GICA:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:61)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>QUEST\u00d5ES:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>De onde vem a necessidade dedutiva, a probabilidade indutiva ou a expectativa abdut\u00f3ria? (Peirce 1974:62)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EXPERIMENTO (interrogar a natureza):<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>(Peirce 1974:52)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>POL\u00cdCIA DO PENSAMENTO:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os elementos de um conceito penetram no pensamento l\u00f3gico pela porta da percep\u00e7\u00e3o e saem pela porta da a\u00e7\u00e3o intencional; e o que n\u00e3o puder mostrar seus passaportes em ambas as portas deve ser preso como n\u00e3o-autorizado pela raz\u00e3o. (Peirce 1974:66)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PEIRCE, Charles S. 1974. Confer\u00eancias sobre pragmatismo. (Trad. Armando M. D&#8217;Oliveira; Sergio Pomerangblum) In: Os Pensadores. 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