{"id":210,"date":"2021-04-14T19:02:41","date_gmt":"2021-04-14T19:02:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=210"},"modified":"2023-10-02T21:30:53","modified_gmt":"2023-10-02T21:30:53","slug":"educacao-e-sociologia-durkheim-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/14\/educacao-e-sociologia-durkheim-2013\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e Sociologia (Durkheim 2013)"},"content":{"rendered":"<p>DURKHEIM, \u00c9mile. 2013. <em>Educa\u00e7\u00e3o e Sociologia<\/em>. (Trad. Stephania Matousek) Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o, sua natureza e seu papel [1911]<br \/>\nNatureza e m\u00e9todo da Pedagogia [1911]<br \/>\nPedagogia e Sociologia [1902]<\/p>\n<p><strong>:::::::::: INTRODU\u00c7\u00c3O: A OBRA PEDAG\u00d3GICA DE DURKHEIM<\/strong><\/p>\n<p><strong>DURKHEIM INDIVIDUALISTA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Se existiu um homem que foi um indiv\u00edduo, uma pessoa, com tudo o que o termo implica de originalidade criadora e resist\u00eancia aos arrebatamentos coletivos, este homem foi Durkheim. E a sua doutrina moral corresponde tanto ao seu pr\u00f3prio car\u00e1ter que n\u00e3o seria paradoxal dar a esta doutrina o nome de individualismo. Seu primeiro livro, <em>A divis\u00e3o do trabalho social<\/em>, prop\u00f5e toda uma filosofia da hist\u00f3ria na qual a g\u00eanese, a diferencia\u00e7\u00e3o e a liberta\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo surgem como o tra\u00e7o mais marcante do progresso da civiliza\u00e7\u00e3o; a exalta\u00e7\u00e3o da pessoa humana, como o seu resultado atual. E esta filosofia da hist\u00f3ria culmina na seguinte regra moral: destaque-se, seja uma pessoa. Como, ent\u00e3o, tal doutrina poderia enxergar na educa\u00e7\u00e3o um processo qualquer de despersonaliza\u00e7\u00e3o? Se criar uma pessoa constitui atualmente o objetivo da educa\u00e7\u00e3o, e se educar consiste em socializar, vamos, portanto, concluir que, <strong>segundo Durkheim, \u00e9 poss\u00edvel individualizar socializando<\/strong>. Este \u00e9, no fundo, o seu pensamento. (Fauconnet 2013:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A ESSENCIA DO PENSAMENTO DE DURKHEIM EST\u00c1 EM SUA AN\u00c1LISE DA EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>E \u00e9 preciso dizer aos soci\u00f3logos que \u00e9 na an\u00e1lise da educa\u00e7\u00e3o de Durkheim que eles perceber\u00e3o melhor a ess\u00eancia do seu pensamento sobre as rela\u00e7\u00f5es da sociedade e do indiv\u00edduo e o papel dos indiv\u00edduos de elite no progresso social. (Fauconnet 2013:16)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIAL x INDIVIDUAL\/PSICOL\u00d3GICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Fauconnet 2013:18)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIOLOGIA EDUCACIONAL (sociologia &#8220;da&#8221;, &#8220;na&#8221;, ou &#8220;a servi\u00e7o da&#8221; escola)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>H\u00e1 [&#8230;], de um lado, uma orienta\u00e7\u00e3o mais ou menos incerta no sentido do estudo sociol\u00f3gico da educa\u00e7\u00e3o, tal como Durkheim a concebe, e, do outro lado, um sistema de Educa\u00e7\u00e3o que se preocupa mais especificamente em preparar o homem para a vida social, formar o cidad\u00e3o: <em>Staatsb\u00fcrgenliche Erziehung<\/em> [educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica], como Kerchensteiner o chama. A ideia americana de <em>Educational Sociology<\/em> se aplica de maneira confusa ao estudo sociol\u00f3gico da educa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da Sociologia nas salas de aula, como mat\u00e9ria de ensino. A Ci\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o, definida por Durkheim, \u00e9 sociol\u00f3gica, em uma acep\u00e7\u00e3o bem mais clara do termo. (Fauconnet 2013:19)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FATOS SOCIAIS EDUCACIONAIS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Nada pode ser mais contr\u00e1rio aos h\u00e1bitos do soci\u00f3logo do que dizer de entrada: &#8220;vejam como se deve educar as crian\u00e7as&#8221;, fazendo t\u00e1bula rasa da educa\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 realmente oferecida. Estruturas escolares, programas de ensino, m\u00e9todos, tradu\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, tend\u00eancias, ideias e ideais dos professores s\u00e3o fatos, cujas origens e evolu\u00e7\u00f5es a Pedagogia busca descobrir, longe de pretender mudar estes fatos. (Fauconnet 2013:20)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PRAGMATISMO PSICOSSOCIOL\u00d3GICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Saber para prever e prover, j\u00e1 dizia Augusto Comte, da ci\u00eancia positiva. De fato, quanto mais bem conhecemos a natureza das coisas, mais chances temos de utiliz\u00e1-la com efic\u00e1cia. O educador \u00e9 obrigado, por exemplo, a governar a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Ningu\u00e9m pode negar que ele a governar\u00e1 melhor se conhecer a natureza dela mais exatamente. (Fauconnet 2013:20-1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PRAXEOLOGIA DURKHEIMIANA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nem absolutamente flex\u00edveis e nem absolutamente refrat\u00e1rias a toda modifica\u00e7\u00e3o deliberada. Adapt\u00e1-las com prud\u00eancia aos seus pap\u00e9is respectivos, adapt\u00e1-las umas \u00e0s outras e cada uma delas \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o na qual se incorporam constitui um belo campo de a\u00e7\u00e3o para uma <em>pol\u00edtica<\/em> racional e, quando se trata de institui\u00e7\u00f5es educativas, para uma <em>pedagogia<\/em> racional, ou seja, uma pedagogia que n\u00e3o seja nem conservadora e nem revolucion\u00e1ria, <strong>eficaz <\/strong>dentro dos limites em que a a\u00e7\u00e3o deliberada do homem pode ser eficaz. (Fauconnet 2013:21)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma] mat\u00e9ria resistente que n\u00e3o se deixa manipular <strong>arbitrariamente<\/strong>: meio social, institui\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, tradi\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias coletivas. (Fauconnet 2013:)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Durkheim dava a maior import\u00e2ncia, n\u00e3o somente enquanto intelectual, mas tamb\u00e9m como cidad\u00e3o, a esta concep\u00e7\u00e3o racionalista da a\u00e7\u00e3o. Embora fosse hostil \u00e0 agita\u00e7\u00e3o reformista, que perturba sem melhorar nada, sobretudo nas reformas negativas, que destroem sem propor algo novo, ele carregava a a\u00e7\u00e3o nas veias. No entanto, <strong>para que a a\u00e7\u00e3o fosse f\u00e9rtil<\/strong>, ele sustentava que ela deveria envolver aquilo que \u00e9 poss\u00edvel, limitado, definido, determinado nas condi\u00e7\u00f5es sociais em que ela se exercer. (Fauconnet 2013:22)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A VERDADE SOCIAL DA RELIGI\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A] religi\u00e3o exprime, do seu modo, atrav\u00e9s de uma linguagem simb\u00f3lica, coisas verdadeiras. N\u00e3o se deve perder estas verdades junto com os s\u00edmbolos que s\u00e3o rejeitados; \u00e9 preciso reencontr\u00e1-las, projetando-as no plano do pensamento laico. (Fauconnet 2013:23)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESP\u00cdRITO DE DISCIPLINA DOS FRANCESES<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O esp\u00edrito de disciplina \u00e9 ao mesmo tempo a ci\u00eancia da e a simpatia pela regularidade e limita\u00e7\u00e3o dos desejos. Ele implica o respeito da regra, que obriga o indiv\u00edduo a inibir impulsos e se esfor\u00e7ar. Por que a vida social exige