{"id":157,"date":"2021-04-14T16:38:32","date_gmt":"2021-04-14T16:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=157"},"modified":"2025-06-10T18:18:21","modified_gmt":"2025-06-10T18:18:21","slug":"perspectivismo-harawayano-haraway-19951988","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/14\/perspectivismo-harawayano-haraway-19951988\/","title":{"rendered":"Perspectivismo harawayano (Haraway 1995[1988])"},"content":{"rendered":"<p>HARAWAY, Donna. 1991 [1988]. Situated knowledges: the science question in feminism and the priviledge of partial perspective. In: <em>Simians, cyborgs, and women: the reinvention of nature<\/em>. New York: Routledge, p.183-201; 248-50.<\/p>\n<p>HARAWAY, Donna. 1995. <a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/cadpagu\/article\/view\/1773\/1828\">Saberes localizados: a quest\u00e3o da ci\u00eancia para o feminismo e o privil\u00e9gio da perspectiva parcial<\/a>. (Trad. Mariza Corr\u00eaa) <em>Cadernos PAGU<\/em> 5:7-41. [1988]<\/p>\n<p>OBS: A valios\u00edssima tradu\u00e7\u00e3o de Mariza Corr\u00eaa do texto de Donna Haraway, publicada nos <em>Cadernos PAGU<\/em> em 1995, foi realizada a partir da vers\u00e3o do artigo original da <em>Feminist Studies<\/em> de 1988 que foi publicada no livro <em>Simians, cyborgs, and women: the reinvention of nature<\/em> de 1991. As vers\u00e3o de 1991 \u00e9 ligeiramente diferente da vers\u00e3o de 1988. Por\u00e9m, assim como a esmagadora maioria de tradu\u00e7\u00f5es brasileiras de textos de Haraway, a tradu\u00e7\u00e3o de Corr\u00eaa poderia ser substancialmente aprimorada. A come\u00e7ar pelos t\u00edtulo e subt\u00edtulo que, a meu ver, teriam sido melhor traduzidos como &#8220;Saberes situados: a quest\u00e3o da ci\u00eancia no feminismo e o privil\u00e9gio da perspectiva parcial&#8221;. Os trechos entre colchetes no fichamento abaixo foram alterados por mim.<\/p>\n<p><strong>A FAVOR E CONTRA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>este texto e\u0301 um argumento a favor de [conhecimentos situados e corporificados] e contra va\u0301rias formas de postulados de conhecimento na\u0303o localiza\u0301veis e, portanto, irresponsa\u0301veis. Irresponsa\u0301vel significa incapaz de ser chamado a prestar contas. (Haraway 1991:191; 1995:22)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LATOUR<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Latour na\u0303o e\u0301 um teo\u0301rico feminista nota\u0301vel [LOL], mas pode transformar-se num atrave\u0301s de leituras ta\u0303o perversas como as que ele faz do laborato\u0301rio, esta enorme ma\u0301quina de fazer erros significativos mais rapidamente do que qualquer outra, ganhando assim o poder de mudar o mundo. O laborato\u0301rio e\u0301, para Latour, a [ind\u00fastria ferrovi\u00e1ria da epistemologia, onde] os fatos so\u0301 podem mover-se nos trilhos montados a partir do laborato\u0301rio para fora. Quem controla a estrada de ferro controla o territo\u0301rio [circundante]. Como podemos ter esquecido? Mas atualmente na\u0303o e\u0301 da falida estrada de ferro de que precisamos, e sim das redes dos sate\u0301lites. Em nossos dias, os fatos se movem em feixes de luz. (Haraway 1991:248 nota 2; 1995:9 nota 1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DIZER\/FAZER MODERNO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>ha\u0301 uma relac\u0327a\u0303o muito frouxa entre o que os cientistas acreditam ou dizem acreditar e o que eles realmente fazem. (Haraway 1991:184; 1995:9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>RECUSA DO P\u00d3S-MODERNO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>na\u0303o podemos nos permitir esses jogos especi\u0301ficos com as palavras &#8211; os projetos de [constru\u00e7\u00e3o] de conhecimento confia\u0301vel a respeito do mundo &#8220;natural&#8221; na\u0303o podem ser entregues ao ge\u0302nero [da ficc\u0327a\u0303o cienti\u0301fica paran\u00f3ica ou c\u00ednica]. Quem tem interesses poli\u0301ticos na\u0303o pode permitir que o construcionismo social se desintegre nas emanac\u0327o\u0303es radiantes do cinismo. (Haraway 1991:184; 