{"id":222,"date":"2021-04-15T17:11:04","date_gmt":"2021-04-15T17:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=222"},"modified":"2021-04-15T17:15:17","modified_gmt":"2021-04-15T17:15:17","slug":"etnometodologia-heritage-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/15\/etnometodologia-heritage-1999\/","title":{"rendered":"Etnometodologia (Heritage 1999)"},"content":{"rendered":"<p>HERITAGE, John C. 1999. Etnometodologia. In: Anthony Giddens; Jonathan Turner (orgs.). <em>Teoria Social Hoje<\/em>. (Trad. Gilson C. Cardoso de sousa) S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, pp.321-92. [1987]<\/p>\n<p><strong>GARFINKEL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>No curso desses estudos ele [Garfinkel] procurou separar a teoria da a\u00e7\u00e3o de sua preocupa\u00e7\u00e3o tradicional com as quest\u00f5es motivacionais e recentr\u00e1-la nas maneiras cognosc\u00edveis pelas quais, quer conscientemente, quer n\u00e3o, os agentes sociais reconhecem, produzem e reproduzem a\u00e7\u00f5es sociais e estruturas sociais. Essa \u00eanfase na cognoscibilidade dos agentes, entretanto, privilegia a descoberta dos modos com que os agentes sociais analisam as suas circunst\u00e2ncias e podem partilhar uma compreens\u00e3o subjetiva dessas mesmas circunst\u00e2ncias. Aqui as pesquisas de Garfinkel vieram a concentrar-se no car\u00e1ter inevitavelmente contextual das compreens\u00f5es corriqueiras, e desse enfoque adveio uma avalia\u00e7\u00e3o das maneiras extraordinariamente complexas e pormenorizadas pelas quais os contextos dos eventos fornecem recursos para a sua interpreta\u00e7\u00e3o. [&#8230;] O novo enfoque requeria ainda que as an\u00e1lises da a\u00e7\u00e3o e do conhecimento fossem plenamente integradas umas \u00e0s outras. Essa integra\u00e7\u00e3o foi realizada pela substitui\u00e7\u00e3o de Garfinkel da abordagem motivacional predominante da an\u00e1lise das a\u00e7\u00f5es sociais por um enfoque procedimental do t\u00f3pico e foi programaticamente resumida em sua recomenda\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a fim de que &#8220;as atividades pelas quais os membros produzem e dirigem conjuntos de ocupa\u00e7\u00f5es cotidianas s\u00e3o id\u00eanticas aos procedimentos dos mesmos membros para tornar esses conjuntos &#8216;explic\u00e1veis'&#8221; (Heritage 1999:323-4)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>GARFINKEL e PARSONS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Entre 1946 e 1952 Garfinkel adestrou-se como soci\u00f3logo sob a orienta\u00e7\u00e3o de Talcott Parsons. (Heritage 1999:324)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INDIFEREN\u00c7A ETNOMETODOL\u00d3GICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em vez de come\u00e7ar com uma vers\u00e3o privilegiada da estrutura social segundo a qual os participantes s\u00e3o tratados como se se orientassem com v\u00e1rios graus de erro, esse procedimento [indiferen\u00e7a etnometodol\u00f3gica] implica que o analista deve suspender todos e quaisquer compromissos com vers\u00f5es privilegiadas da estrutura social &#8211; incluindo as vers\u00f5es adotadas tanto pelo analista quantl pelos participantes &#8211; em favor do estudo de <em>como<\/em> os participantes criam, re\u00fanem, produzem e reproduzem as esturturas sociais para as quais se orientam. Essa \u00e9 a famosa pol\u00edtica da &#8220;indiferen\u00e7a etnometodol\u00f3gica&#8221; [&#8230;] que gerou tantos mal-entendidos e tantas discuss\u00f5es. Na base, ela implica simplesmente o estudo das propriedades sistem\u00e1ticas do racioc\u00ednio pr\u00e1tico e da a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ao mesmo tempo que a absten\u00e7\u00e3o de ju\u00edzos que t\u00eam o efeito de sancion\u00e1-las e solap\u00e1-las. Dentro dos &#8220;par\u00eanteses&#8221; as atividades pr\u00e1ticas e suas propriedades s\u00e3o examinadas com o menor n\u00famero poss\u00edvel de pressuposi\u00e7\u00f5es e da forma mais imparcial poss\u00edvel. (Heritage 1999:332)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A QUEST\u00c3O ETNOMETODOL\u00d3GICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Admitindo-se que existe uma ordem de eventos a ser encontrada, a quest\u00e3o vem a ser a de &#8220;como os homens, isolados mas simultaneamente em estranha comunh\u00e3o, empreendem a tarefa de construir, testar, manter, alterar, validar, questionar e definir uma ordem <em>juntos<\/em>&#8221; (Garfinkel [&#8230;]). (Heritage 1999:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>NORMALIDADE PERCEBIDA DOS EVENTOS (tipicalidade; probabilidade; comparabilidade; textura causal; efic\u00e1cia instrumental; obrigatoriedade moral)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Garfinkel definiu a &#8220;normalidade percebida&#8221; dos eventos por refer\u00eancia aos seguintes aspectos: &#8220;os aspectos <em>formais percebidos<\/em> que os acontecimentos circundantes t\u00eam para aquele que percebe como inst\u00e2ncias de uma classe de eventos, isto \u00e9, <em>tipicalidade<\/em>; suas &#8220;chances&#8221; de ocorr\u00eancia, isto \u00e9, <em>probabilidade<\/em>; sua <em>comparabilidade<\/em> com eventos passados ou futuros; as condi\u00e7\u00f5es de suas ocorr\u00eancias, isto \u00e9, <em>textura causal<\/em>; o lugar num conjunto de rela\u00e7\u00f5es meios-fins, isto \u00e9, <em>efic\u00e1cia instrumental<\/em>; sua necessidade segundo uma ordem natural ou moral, isto \u00e9, <em>obrigatoriedade moral<\/em> (Garfinkel [&#8230;]). (Heritage 1999:333-4, nota 