regularidade, limita\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o? Al\u00e9m disso, como o indiv\u00edduo consegue, afinal, aceitar estas penosas exig\u00eancias, condi\u00e7\u00f5es para a sua pr\u00f3pria felicidade? Responder a estas perguntas equivale a dizer qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da disciplina. Como a sociedade pode estar apta a impor a disciplina e, principalmente, despertar no indiv\u00edduo o sentimento do respeito devido \u00e0 autoridade de um imperativo categ\u00f3rico, que surge como transcendente? Responder a esta pergunta equivale a refletir sobre a natureza da disciplina e seu fundamento racional. Enfim, por que a regra pode e deve ser concebida como independente de qualquer simbolismo religioso e mesmo metaf\u00edsico? O que esta laiciza\u00e7\u00e3o da disciplina modifica no pr\u00f3prio conte\u00fado da ideia de disciplina, naquilo que ela exige e permite? Aqui, associamos a natureza e fun\u00e7\u00e3o da disciplina, n\u00e3o mais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o em geral, mas \u00e0quelas espec\u00edficas da exist\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o em que vivemos. E buscamos saber se o esp\u00edrito de disciplina que pertence a n\u00f3s, franceses, \u00e9 realmente tudo aquilo que ele deve ser, se n\u00e3o est\u00e1 patologicamente enfraquecido, e como a educa\u00e7\u00e3o, respeitando os seus caracteres pr\u00f3prios, pode melhorar a nossa moralidade nacional. (Fauconnet 2013:25-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ENTRE A COER\u00c7\u00c3O E A SEDU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[J]\u00e1 quiseram afirmar que, segundo ele [Durkheim], a <strong>coer\u00e7\u00e3o <\/strong>era a \u00fanica a\u00e7\u00e3o que a sociedade exercia sobre o indiv\u00edduo. Sua verdadeira doutrina \u00e9 infinitamente mais compreens\u00edvel, e talvez n\u00e3o haja nenhuma filosofia moral que se assemelhe a ela neste ponto. Ele demonstrou muito bem, por exemplo, que as for\u00e7as morais, que compelem e mesmo agridem a natureza animal do homem, tamb\u00e9m exercem neste \u00faltimo uma atra\u00e7\u00e3o, uma <strong>sedu\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00c9 a estes dois aspectos do fato moral que ambas as no\u00e7\u00f5es de dever e de bem respondem. (Fauconnet 2013:27)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A CI\u00caNCIA LIBERTA (evangelho praxeol\u00f3gico)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A autonomia \u00e9 a atitude de uma consci\u00eancia que aceita as regras porque reconhece que elas sejam racionalmente fundamentadas. Ela sup\u00f5e a aplica\u00e7\u00e3o livre, por\u00e9m met\u00f3dica, da intelig\u00eancia no exame das regras j\u00e1 prontas que a crian\u00e7a recebe primeiro da sociedade na qual ela est\u00e1 crescendo. Longe de aceit\u00e1-las passivamente, a crian\u00e7a deve pouco a pouco aprender a anim\u00e1-las, concili\u00e1-las, eliminar ou reformar seus elementos obsoletos para adapt\u00e1-los \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia cambiantes da sociedade da qual ela acba se tornando um membro ativo. Durkheim diz que \u00e9 a ci\u00eancia que confere autonomia. Somente ela ensina a reconhecer o que \u00e9 fundamentado na natureza das coisas &#8211; natureza f\u00edsica, mas tamb\u00e9m moral. Somente ela ensina a reconhecer o que \u00e9 inelut\u00e1vel, modific\u00e1vel, normal, quais s\u00e3o afinal os limites da a\u00e7\u00e3o eficaz para melhorar a natureza, tanto f\u00edsica quanto moral. Deste ponto de vista, todo ensino tem um destino moral, desde o ensino das ci\u00eancias cosmol\u00f3gicas at\u00e9 (e sobretudo) o ensino do pr\u00f3prio homem, pela Hist\u00f3ria e Sociologia. (Fauconnet 2013:28)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FORMA e CONTE\u00daDO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Junto com tantos grandes pedagogos, Durkheim recomenda [&#8230;], o que chamamos, atrav\u00e9s de um termo b\u00e1rbaro, de cultura <strong>formal<\/strong>: formar o esp\u00edrito, e n\u00e3o preench\u00ea-lo. [&#8230;] A mem\u00f3ria, a aten\u00e7\u00e3o e a faculdade de associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o disposi\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas na crian\u00e7a, que se desenvolvem quando exercitadas e somente no contexto da <strong>experi\u00eancia individual<\/strong>, seja qual for o objeto ao qual estas faculdades se aplicarem. As id\u00e9ias diretrizes elaboradas pela nossa civiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, <strong>ideias coletivas <\/strong>que devem ser transmitidas \u00e0 crian\u00e7a, pois ela n\u00e3o saberia elabor\u00e1-las sozinha. Ningu\u00e9m reinventa a ci\u00eancia com a sua experi\u00eancia pr\u00f3pria, j\u00e1 que ela \u00e9 social, e n\u00e3o individual, e j\u00e1 que ela se aprende. Sem d\u00favida, ela n\u00e3o \u00e9 transvasada de uma mente para outra: \u00e9 o pr\u00f3prio vaso, ou seja, a intelig\u00eancia, que se deve modelar pela e a partir da ci\u00eancia. Assim, embora as ideias diretrizes sejam formais, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transmiti-las vazias. (Fauconnet 2013:31-2)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A NO\u00c7\u00c3O DE TEMPO HIST\u00d3RICO e a EFIC\u00c1CIA DO ENSINO DE HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A hist\u00f3ria \u00e9 o desenvolvimento temporal de sociedades humanas. Mas este tempo ultrapassa infinitamente os tempos que o indiv\u00edduo conhece, os tempos que ele vivencia diretamente. A hist\u00f3ria n\u00e3o pode fazer sentido para uma mente que n\u00e3o possua uma certa representa\u00e7\u00e3o deste tempo hist\u00f3rico; um bom intelecto \u00e9, notavelmente, um intelecto que a possua. Ora, sozinha, a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 capaz de construir esta representa\u00e7\u00e3o, cujos elementos n\u00e3o lhe s\u00e3o fornecidos nem pela sensa\u00e7\u00e3o e nem pela mem\u00f3ria individual. Portanto, \u00e9 preciso ajud\u00e1-la a constru\u00ed-la. Na verdade, esta \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es que o ensino de Hist\u00f3ria desempenha. Mas ele a desempenha, pode-se dizer, involuntariamente. [&#8230;] Um dos resultados essenciais do ensino da Hist\u00f3ria \u00e9, portanto, mais ou menos obtido, de fato, sem ser claramente percebido nem intencionado. Ora, a brevidade da Educa\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria exige que se busque alcan\u00e7ar os objetivos sem rodeios, se esta Educa\u00e7\u00e3o quiser ser plenamente eficaz. (Fauconnet 2013:32-4)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>:::::::::: A EDUCA\u00c7\u00c3O, SUA NATUREZA E SEU PAPEL<\/strong><\/p>\n<p><strong>DEFINI\u00c7\u00c3O INTERACIONISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em fun\u00e7\u00e3o de seus procedimentos e resultados, a a\u00e7\u00e3o das coisas sobre os homens difere muito da que prov\u00e9m dos pr\u00f3prios homens; e a a\u00e7\u00e3o entre homens pertencentes \u00e0 mesma faixa et\u00e1ria difere da que os adultos exercem sobre os mais jovens. O que nos interessa aqui \u00e9 somente esta \u00faltima, \u00e0 qual, por conseguinte, conv\u00e9m reservar a palavra educa\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:43)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Para que haja educa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso que uma gera\u00e7\u00e3o de adultos e uma de jovens se encontrem face a face e que uma a\u00e7\u00e3o seja exercida pelos primeiros sobre os segundos. Resta-nos definir a natureza desta a\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:50)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><em>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o