1995:10)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>NERVOSISMO COM A MET\u00c1FORA B\u00c9LICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>quanto mais avanc\u0327o na descric\u0327a\u0303o do programa do construcionismo social radical e de uma versa\u0303o especi\u0301fica do po\u0301s-modernismo, aliada aos a\u0301cidos instrumentos do discurso cri\u0301tico nas cie\u0302ncias humanas, mais nervosa fico. Como todas as neuroses, a minha esta\u0301 enraizada no problema da meta\u0301fora [&#8230;]. Este mundo-como-co\u0301digo e\u0301, [s\u00f3 pra come\u00e7ar], um campo militar de alta tecnologia, uma espe\u0301cie de campo de batalha acade\u0302mico automatizado, no qual flashes de luz chamados jogadores desintegram-se (que meta\u0301fora!) uns aos outros, de modo a [permanecerem] no jogo [de] conhecimento e poder. A tecnocie\u0302ncia e a ficc\u0327a\u0303o cienti\u0301fica desmoronam no sol de sua radiante (ir)realidade &#8211; a guerra. (Haraway 1991:185; 1995:12)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>e\u0301 hora de mudar a meta\u0301fora. (Haraway 1991:188; 1995:17)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CR\u00cdTICA AO FEMINISMO P\u00d3S-MODERNO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Desmascaramos as doutrinas de objetividade porque elas ameac\u0327avam nosso nascente sentimento de subjetividade e [ag\u00eancia] histo\u0301rica coletiva e nossas verso\u0303es &#8220;corporificadas&#8221; da verdade, e acabamos por ter mais uma desculpa para na\u0303o aprendermos nada da Fi\u0301sica [po\u0301s-newtoniana] e mais uma raza\u0303o para [abandonarmos a velha pra\u0301tica de auto-ajuda feminista] de consertar nossos [pr\u00f3prios] carros. Afinal, trata-se apenas de textos, vamos devolve\u0302-los aos rapazes. (Haraway 1991:186; 1995:13)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>As feministas te\u0302m interesse num projeto de cie\u0302ncia sucessora que oferec\u0327a uma [descri\u00e7\u00e3o mais adequada, rica e melhor do mundo, de modo a viver bem nele, numa rela\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e reflexiva com nossas pr\u00f3prias pr\u00e1ticas de domina\u00e7\u00e3o, assim como com as dos outros, e com as partes desiguais de privil\u00e9gio e opress\u00e3o que comp\u00f5em todas as posi\u00e7\u00f5es. Em categorias filos\u00f3ficas tradicionais, talvez a quest\u00e3o seja \u00e9tica e pol\u00edtica, mais que epistemol\u00f3gica]. (Haraway 1991:187; 1995:15)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PARA AL\u00c9M DO P\u00d3S-MODERNISMO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[<em>Todos<\/em>] os componentes do desejo sa\u0303o paradoxais e perigosos, e sua combinac\u0327a\u0303o e\u0301 tanto contradito\u0301ria quanto necessa\u0301ria. As feministas na\u0303o precisam de uma doutrina de objetividade que prometa transcende\u0302ncia, uma esto\u0301ria que perca o rastro de suas mediac\u0327o\u0303es justamente quando algue\u0301m deva ser reponsabilizado por algo, e poder instrumental ilimitado. [&#8230;] Precisamos do poder das teorias cri\u0301ticas modernas sobre como significados e corpos sa\u0303o [feitos], na\u0303o para negar [a realidade de] significados e corpos, mas para viver em significados e corpos que tenham a possibilidade de um futuro. (Haraway 1991:187; 1995:16)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>VERSUS (sobre Harding)<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote><p>projetos de cie\u0302ncia sucessora versus explicac\u0327o\u0303es po\u0301s-modernas sobre a diferenc\u0327a (Haraway 1991:188; 1995:17)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>construtivismo radical versus [empirismo] cri\u0301tico feminista (Haraway) (Haraway 1991:188; 1995:17)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ALTERNATIVA AO RELATIVISMO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A alternativa ao relativismo sa\u0303o saberes parciais, localiza\u0301veis, cri\u0301ticos, [mantendo] a possibilidade de redes de [conex\u00f5es que s\u00e3o] chamadas de solidariedade em