13)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O CASO DO JOGO DA VELHA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>. (Heritage 1999:335)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O JU\u00cdZO DOPADO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O que se perde na formula\u00e7\u00e3o da pessoa &#8220;de ju\u00edzo dopado&#8221; \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o dos atores sociais que usam os seus recursos interpretativos para entender o car\u00e1ter das circunst\u00e2ncias nas quais se encontram e , como parte desse processo, determinar como os cursos de a\u00e7\u00e3o poss\u00edveis ser\u00e3o avaliados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem normativa dos eventos nos quais est\u00e3o enredados. O que se perde, em suma, \u00e9 uma an\u00e1lise da a\u00e7\u00e3o social constru\u00edda em termos daquilo que \u00e9 fundamental para os participantes &#8211; a m\u00fatua inteligibilidade e a responsabilidade moral da a\u00e7\u00e3o. (Heritage 1999:346)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SITUA\u00c7\u00c3O DA A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;contexto&#8221; s\u00e3o elementos mutuamente elaborativos e mutuamente determinativos numa equa\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea que os agentes est\u00e3o continuamente solvendo e re-solvendo para determinar a natureza dos eventos nos quais est\u00e3o colocados. Assim, as &#8220;circunst\u00e2ncias&#8221; de uma a\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser adequadamente analis\u00e1veis como demasiado anteriores a um subsequente conjunto de a\u00e7\u00f5es que elas &#8220;desdobram&#8221;. Como base presum\u00edvel, mas n\u00e3o incorrig\u00edvel, sobre a qual as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o tanto fundamentadas quanto interpretadas, as &#8220;circunst\u00e2ncias&#8221; devem, ao contr\u00e1rio, ser constru\u00eddas como os produtos em desenvolvimento e transforma\u00e7\u00e3o das suas a\u00e7\u00f5es constituintes. (Heritage 1999:347-8)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A] situa\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o \u00e9 tratada como um contexto de atividade essencialmente transform\u00e1vel que \u00e9 inevitavelmente mantido, alterado ou restaurado nos e por meio dos cursos de a\u00e7\u00e3o que convencionalmente se diz ocorrerem &#8220;dentro dela&#8221; mas que, de modo mais realista, se pode dizer que o constituem e o reconstituem num processo cont\u00ednuo de renova\u00e7\u00e3o. (Heritage 1999:355)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>V\u00cdNCULO NORMA-SITUA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em contraste com o modelo normativamente determinista da a\u00e7\u00e3o, [&#8230;] as pesquisas de Garfinkel prop\u00f5em uma an\u00e1lise alternativa que se funda numa no\u00e7\u00e3o da responsabilidade normativa da a\u00e7\u00e3o. Segundo esse ponto de vista, as expectativas dos agentes normativos s\u00e3o tratadas n\u00e3o tanto como reguladoras ou determinantes de a\u00e7\u00f5es, cuja reconhecibilidade seja tida como independente da norma, mas antes como cotadas de um papel constitutivo no reconhecimento, pelos agentes, daquilo em que as a\u00e7\u00f5es consistem. (Heritage 1999:350)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O CAR\u00c1TER VINCULADOR DAS NORMAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[\u00c9] a antecipa\u00e7\u00e3o reflexiva da analisabilidade e da responsabilidade moral dos desvios das normas que inibe a sua produ\u00e7\u00e3o [&#8230;]. Na an\u00e1lise cognitiva das normas desenvolvida por Garfinkel, na qual as conven\u00e7\u00f5es normativas constituem estruturas publicamente dispon\u00edveis para a an\u00e1lise da conduta, a antecipa\u00e7\u00e3o reflexiva do modo como a conduta desviante ser\u00e1 analis\u00e1vel pode, em vez de solapar disposi\u00e7\u00f5es de acordo com as normas, como sustentava Parsons, fornecer ao ator &#8220;boas raz\u00f5es&#8221; para um comportamento normativamente apropriado.  (Heritage 1999:353)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A MANUTEN\u00c7\u00c3O DAS ESTRUTURAS NORMATIVAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em vez de tratar as normas como condutoras do comportamento, as conven\u00e7\u00f5es normativas s\u00e3o explicadas, dentro da vis\u00e3o garfinkeliana, como uma importante fonte dos recursos cognitivos por meio dos quais os conjuntos de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o tornados tanto intelig\u00edveis como moralmente respons\u00e1veis. (Heritage 1999:356)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HERITAGE, John C. 1999. Etnometodologia. In: Anthony Giddens; Jonathan Turner (orgs.). Teoria Social Hoje. (Trad. Gilson C. Cardoso de sousa) S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, pp.321-92. [1987] GARFINKEL No curso desses estudos ele [Garfinkel] procurou separar a teoria da a\u00e7\u00e3o de sua preocupa\u00e7\u00e3o tradicional com as quest\u00f5es motivacionais e recentr\u00e1-la nas maneiras cognosc\u00edveis pelas quais, quer conscientemente, quer n\u00e3o, os agentes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[51],"class_list":["post-222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-heritage"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/heritage_post.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":224,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions\/224"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}