exercida pelas gera\u00e7\u00f5es adultas sobre aquelas que ainda n\u00e3o est\u00e3o maduras para a vida social. Ela tem como objetivo suscitar e desenvolver na crian\u00e7a um certo n\u00famero de estados f\u00edsicos, intelectuais e morais exigidos tanto pelo conjunto da sociedade pol\u00edtica quanto pelo meio espec\u00edfico ao qual ela est\u00e1 destinada em particular<\/em>. (Durkheim 2013:53-4)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A] educa\u00e7\u00e3o consiste em uma socializa\u00e7\u00e3o met\u00f3dica das novas gera\u00e7\u00f5es. (Durkheim 2013:54)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DIVIS\u00c3O DO TRABALHO SOCIAL e A ESPECIALIZA\u00c7\u00c3O EDUCACIONAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o podemos nem devemos todos nos devotar ao mesmo g\u00eanero de vida; dependendo das nossas aptid\u00f5es, temos fun\u00e7\u00f5es diferentes a desempenhar, e \u00e9 preciso estar em harmonia com aquela que nos incumbe. Nem todos n\u00f3s fomos feitos para refletir; s\u00e3o precisos homens de sensa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Sem d\u00favida, essa especializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclui uma certa base comum e, por conseguinte, uma certa oscila\u00e7\u00e3o tanto das fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas quanto das ps\u00edquicas (Durkheim 2013:44-5)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[C]ada profiss\u00e3o constitui um meio <strong>sui generis<\/strong> que demanda aptid\u00f5es e conhecimentos espec\u00edficos, um meio no qual predominam certas ideias, usos e maneiras de ver as coisas; e, j\u00e1 que a crian\u00e7a deve estar preparada com vistas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 levada a cumprir, a educa\u00e7\u00e3o, a partir de determinada idade, n\u00e3o pode mais continuar a mesma para todos os sujeitos aos quais ela se aplicar. (Durkheim 2013:51)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Para encontrar uma educa\u00e7\u00e3o absolutamente homog\u00eanea e igualit\u00e1ria, \u00e9 preciso voltar no tempo at\u00e9 as sociedades pr\u00e9-hist\u00f3ricas, no meio das quais n\u00e3o existia nenhuma diferencia\u00e7\u00e3o; e ainda assim estes tipos de sociedades representam apenas um momento l\u00f3gico na hist\u00f3ria da humanidade. (Durkheim 2013:51)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PARA AL\u00c9M DO ORGANISMO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Esperamos da vida outra coisa al\u00e9m do funcionamento mais ou menos normal de nossos \u00f3rg\u00e3os. (Durkheim 2013:45)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O FATO SOCIAL EDUCACIONAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>De que adianta imaginar uma educa\u00e7\u00e3o que seria fatal para a sociedade que a colocasse em pr\u00e1tica? (Durkheim 2013:47)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[U]m conjunto de pr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es que se organizaram lentamente ao longo do tempo, que s\u00e3o solid\u00e1rias com todas as outras institui\u00e7\u00f5es sociais, exprimindo-as, e que, por conseguinte, bem como a pr\u00f3pria estrutura da sociedade, n\u00e3o podem ser modificadas \u00e0 vontade. (Durkheim 2013:47)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[Sistemas educacionais s\u00e3o] realidades existentes, as quais ele  [o reformista social] n\u00e3o pode nem criar, nem destruir, nem transformar \u00e0 vontade. Ele s\u00f3 pode influenci\u00e1-las na medida em que aprender a conhec\u00ea-las e souber qual \u00e9 a sua natureza e as condi\u00e7\u00f5es das quais elas dependem; e s\u00f3 conseguir\u00e1 saber tudo isto se seguir o seu exemplo, se come\u00e7ar a observ\u00e1-las, como o f\u00edsico o faz com a mat\u00e9ria bruta, e o biologista, com os seres vivos. (Durkheim 2013:49)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O IMPERATIVO DA NORMALIDADE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> n\u00e3o podemos educar nossos filhos como quisermos, ignorar o peso da tradi\u00e7\u00e3o e h\u00e1bitos herdados. (Durkheim 2013:48)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>M\u00c9TODO DURKHEIMIANO PARA DEFINIR EDUCA\u00c7\u00c3O (1-estudo hist\u00f3rico dos sistemas educativos que j\u00e1 existiram; 2- an\u00e1lise comparativa de suas rela\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:49)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MORALIDADE E EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o h\u00e1 povo em que n\u00e3o exista certo n\u00famero de ideias, sentimentos e pr\u00e1ticas que a educa\u00e7\u00e3o deve inculcar em todas as crian\u00e7as sem distin\u00e7\u00e3o, seja qual for a categoria social \u00e0 qual elas pertencem. (Durkheim 2013:51)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O IDEAL (a fun\u00e7\u00e3o) DA EDUCA\u00c7\u00c3O (organizar os \u00f3rg\u00e3os)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A fun\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ] \u00e9 suscitar na crian\u00e7a: 1o) um certo n\u00famero de estados f\u00edsicos e mentais que a sociedade \u00e0 qual ela pertence exige de todos os seus membros; 2o) certos estados f\u00edsicos e mentais que o grupo social espec\u00edfico (casta, classe, fam\u00edlia, profiss\u00e3o) tamb\u00e9m considera como obrigat\u00f3rios em todos aqueles que o formam. Assim, \u00e9 o conjunto da sociedade e cada meio social espec\u00edfico que determinam este ideal que a educa\u00e7\u00e3o realiza. (Durkheim 2013:52-3)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[P]ara a sociedade, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas o modo pelo qual ela prepara no cora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as as condi\u00e7\u00f5es essenciais de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. (Durkheim 2013:53)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O SER INDIVIDUAL, O SER SOCIAL E A EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em cada um de n\u00f3s, pode-se dizer, existem dois seres que, embora sejam insepar\u00e1veis &#8211; a n\u00e3o ser por abstra\u00e7\u00e3o -, n\u00e3o deixam de ser distintos. Um \u00e9 composto de todos os estados mentais que dizem respeito apenas a n\u00f3s mesmos e aos acontecimentos de nossa vida pessoal: \u00e9 o que se poderia chamar de ser individual. O outro \u00e9 um sistema de ideias, sentimentos e h\u00e1bitos que exprimem em n\u00f3s n\u00e3o a nossa personalidade, mas sim o grupo ou os grupos diferentes dos quais fazemos parte; tais como as cren\u00e7as religiosas, as cren\u00e7as e pr\u00e1ticas morais, as tradi\u00e7\u00f5es nacionais ou profissionais e as opini\u00f5es coletivas de todo tipo. Este conjunto forma o ser social. Constituir este ser em cada um de n\u00f3s \u00e9 o objetivo da educa\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:54)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O LADO NEGRO DA PEDAGOGIA DURKHEIMIANA (crian\u00e7a como tabula rasa ego\u00edsta e associal, hipnotizada pela educa\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Espontaneamente, o homem n\u00e3o tinha tend\u00eancia a se submeter a uma autoridade pol\u00edtica, respeitar uma disciplina moral, dedicar-se e sacrificar-se. A nossa natureza cong\u00eanita n\u00e3o apresentava nada que nos predispusesse necessariamente a nos tornarmos servidores de divindades, emblemas simb\u00f3licos da sociedade, a lhes prestarmos culto ou a nos privarmos para honr\u00e1-las. Foi a pr\u00f3pria sociedade que, \u00e0 medida que ia se formando e se consolidando, tirou do seu seio estas grandes for\u00e7as morais, diante das quais o homem sentiu a sua inferioridade. Ora, com exce\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias vagas e incertas que podem ser atribu\u00eddas \u00e0 hereditariedade, ao entrar na vida, a crian\u00e7a traz apenas a sua natureza de indiv\u00edduo. Portanto, a cada nova gera\u00e7\u00e3o, a sociedade se encontra em presen\u00e7a de uma t\u00e1bula quase rasa sobre a qual ela deve construir novamente. \u00c9 preciso que, pelos meios mais r\u00e1pidos, ela substitua o ser ego\u00edsta e associal que acaba de nascer por um outro capaz de levar uma vida moral e social. Esta \u00e9 a obra da educa\u00e7\u00e3o, cuja grandeza podemos reconhecer.  (Durkheim 2013:54-5)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A\u00c7\u00c3O EDUCATIVA = SUGEST\u00c3O HIPN\u00d3TICA (Durkheim 2013:68-9)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>CRIAN\u00c7A ANTISSOCIAL \u00c9 DOMINADA PELA AUTORIDADE DO DEVER MORAL (Durkheim 2013:71)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A crian\u00e7a deve, portanto, estar acostumada a reconhecer a autoridade na palavra do educador e a respeitar a sua superioridade. Esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para que mais tarde ela a reencontre em sua consci\u00eancia e acate o que ela prescrever. (Durkheim 2013:73)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A EDUCA\u00c7\u00c3O EST\u00c1 PARA O HUMANO COMO A HEREDITARIEDADE EST\u00c1 PARA O ANIMAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Esta virtude criadora [da educa\u00e7\u00e3o] \u00e9, ali\u00e1s, um privil\u00e9gio espec\u00edfico da educa\u00e7\u00e3o humana. A que os animais recebem \u00e9 completamente diferente, se \u00e9 que podemos chamar de educa\u00e7\u00e3o o treinamento progressivo ao qual eles s\u00e3o submetidos por seus pais. Este treinamento bem pode acelerar o desenvolvimento de certos instintos que est\u00e3o latentes no animal, mas n\u00e3o o inicia a um anova vida. Ele facilita o movimento das fun\u00e7\u00f5es naturais, mas n\u00e3o cria nada. Instru\u00eddo pela m\u00e3e, o filhote saber\u00e1 voar ou fazer o ninho de forma mais r\u00e1pida, mas n\u00e3o aprender\u00e1 quase ada a n\u00e3o se atrav\u00e9s de sua experi\u00eancia individual. \u00c9 que os animais ou vivem fora de todo estado social ou forma sociedades bastante simples, que funcionam a partir de mecanismos instintivos que cdea indiv\u00edduo carrega consigo perfeitamente constitu\u00eddos desde o nascimento. Portanto, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode acrescentar nada de essencial \u00e0 natureza, visto que esta \u00faltima \u00e9 inteiramente suficiente, tanto para a vida do grupo quanto para a do indiv\u00edduo. No homem, ao contr\u00e1rio, as aptid\u00f5es de todo tipo que a vida social sup\u00f5e s\u00e3o complexas demais para poderem, de certo modo, encarnar-se nos tecidos e materializar-se sob a forma de predisposi\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas. Por conseguinte, elas n\u00e3o podem ser transmitidas de uma gera\u00e7\u00e3o para a outra atrav\u00e9s da hereditariedade. \u00c9 a educa\u00e7\u00e3o que garante a transmiss\u00e3o. (Durkheim 2013:55-6)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[S]e tudo o que a sociedade deu ao homem lhe fosse retirado, ele seria reduzido \u00e0 categoria do animal (Durkheim 2013:60)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O HERDADO E O ADQUIRIDO (tecidos org\u00e2nicos&#8230;)(Durkheim 2013:66-7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MITO PRAGM\u00c1TICO DE SOCIOG\u00caNESE DA CI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Como j\u00e1 dizia Rousseau, para satisfazer \u00e0s necessidades vitais, a sensa\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia e o instinto podiam bastar para o homem assim como para o animal. Se o homem n\u00e3o tivesse sentido outras necessidades al\u00e9m daquelas, bastante simples, cujas ra\u00edzes prov\u00eam de sua constitui\u00e7\u00e3o individual, ele n\u00e3o teria corrido atr\u00e1s da ci\u00eancia; ainda mais que ela n\u00e3o foi obtida sem laboriosos e dolorosos esfor\u00e7os. Ele s\u00f3 sentiu a sede do saber quando a sociedade a provocou nele, e a sociedade s\u00f3 a provocou quando ela mesma sentiu esta necessidade. Isto aconteceu quando a vida social, sob todas as suas formas, tornou-se complexa demais para poder funcionar de outra forma a n\u00e3o ser com base na reflex\u00e3o, ou seja, no pensamento iluminado pela ci\u00eancia. A cultura cient\u00edfica se tornou ent\u00e3o indispens\u00e1vel, e \u00e9 por isto que a sociedade a exige de seus membros e a imp\u00f5e como um dever. Entretanto, em suas origens, enquanto a organiza\u00e7\u00e3o social for bastante simples, muito pouco variada e sempre fiel a si mesma, a cega tradi\u00e7\u00e3o bastar\u00e1, assim como o instinto para o animal. Neste contexto, o racioc\u00ednio e o livre pensamento s\u00e3o in\u00fateis e at\u00e9 perigosos, j\u00e1 que necessariamente amea\u00e7ariam a tradi\u00e7\u00e3o. \u00e9 por isto que eles s\u00e3o proscritos. (Durkheim 2013:57)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>\u00c9 a ci\u00eancia que elabora as no\u00e7\u00f5es cardeais que dirigem o nosso pensamento: no\u00e7\u00f5es de causa, leis, espa\u00e7o, n\u00famero, corpos, vida, consci\u00eancia, sociedade, etc. Todas estas ideias fundamentais est\u00e3o em constante evolu\u00e7\u00e3o: \u00e9 que elas s\u00e3o o resumo e o resultado de todo o resultado cient\u00edfico, e n\u00e3o o seu ponto de partida (Durkheim 2013:)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A] ci\u00eancia \u00e9 obra coletiva, visto que sup\u00f5e uma vasta coopera\u00e7\u00e3o entre todos os s\u00e1bios n\u00e3o somente de um mesmo per\u00edodo, como tamb\u00e9m de todas as \u00e9pocas sucessivas da hist\u00f3ria. &#8211; Antes de as ci\u00eancias estarem constitu\u00eddas, a religi\u00e3o desempenhava o mesmo papel, pois toda mitologia consiste em uma representa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 bastante elaborada, do homem e do universo. Ali\u00e1s, a ci\u00eancia \u00e9 herdeira da religi\u00e3o, que, por sua vez, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o social. (Durkheim 2013:59-60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A MORAL SOCIAL-PEDAG\u00d3GICA DE DURKHEIM<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] novo ser que a a\u00e7\u00e3o coletiva edifica em cada um de n\u00f3s atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o representa o que h\u00e1 de melhor em n\u00f3s, ou seja, o que h\u00e1 de propriamente humano em n\u00f3s. De fato, o homem s\u00f3 \u00e9 homem porque vive em sociedade. (Durkheim 2013:58)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Antes de tudo, se existe hoje um fato historicamente estabelecido, \u00e9 o fat de que a moral cultiva estreitas rela\u00e7\u00f5es com a natureza das sociedades, visto que, como j\u00e1 mostramos antes, ela muda quando as sociedades mudam. Isto significa, portanto, que a moral resulta da vida em comum. De fato, e a sociedade que nos faz sair de n\u00f3s mesmos, que nos obriga a considerar interesses diferentes dos nossos, que nos ensinou a dominar os nossos \u00edmpetos e instintos, a sujeit\u00e1-los a leis, a nos reprimir, privar, sacrificar, subordinar os nossos fins pessoais a fins mais elevados. Foi a sociedade que instituiu nas nossas consci\u00eancias todo o sistema de representa\u00e7\u00e3o que alimenta em n\u00f3s a ideia e o sentimento da regra e da disciplina, tanto internas quanto externas. Foi assim que adquirimos o poder de resistir a n\u00f3s mesmos, ou seja, o dom\u00ednio sobre as nossas vontades, um dos tra\u00e7os marcantes da fisionomia humana, desenvolvido \u00e0 medida que nos tornamos mais plenamente humanos. (Durkheim 2013:59)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Ao