poli\u0301tica[,] e de conversas compartilhadas em epistemologia. (Haraway 1991:191; 1995:23)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CAPITALISMO CONTEMPOR\u00c2NEO <em>AVANT LA LETTRE<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em &#8220;Blue champagne&#8221;, Varley (1986) [transmuta] o tema para [interrogar a poli\u0301tica da intimidade e da tecnologia para uma jovem mulher paraple\u0301gica cujo dispositivo  prost\u00e9tico, a cigana dourada [golden gypsy], lhe permite plena mobilidade. Mas dado que o dispositivo infinitamente caro \u00e9 propriedade de um imp\u00e9rio intergal\u00e1tico de comunica\u00e7\u00e3o e entretenimento para o qual ela trabalha como estrela midi\u00e1tica fazendo &#8220;feelies&#8221;, ela s\u00f3 pode manter seu outro eu tecnol\u00f3gico, intimo e capacitador em troca de sua cumplicidade na comercializa\u00e7\u00e3o de toda experi\u00eancia. Quais s\u00e3o seus limites para a reinven\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia para a venda?] O pessoal e\u0301 poli\u0301tico sob o signo da simulac\u0327a\u0303o? (Haraway 1991:249 nota 7; 1995:18 nota 7)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O PROBLEMA DA OBJETIVIDADE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Parece-me que as feministas [t\u00eam, seletiva e flexivelmente, usado] e sido apanhadas, por dois po\u0301los de uma tentadora dicotomia [sobre a quest\u00e3o da] objetividade. (Haraway 1991:183; 1995:8)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OBJETIVIDADE CIENT\u00cdFICA (<em>National Geographic<\/em>)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Esses objetos fabulosos [fotografias de planetas distantes &#8220;recompostas a partir de sinais digitalizados transmitiros atrav\u00e9s da vastid\u00e3o do espa\u00e7o&#8221;] chegam ate\u0301 no\u0301s simultaneamente como registros indubita\u0301veis do que [simplesmente] esta\u0301 la\u0301, [&#8230;] e como [feitos] hero\u0301icos [de] produc\u0327a\u0303o tecno-cienti\u0301fica. (Haraway 1991:189; 1995:20)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OBJETIVIDADE FEMINISTA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>objetividade feminista significa, simplesmente, [<em>saberes situados<\/em>]. (Haraway 1991:188; 1995:18)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>construir uma doutrina utiliza\u0301vel, mas na\u0303o inocente, da objetividade (Haraway 1991:189; 1995:20)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Precisamos aprender em nossos corpos, dotados [da visa\u0303o estereosco\u0301pica e em cores] dos primatas, como vincular o objetivo aos nossos [rastreadores] teo\u0301ricos e poli\u0301ticos[,] de modo a nomear onde estamos e onde na\u0303o estamos, [em] dimenso\u0303es do espac\u0327o mental e fi\u0301sico que mal sabemos como nomear. Assim, de modo na\u0303o muito perverso, a objetividade revela-se como algo que diz respeito a\u0300 corporificac\u0327a\u0303o especi\u0301fica e particular e na\u0303o, definitivamente, como algo a respeito da falsa visa\u0303o que promete transcende\u0302ncia de todos os limites e responsabilidades. A moral e\u0301 simples: apenas a perspectiva parcial promete visa\u0303o objetiva. Esta e\u0301 uma visa\u0303o objetiva que abre, [em lugar de fechar, o problema] da responsabilidade pela [generatividade] de todas as pra\u0301ticas visuais. [&#8230;] A objetividade feminista trata da localizac\u0327a\u0303o limitada e do conhecimento [situado], na\u0303o da transcende\u0302ncia e da divisa\u0303o entre sujeito e objeto. [Ela nos permite tornarmo-nos] responsa\u0301veis [answerable] pelo que aprendemos a ver. (Haraway 1991:190; 1995:21)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Na\u0303o ha\u0301 nenhuma fotografia na\u0303o mediada, ou ca\u0302mera escura passiva, nas [descri\u00e7\u00f5es] cienti\u0301ficas de corpos e ma\u0301quinas: ha\u0301 apenas possibilidades visuais altamente especi\u0301ficas, cada uma com um modo maravilhosamente detalhado, ativo e parcial de organizar mundos. [&#8230;] Compreender como esses sistemas visuais funcionam, tecnicamente, socialmente