querer a sociedade, o indiv\u00edduo quer a si mesmo. O objetivo e o efeito da a\u00e7\u00e3o que ela exerce sobre ele, principalmente atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o nem um pouco reprimi-lo, diminu\u00ed-lo, desnatur\u00e1-lo, mas sim amplific\u00e1-lo e transform\u00e1-lo em um ser verdadeiramente humano. Sem d\u00favida, ele s\u00f3 pode crescer desta forma fazendo esfor\u00e7o. Mas, justamente, o poder de fazer esfor\u00e7o de modo volunt\u00e1rio \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais essenciais do homem. (Durkheim 2013:61)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[J]\u00e1 h\u00e1 desde agora, na base da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, um certo n\u00famero de princ\u00edpios que, impl\u00edcita ou explicitamente, s\u00e3o comuns a todos, princ\u00edpios que, em todo caso, muito poucos ousam negar de forma aberta e frontal: respeito da raz\u00e3o, da ci\u00eancia e das ideias e sentimentos que sustentam a moral democr\u00e1tica. O papel do Estado consiste em identificar estes princ\u00edpios essenciais, fazer com que eles sejam ensinados nas escolas, garantir que em lugar algum os adultos deixem as crian\u00e7as ignor\u00e1-los e certificar-se de que por toda parte se fale deles com o respeito que lhes \u00e9 devido. Sendo assim, pode-se exercer uma a\u00e7\u00e3o que talvez ser\u00e1 tanto mais eficaz quanto menos agressiva e violenta for e quanto melhor se mantiver dentro de limites sensatos. (Durkheim 2013:64-5)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LINGUAGEM como FATO SOCIAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:60)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O ESTADO E A EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Uma vez que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o essencialmente social, o Estado n\u00e3o pode se desinteressar dela. Pelo contr\u00e1rio, tudo o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o deve ser, em certa medida, submetido \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o. [&#8230;] N\u00e3o \u00e9 nem mesmo admiss\u00edvel que a fun\u00e7\u00e3o de educador seja desempenhada por algu\u00e9m que n\u00e3o apresente garantias espec\u00edficas que somente o Estado pode julgar. Sem d\u00favida, os limites dentro dos quais a sua interven\u00e7\u00e3o deve se manter s\u00e3o dif\u00edceis de se determinar de modo definitivo, mas o princ\u00edpio de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser contestado. N\u00e3o h\u00e1 escola que possa reivindicar o direito de dar, com toda liberdade, uma Educa\u00e7\u00e3o antissocial. (Durkheim 2013:63)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INSTINTO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] instinto \u00e9 um sistema de movimentos determinados que s\u00e3o sempre id\u00eanticos e que, uma vez estimulados pela sensa\u00e7\u00e3o, encadeiam-se automaticamente uns aos outros at\u00e9 chegarem ao seu t\u00e9rmino natural, sem que a reflex\u00e3o possa intervir em algum momento. Ora, os movimentos que executamos quando nossa vida est\u00e1 em perigo [como no suposto &#8220;instinto de sobreviv\u00eancia&#8221;] n\u00e3o apresentam absolutamente esta determina\u00e7\u00e3o e invariabilidade autom\u00e1tica. Eles mudam de acordo com as situa\u00e7\u00f5es, e n\u00f3s os adaptamos \u00e0s circunst\u00e2ncias. [&#8230;] S\u00e3o for\u00e7as que incitam em determinada dire\u00e7\u00e3o, mas os meios pelos quais estas for\u00e7as se concretizam mudam de um indiv\u00edduo para o outro e de uma ocasi\u00e3o para a outra. Existe, portanto, uma grande margem de manobra para as tentativas, adapta\u00e7\u00f5es pessoais e, por conseguinte, para a a\u00e7\u00e3o de fatores que s\u00f3 podem exercer influ\u00eancia depois do nascimento. Ora, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um destes fatores. (Durkheim 2013:66)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O PAPEL DA AUTORIDADE NA EDUCA\u00c7\u00c3O (pais)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A] educa\u00e7\u00e3o deve ser, em sua ess\u00eancia, uma quest\u00e3o de autoridade. (Durkheim 2013:70)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A liberdade \u00e9 filha da autoridade bem aplicada, pois ser livre n\u00e3o significa fazer o que bem entender, mas sim ter autocontrole e saber agir guiado pela raz\u00e3o e cumprir o seu dever. (Durkheim 2013:73)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>:::::::::: NATUREZA E M\u00c9TODO DA PEDAGOGIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>DEFINI\u00c7\u00c3O DE EDUCA\u00c7\u00c3O (fato social)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o exercida nas crian\u00e7as pelos pais e professores. Esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 constante e geral. N\u00e3o h\u00e1 nenhum per\u00edodo na vida social e nem mesmo, por assim dizer, nenhum momento do dia em que as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o estejam em contato com os mais velhos e, por conseguinte, n\u00e3o recebam a influ\u00eancia educadora destes \u00faltimos. Isto porque esta influ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sentida somente nos instantes bastante curtos em que os pais ou professores compartilham, de modo consciente e atrav\u00e9s de um ensino propriamente dito, os resultados de suas experi\u00eancias com aqueles que nasceram depois deles. Existe uma educa\u00e7\u00e3o inconsciente e incessante. Atrav\u00e9s do nosso exemplo, das palavras que dizemos e dos atos que executamos, fabricamos a alma dos nossos filhos de modo constante. (Durkheim 2013:75)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A] educa\u00e7\u00e3o vigente em determinada sociedade e considerada em determinado momento de sua evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas, maneiras de agir e costumes que constituem fatos perfeitamente definidos e t\u00e3o reais quanto os outros fatos sociais. (Durkheim 2013:78)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DEFINI\u00c7\u00c3O DE PEDAGOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A Pedagogia [&#8230;] consiste n\u00e3o em a\u00e7\u00e3o, mas sim em teorias. Essas teorias explicitam as maneiras de conceber a educa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de pratic\u00e1-la. Elas se distinguem \u00e0s vezes das pr\u00e1ticas vigentes a ponto de se oporem a elas. (Durkheim 2013:75)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Existem povos que n\u00e3o tiveram uma Pedagogia propriamente dita; ali\u00e1s, esta \u00faltima surge apenas em uma \u00e9poca relativamente adiantada da hist\u00f3ria. [&#8230;] Isto ocorreu porque o homem n\u00e3o reflete o tempo inteiro, mas somente quando \u00e9 necess\u00e1rio, e porque as condi\u00e7\u00f5es da reflex\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o dadas em todo lugar e momento. (Durkheim 2013:76)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O(pr\u00e1tica-arte) x PEDAGOGIA(teoria)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Portanto, a educa\u00e7\u00e3o constitui apenas a modalidade pr\u00e1tica da Pedagogia, que, por sua vez, consiste em uma certa maneira de refletir sobre as quest\u00f5es relativas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:75-6)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[Podem existir \u00f3timos professores que s\u00e3o p\u00e9ssimos pedagogos e vice-versa] (Durkheim 2013:84)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>AS 3 CARACTER\u00cdSTICAS DA CI\u00caNCIA (trata de fatos: reais (o moderno); categoricamente homog\u00eaneos (o advogado); e desinteressados (o ing\u00eanuo))<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:77)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A EDUCA\u00c7\u00c3O COMO OBJETO CIENT\u00cdFICO (resiste \u00e0 vontade individual e \u00e9 geral)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o existe homem que possa fazer com que uma sociedade tenha, em determinado momento, u sistema de educa\u00e7\u00e3o diferente daquele que est\u00e1 contido em sua estrutura, bem como \u00e9 imposs\u00edvel que um organismo vivo tenha \u00f3rg\u00e3os e fun\u00e7\u00f5es diferentes daqueles que est\u00e3o encerrados em sua constitui\u00e7\u00e3o. [&#8230;] [B]asta tomar consci\u00eancia da for\u00e7a imperativa com a qual estas pr\u00e1ticas se imp\u00f5em a n\u00f3s. N\u00e3o adianta acreditar que podemos educar os nossos filhos como quisermos. Somos for\u00e7ados a seguir as regras reinantes no meio social em que vivemos. [&#8230;] Al\u00e9m disso, as pr\u00e1ticas educativas [&#8230;] t\u00eam em comum um aspecto essencial: todas elas resultam da a\u00e7\u00e3o exercida por uma gera\u00e7\u00e3o sobre a gera\u00e7\u00e3o seguinte no intuito de adaptar a mesma ao meio social no qual est\u00e1 destinada a viver. [&#8230;] Consequentemente, elas constituem fatos de uma mesma esp\u00e9cie, pertencendo a uma mesma categoria l\u00f3gica. Elas podem ent\u00e3o servir de objeto a uma \u00fanica e mesma ci\u00eancia: a ci\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:78-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MITO DE ORIGEM DA CI\u00caNCIA A PARTIR DA RELIGI\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:80-1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A ESTAT\u00cdSTICA COMO CONDI\u00c7\u00c3O DA FISIOLOGIA ESCOLAR<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em toda escola h\u00e1 uma disciplina e um sistema de puni\u00e7\u00f5es e recompensas. O qu\u00e3o interessante seria saber, n\u00e3o somente a partir de impress\u00f5es emp\u00edricas, mas tamb\u00e9m de observa\u00e7\u00f5es met\u00f3dicas, de que modo este sistema funciona nas diferentes escolas de uma mesma localidade, nas diferentes regi\u00f5es, nos diferentes momentos do ano, nos diferentes momentos do dia; quais s\u00e3o os delitos escolares mais frequentes; como sua propor\u00e7\u00e3o varia no conjunto do territ\u00f3rio ou conforme os pa\u00edses; como ela depende da idade da crian\u00e7a, da sua situa\u00e7\u00e3o familiar, etc.! Todas as quest\u00f5es que se colocam com rela\u00e7\u00e3o aos delitos do adulto podem ser colocadas aqui de forma igualmente \u00fatil. Assim como existe uma criminologia do homem feito, existe uma da crian\u00e7a. E a disciplina n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o educativa que poderia ser estudada segundo este m\u00e9todo. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todo pedag\u00f3gico cujos efeitos n\u00e3o possam ser medidos da mesma maneira supondo evidentemente que tenha sido instaurado o instrumento necess\u00e1rio para tal estudo: uma boa estat\u00edstica. (Durkheim 2013:82-3)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INFELIZMENTE, NA PR\u00c1TICA, A PEDAGOGIA SE INTERESSA MAIS PELO QUE &#8220;DEVE SER&#8221; DO QUE PELO QUE &#8220;\u00c9&#8221; (Rabelais, Montaigne, Rousseau, Pestalozzi)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:83)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>&#8220;ARTE&#8221; COMO SABER PR\u00c1TICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:85)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PEDAGOGIA COMO &#8220;TEORIA PR\u00c1TICA&#8221; (entre a pr\u00e1tica e a teoria, programas de a\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:86)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Ora, o que \u00e9 a Pedagogia sen\u00e3o a reflex\u00e3o aplicada da maneira mais met\u00f3dica poss\u00edvel \u00e0s coisas relativas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no intuito de regular o seu desenvolvimento? (Durkheim 2013:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>COMPARA\u00c7\u00c3O: QU\u00cdMICA PURA : QU\u00cdMICA APLICADA :: CI\u00caNCIA DA EDUCA\u00c7\u00c3O : PEDAGOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:86)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CI\u00caNCIAS AINDA EM FORMA\u00c7\u00c3O (Pedagogia, Sociologia, Psicologia)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:85-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PRAGMATISMO DURKHEIMIANO A SERVI\u00c7O DA EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>S\u00f3 nos resta, portanto, ter coragem para come\u00e7ar a trabalhar, buscar as mudan\u00e7as que se imp\u00f5em e realiz\u00e1-las. [&#8230;] Portanto, n\u00e3o temos mais nada a fazer sen\u00e3o agir da melhor forma poss\u00edvel, juntando o m\u00e1ximo de fatos instrutivos e interpretando-os com o m\u00e1ximo de m\u00e9todo para reduzir ao m\u00ednimo as chances de erro. Este \u00e9 o papel do pedagogo. [&#8230;] Sem d\u00favida, agindo nestas condi\u00e7\u00f5es, corre-se riscos. Mas a a\u00e7\u00e3o nunca se d\u00e1 sem riscos; por mais avan\u00e7ada que seja, a ci\u00eancia n\u00e3o pode elimin\u00e1-los. Tudo o que podemos fazer \u00e9 empregar toda a nossa ci\u00eancia, por mais imperfeita que ela seja, e toda a nossa consci\u00eancia para prevenir estes riscos na medida das nossas capacidades. E \u00e9 justamente este o papel da Pedagogia. (Durkheim 2013:88-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INTELIG\u00caNCIA(reflex\u00e3o, renascimento) x H\u00c1BITO(tradi\u00e7\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, idade m\u00e9dia)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:89-90)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>UMA CI\u00caNCIA DA EDUCA\u00c7\u00c3O DEPENDE DE: 1- uma hist\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas escolares (proped\u00eautica); 2- hist\u00f3ria das teorias pedag\u00f3gicas; 3- psicologia infantil (os meios da educa\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:91-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TEORIA DA HIST\u00d3RIA DE DURKHEIM (anti-tabula rasa)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O futuro n\u00e3o pode ser imaginado a partir do nada: s\u00f3 podemos constru\u00ed-lo com os materiais que o passado nos legou. Um ideal constru\u00eddo na dire\u00e7\u00e3o oposta do estado das coisas existentes n\u00e3o \u00e9 realiz\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o possui ra\u00edzes na realidade. Ali\u00e1s, \u00e9 claro que o passado tinha suas raz\u00f5es de ser do jeito que foi: ele n\u00e3o poderia ter durado se n\u00e3o tivesse satisfeito necessidades leg\u00edtimas que n\u00e3o poderiam desaparecer da noite para o dia. Portanto, n\u00e3o se pode ser t\u00e3o radical e fazer t\u00e1bula rasa, a n\u00e3o ser que ignoremos necessidades vitais. (Durkheim 2013:94)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PSICOBACON<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A] consci\u00eancia tem as suas pr\u00f3prias leis, as quais \u00e9 preciso conhecer antes de modificar [&#8230;]. [&#8230;] Saberemos orientar melhor a sensibilidade moral dos alunos neste ou naquele sentido quando tivermos no\u00e7\u00f5es mais completas e precisas sobre o conjunto dos fen\u00f4menos que chamamos de tend\u00eancias, h\u00e1bitos, desejos, emo\u00e7\u00f5es, etc., sobre as diversas condi\u00e7\u00f5es que os regem e sobre a forma sob a qual eles se manifestam na crian\u00e7a. (Durkheim 2013:95)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PSICOLOGIA COLETIVA como a ponta INTERACIONISTA de DURKHEIM<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>De fato, uma turma \u00e9 uma pequena sociedade. Por isto, n\u00e3o se deve conduzi-la como se ela fosse apenas uma simples aglomera\u00e7\u00e3o de sujeitos independentes uns dos outros. Crian\u00e7as reunidas em uma turma pensam, sentem e agem de modo diferente de quando est\u00e3o isoladas. Em uma turma, produzem-se fen\u00f4menos de cont\u00e1gio, desmotiva\u00e7\u00e3o coletiva, agita\u00e7\u00e3o m\u00fatua e efervesc\u00eancia saud\u00e1vel que \u00e9 preciso saber discernir no intuito de prevenir ou combater uns e utilizar os outros. Sem d\u00favida, esta ci\u00eancia ainda \u00e9 uma crian\u00e7a. (Durkheim 2013:96)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>:::::::::: PEDAGOGIA E SOCIOLOGIA :.