e psiquicamente, deveria ser um modo de corporificar a objetividade feminista. (Haraway 1991:190; 1995:22)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OBJETIVIDADE como CONEX\u00c3O PARCIAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O eu cognoscente e\u0301 parcial em todas suas formas, nunca acabado, completo, simplesmente dado ou original; e\u0301 sempre construi\u0301do e alinhavado de maneira imperfeita e, [<em>portanto<\/em>], capaz de juntar-se a outro, de ver junto sem pretender ser outro. Eis aqui a promessa de objetividade: um conhecedor cienti\u0301fico [procura a posic\u0327a\u0303o de sujeito n\u00e3o da identidade, mas da objetividade; isto e\u0301, conexa\u0303o parcial]. (Haraway 1991:193; 1995:26)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CONHECIMENTO e OBJETIVIDADE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O conhecimento do ponto de vista do na\u0303o marcado e\u0301 realmente fanta\u0301stico, distorcido e, portanto, irracional. A u\u0301nica posic\u0327a\u0303o a partir da qual a objetividade na\u0303o tem a possibilidade de ser [praticada] e honrada e\u0301 a do ponto de vista do senhor [master], do Homem, do [Deus \u00danico], cujo Olho produz, apropria e ordena [toda diferenc\u0327a]. Ningue\u0301m jamais acusou o [Deus] do monotei\u0301smo de objetividade, apenas de indiferenc\u0327a. O [truque-de-deus] e\u0301 auto-ide\u0302ntico[,] e nos enganamos ao toma\u0301-lo por criatividade e conhecimento, [ou mesmo] oniscie\u0302ncia. (Haraway 1991:193; 1995:27)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PERSPECTIVA DOS SUBJUGADOS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[Os pontos de vista] dos subjugados na\u0303o sa\u0303o posic\u0327o\u0303es &#8220;inocentes&#8221;. Ao contra\u0301rio, [eles merecem prefer\u00eancia] porque, em princi\u0301pio, sa\u0303o [os] que [menos tendem a] permitir a negac\u0327a\u0303o do nu\u0301cleo cri\u0301tico e interpretativo de todo conhecimento. (Haraway 1991:191; 1995:23)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Mas [<em>como<\/em>] ver desde baixo e\u0301 um problema que requer, pelo menos, tanta habilidade com corpos e linguagens, com as mediac\u0327o\u0303es da visa\u0303o, quanto te\u0302m as mais &#8220;altas&#8221; visualizac\u0327o\u0303es tecno-cienti\u0301ficas. (Haraway 1991:191; 1995:23)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PERSPECTIVISMO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[Relativismo e totalizac\u0327a\u0303o sa\u0303o ambos [&#8220;truques-de-deus&#8221;], prometendo, igualmente e inteiramente, visa\u0303o de toda parte e de nenhum lugar, mitos comuns na reto\u0301rica [que envolve a] Cie\u0302ncia. Mas e\u0301 precisamente na poli\u0301tica e na epistemologia [de] perspectivas parciais que [uma investiga\u00e7\u00e3o duradoura, racional e objetiva se ap\u00f3ia]. (Haraway 1991:191; 1995:24)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>quero argumentar a favor de uma doutrina e de uma pra\u0301tica [de] objetividade que [privilegia] a contestac\u0327a\u0303o, a desconstruc\u0327a\u0303o, [a constru\u00e7\u00e3o apaixonada,] conexo\u0303es em rede e a esperanc\u0327a na transformac\u0327a\u0303o [de] sistemas de conhecimento e [de] maneiras de ver. Mas na\u0303o e\u0301 qualquer perspectiva parcial que serve; devemos ser hostis aos relativismos e holismos fa\u0301ceis, feitos de adic\u0327a\u0303o e subsunc\u0327a\u0303o das partes. [&#8230;] Precisamos tambe\u0301m buscar a perspectiva daqueles pontos de vista, que nunca podem ser conhecidos de antema\u0303o, que prometam [algo um tanto extraordina\u0301rio], isto e\u0301, conhecimento potente para a construc\u0327a\u0303o de mundos menos organizados por eixos de dominac\u0327a\u0303o. (Haraway 1991:191-2; 1995:24)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>EPISTEMOLOGIAS FEMINISTAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O eu dividido e contradito\u0301rio e\u0301 o que pode [interrogar posicionamentos] e ser responsabilizado [accountable], o que pode construir e juntar-se [a] conversas racionais