<\/strong><\/p>\n<p><strong>PEDAGOGIA e SOCIOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] postulado de toda investiga\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica \u00e9 a tese de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa eminentemente social, tanto por suas origens quanto por suas fun\u00e7\u00f5es e que, logo, a Pedagogia depende mais da Sociologia do que de qualquer outra ci\u00eancia. (Durkheim 2013:98)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PEDAGOGIA INDIVIDUALISTA\/UNIVERSALISTA (Kant, Mill, Herbart, Spencer)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Admitia-se que havia <em>uma<\/em> natureza humana, cujas formas e propriedades eram determin\u00e1veis uma vez por todas, e o problema pedag\u00f3gico consistia em buscar saber de que maneira a a\u00e7\u00e3o educadora deveria se exercer na natureza humana assim definida. (Durkheim 2013:100)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EDUCA\u00c7\u00d5ES SOCIAIS (diversidade pedag\u00f3gica, especializa\u00e7\u00e3o funcional)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[N]\u00e3o h\u00e1 uma educa\u00e7\u00e3o universalmente v\u00e1lida para o g\u00eanero humano inteiro &#8211; em todas as sociedades, por assim dizer, sistemas pedag\u00f3gicos diferentes coexistem e funcionam em paralelo. [&#8230;] Ainda hoje, n\u00e3o vemos a educa\u00e7\u00e3o variar com as classes sociais ou mesmo com os <em>habitats<\/em>? A da cidade n\u00e3o \u00e9 a igual \u00e0 do campo, a do burgu\u00eas n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 do oper\u00e1rio. [&#8230;] Mesmo que a carreira de cada crian\u00e7a n\u00e3o fosse, em grande parte, predeterminada por uma cega hereditariedade, a diversidade moral das profiss\u00f5es n\u00e3o deixaria de exigir uma grande diversidade pedag\u00f3gica. De fato, cada profiss\u00e3o constitui um meio <em>sui generis<\/em> que demanda aptid\u00f5es e conhecimentos espec\u00edficos, um meio no qual predominam certas ideias, usos e maneiras de ver as coisas; e j\u00e1 que a crian\u00e7a deve estar preparada com vistas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 levada a cumprir, a educa\u00e7\u00e3o, a partir de determinada idade, n\u00e3o pode mais continuar a mesma para todos os sujeitos aos quais ela se aplicar. \u00c9 por isso que, em todos os pa\u00edses civilizados, ela tende cada vez mais a se diversificar e se especializar, e esta especializa\u00e7\u00e3o, a se tornar cada vez mais precoce. (Durkheim 2013:101-2)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOLIDARIEDADE MEC\u00c2NICA (momento l\u00f3gico)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Para encontrar uma educa\u00e7\u00e3o absolutamente homog\u00eanea e igualit\u00e1ria, \u00e9 preciso voltar no tempo at\u00e9 as sociedades pr\u00e9-hist\u00f3ricas, no seio das quais n\u00e3o existia nenhuma diferencia\u00e7\u00e3o; e ainda assim estes tipos de sociedades representam apenas um momento l\u00f3gico na hist\u00f3ria da humanidade. (Durkheim 2013:102)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A SOCIEDADE COMO AGENTE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 a sociedade que, para se manter, exige que o trabalho se divida entre os seus membros e de tal maneira em vez de outra. \u00c9 por isto que ela prepara com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, os trabalhadores especializados dos quais precisa. Portanto, foi para e por ela que a educa\u00e7\u00e3o se diversificou assim. (Durkheim 2013:102)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O homem que a educa\u00e7\u00e3o deve realizar em n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 o homem tal como a natureza criou, mas sim tal como a sociedade quer que ele seja; e ela quer que ele seja da forma exigida pela sua economia interior. (Durkheim 2013:107)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[T]anto no presente quanto no passado, o nosso ideal pedag\u00f3gico \u00e9, nos m\u00ednimos detalhes, fruto da sociedade. \u00e9 ela que tra\u00e7a o retrato do homem que devemos ser, retrato no qual se refletem todas as particularidades da sua organiza\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:108)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A educa\u00e7\u00e3o] \u00e9 antes de tudo o meio pelo qual a sociedade renova eternamente as condi\u00e7\u00f5es da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. (Durkheim 2013:108)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[A] educa\u00e7\u00e3o satisfaz acima de tudo necessidades externas, ou seja, sociais. (Durkheim 2013:112)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Assim, o indiv\u00edduo s\u00f3 busca as qualidades que \u00e0 primeira vista parecem t\u00e3o espontaneamente desej\u00e1vies quando a sociedade o incita nesta dire\u00e7\u00e3o. E ele as busca da maneira que ela lhe prescreve. (Durkheim 2013:113)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>. (Durkheim 2013:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESPECIALIZA\u00c7\u00c3O e ENTORPECIMENTO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[N]\u00e3o podemos desenvolver com a intensidade necess\u00e1ria as faculdades privilegiadas pela nossa fun\u00e7\u00e3o sem deixar as outras se entorpecerem com a inatividade e sem abdicar, por conseguinte, de toda uma parte da nossa natureza. (Durkheim 2013:103)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PENSAMENTO x A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] pensamento s\u00f3 pode se desenvolver desligando-se do movimento, recolhendo-se em si mesmo, desviando o sujeito da a\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:103)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>BASE COMUM (para al\u00e9m\/aqu\u00e9m da especializa\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[C]erto n\u00famero de ideias, sentimentos e pr\u00e1ticas que a educa\u00e7\u00e3o deve inculcar em todas as crian\u00e7as sem distin\u00e7\u00e3o, seja qual for a categoria social \u00e0 qual elas pertencem. \u00c9 inclusive esta educa\u00e7\u00e3o comum que \u00e9 considerada em geral como a verdadeira educa\u00e7\u00e3o. Somente ela parece plenamente merecer ser designada desta forma. A ela \u00e9 concedida uma esp\u00e9cie de predomin\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. (Durkheim 2013:104)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O HUMANO N\u00c3O \u00c9 DADO!<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[Ao longo da hist\u00f3ria, a &#8220;natureza humana&#8221; e as &#8220;necessidades humanas&#8221;] variaram porque as condi\u00e7\u00f5es sociais das quais elas dependem n\u00e3o permaneceram inalteradas. (Durkheim 2013:105)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ROMA=&gt;FRAN\u00c7A=&gt;IDADE M\u00c9DIA=&gt;RENASCIMENTO=&gt;HOJE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:104-5)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>HUMANIDADE ABSTRATA (rela\u00e7\u00e3o com Marx: trabalho humano abstrato)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[C]ada um dos grandes povos europeus cobre um imenso <em>habitat<\/em> e engloba as ra\u00e7as mas diversas. Al\u00e9m disso, o trabalho \u00e9 extremamente dividido &#8211; os indiv\u00edduos que o comp\u00f5em s\u00e3o t\u00e3o diferentes uns dos outros que n\u00e3o h\u00e1 mais quase nada em comum entre eles, salvo a sua qualidade humana em geral. Portanto, eles s\u00f3 podem manter a homogeneidade indispens\u00e1vel a qualquer<em>consenso<\/em> social se forem t\u00e3o semelhantes quanto poss\u00edvel no \u00fanico aspecto em que todos se parecem, ou seja, enquanto todos forem seres humanos.(Durkheim 2013:106)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OS DOIS SERES (individual X social)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Constituir este ser [social] em cada um de n\u00f3s \u00e9 o objetivo da educa\u00e7\u00e3o. (Durkheim 2013:109)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ONTOLOGIA DO SER INDIVIDUAL (ego\u00edsta, hedonista, associal)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:109)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PEDAGOGIA DURKHEIMIANA (t\u00e1bula &#8220;quase&#8221; rasa&#8230;)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[C]om exce\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias vagas e incertas que podem ser atribu\u00eddas \u00e0 hereditariedade, ao entrar na vida, a crian\u00e7a traz apenas a sua natureza de indiv\u00edduo. Portanto, a cada nova gera\u00e7\u00e3o, a sociedade se encontra em presen\u00e7a de uma t\u00e1bula quase rasa sobre a qual ela deve construir novamente. \u00e9 preciso que, pelos meios mais r\u00e1pidos, ela substitua o ser ego\u00edsta e associal que acaba de nascer por um outro capaz de levar uma vida moral e social. Esta \u00e9 a obra da educa\u00e7\u00e3o, cuja grandeza podemos reconhecer. [&#8230;] Ela cria um novo ser no homem, [&#8230;] feito de tudo o que h\u00e1 de melhor em n\u00f3s e de tudo o que d\u00e1 valor e dignidade \u00e0 vida. (Durkheim 2013:110)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ONTOLOGIA DO ANIMAL (instintos inatos, tecidos)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:110)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O como INICIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[S]e eliminarmos as formas m\u00edticas que envolvem esta cren\u00e7a [num renascimento ritual], n\u00e3o veremos, sob o s\u00edmbolo desta ideia e de forma obscura, que a educa\u00e7\u00e3o cria um  ser novo no homem? Trata-se do ser social. (Durkheim 2013:111)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TRADI\u00c7\u00c3O x REFLEX\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:113)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ASCETISMO x EDUCA\u00c7\u00c3O F\u00cdSICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:113)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ESPARTA=&gt;ATENAS=&gt;HOJE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:113)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PSICOLOGIA (os &#8220;meios&#8221; da educa\u00e7\u00e3o: crian\u00e7as, consci\u00eancia)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:113-5)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Saberemos orientar melhor a sensibilidade moral dos alunos neste ou naquele sentido quando tivermos no\u00e7\u00f5es mais completas e precisas sobre o conjunto dos fen\u00f4menos que chamamos de tend\u00eancias, h\u00e1bitos, desejos, emo\u00e7\u00f5es, etc., sobre as diversas condi\u00e7\u00f5es que os regem e sobre a forma sob a qual eles se manifestam na crian\u00e7a. [&#8230;] Ora, \u00e9 \u00e0 Psicologia e, em especial, \u00e0 Psicologia Infantil que cabe resolver estas quest\u00f5es. Portanto, embora ela seja incompetente para fixar o objetivo, ou melhor, os objetivos da educa\u00e7\u00e3o, ela certamente tem um papel \u00fatil a desempenhar na constitui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos. E mais: como nenhum m\u00e9todo pode ser aplicado da mesma maneira nas diferentes crian\u00e7as, \u00e9 mais uma vez a Psicologia que deve nos ajudar a nos situar em meio \u00e0 diversidade das intelig\u00eancias e caracteres. Infelizmente, sabemos que ainda estamos longe do momento em que ela realmente estar\u00e1 apta a satisfazer este <em>desideratum<\/em>. (Durkheim 2013:114)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>S\u00d3 A SOCIOLOGIA&#8230;<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:114, 116)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OS FINS e os MEIOS SOCIAIS da EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[J]\u00e1 que os fins da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o sociais, os meios pelos quais estes fins podem ser alcan\u00e7ados devem necessariamente ter o mesmo car\u00e1ter. [&#8230;] \u00c9 que, de fato, como a vida escolar n\u00e3o passa do germe da vida social, assim como esta \u00faltima n\u00e3o passa da continua\u00e7\u00e3o e maturidade daquela, os principais processos pelos quais uma funciona se encontram obviamente na outra. [&#8230;] Quanto melhor conhecermos a sociedade, melhor perceberemos tudo o que se passa no microcosmo social que a escola \u00e9. (Durkheim 2013:116-7)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Sejam os fins que ela [a educa\u00e7\u00e3o] busca ou os meios que ela emprega, s\u00e3o sempre necessidades sociais que ela satisfaz e ideias e sentimentos coletivos que ela expressa. (Durkheim 2013:118)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Logo, \u00e9 a sociedade que \u00e9 preciso estudar e s\u00e3o as suas necessidades que \u00e9 preciso conhecer, j\u00e1 que s\u00e3o estas \u00faltimas que \u00e9 preciso satisfazer. (Durkheim 2013:)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIOLOGIA x PSICOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> (Durkheim 2013:117-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O QUE TEMOS DE MELHOR&#8230;<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Sejam os fins que ela [a educa\u00e7\u00e3o] busca ou os meios que ela emprega, s\u00e3o sempre necessidades sociais que ela satisfaz e ideias e sentimentos coletivos que ela expressa. Sem d\u00favida, o pr\u00f3prio indiv\u00edduo sai ganhando com este mecanismo. N\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o admitimos claramente que aquilo que temos de melhor \u00e9 devido \u00e0 educa\u00e7\u00e3o? E aquilo que temos de melhor \u00e9 de origem social. (Durkheim 2013:118)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIOLOGIA como PRAXEOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A Sociologia] pode, mais e melhor, fornecer-nos aquilo de que temos mais urgentemente necessidade, quero dizer um corpo de ideias diretivas que sejam a alma da nossa pr\u00e1tica, sustentando-a, dando um sentido \u00e0 nossa a\u00e7\u00e3o e nos ligando intimamente \u00e0 mesma, o que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para que esta a\u00e7\u00e3o seja fecunda. (Durkheim 2013:120)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DURKHEIM, \u00c9mile. 2013. Educa\u00e7\u00e3o e Sociologia. (Trad. Stephania Matousek) Petr\u00f3polis: Vozes. A educa\u00e7\u00e3o, sua natureza e seu papel [1911] Natureza e m\u00e9todo da Pedagogia [1911] Pedagogia e Sociologia [1902] :::::::::: INTRODU\u00c7\u00c3O: A OBRA PEDAG\u00d3GICA DE DURKHEIM DURKHEIM INDIVIDUALISTA Se existiu um homem que foi um indiv\u00edduo, uma pessoa, com tudo o que o termo implica de originalidade criadora e resist\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[25],"class_list":["post-210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-durkheim"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DURKHEIM_CAPA-EDUCACAO.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1892,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210\/revisions\/1892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}