e [a] imaginac\u0327o\u0303es fanta\u0301sticas que mudam a histo\u0301ria. Divisa\u0303o, e na\u0303o o ser, e\u0301 a imagem privilegiada das epistemologias feministas do conhecimento cienti\u0301fico. &#8220;Divisa\u0303o&#8221;, neste contexto, [deveria envolver] multiplicidades heteroge\u0302neas, [que s\u00e3o] simultaneamente [salientes] e na\u0303o passi\u0301veis de serem espremidas em fendas isomo\u0301rficas ou [em] listas cumulativas. (Haraway 1991:193; 1995:26)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>G\u00caNERO E CORPORIFICA\u00c7\u00c3O FEMINISTA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ge\u0302nero e\u0301 um campo de diferenc\u0327a estruturada e estruturante, no qual as tonalidades de localizac\u0327a\u0303o extrema, do corpo intimamente pessoal e individualizado, vibram no mesmo campo [com emisso\u0303es] globais de alta tensa\u0303o. A corporificac\u0327a\u0303o feminista, assim, na\u0303o [envolve a localiza\u00e7\u00e3o] fixa num corpo reificado, fe\u0302meo ou outro, mas [sim no\u0301dulos] em campos, inflexo\u0303es em orientac\u0327o\u0303es e responsabilidade pela diferenc\u0327a nos campos [materiais-semio\u0301ticos de sentido]. Corporificac\u0327a\u0303o e\u0301 pro\u0301tese significante (Haraway 1991:195; 1995:29)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>a corporificac\u0327a\u0303o feminista resiste a\u0300 fixac\u0327a\u0303o e e\u0301 insaciavelmente curiosa a respeito das redes de posicionamentos diferenciais. Na\u0303o ha\u0301 um ponto de vista feminista u\u0301nico porque nossos mapas requerem dimenso\u0303es em demasia para que essa meta\u0301fora sirva para fixar nossas viso\u0303es. Mas a meta [das te\u00f3ricas do ponto de vista feminista, de uma epistemologia e uma pol\u00edtica de posicionamento engajado e respons\u00e1vel, permanece eminentemente] potente. A meta sa\u0303o melhores [descri\u00e7\u00f5es] do mundo, isto e\u0301, &#8220;cie\u0302ncia&#8221;. (Haraway 1991:196; 1995:32)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A MET\u00c1FORA VISUAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A meta\u0301fora [visual] nos convida a investigar os variados aparatos [de] produc\u0327a\u0303o visual, incluindo as tecnologias prote\u0301ticas que [fazem interface] com nossos olhos e ce\u0301rebros biolo\u0301gicos. E aqui encontramos maquina\u0301rios muito particulares para o processamento de regio\u0303es do espectro eletro-magne\u0301tico em nossas [imagens] do mundo. E\u0301 nos meandros dessas tecnologias de visualizac\u0327a\u0303o nas quais estamos [imersos] que encontraremos meta\u0301foras e maneiras de [entender e intervir] nos padro\u0303es de objetificac\u0327a\u0303o no mundo, isto e\u0301, [nos] padro\u0303es de realidade pelos quais devemos ser responsa\u0301veis. Nessas meta\u0301foras, encontramos [meios para apreciar, <em>tanto<\/em> o aspecto concreto, &#8220;real&#8221;, <em>quanto<\/em> o aspecto de semiose e produ\u00e7\u00e3o, daquilo que chamamos de] conhecimento cienti\u0301fico. (Haraway 1991:195; 1995:30)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PROIBIR O TRUQUE-DE-DEUS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Sa\u0303o propostas a respeito da vida das pessoas; a visa\u0303o desde um corpo, sempre um corpo complexo, contradito\u0301rio, estruturante e estruturado, versus a visa\u0303o de cima, de lugar nenhum, [da simplicidade]. So\u0301 o [truque-de-deus] e\u0301 proibido. (Haraway 1991:195; 1995:30)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>o [&#8220;truque-de-deus&#8221;] de um paradigma Guerra nas Estrelas [de] conhecimento racional. (Haraway 1991:196; 1995:32)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SEXO\/G\u00caNERO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Evelyn Keller [&#8230;] insiste nas importantes possibilidades abertas pela construc\u0327a\u0303o da intersec\u0327a\u0303o [das distinc\u0327\u00f5es entre, sexo e ge\u0302nero de um lado, e natureza e cie\u0302ncia de outro]. Ela insiste tambe\u0301m na necessidade de mantermos algum substrato na\u0303o discursivo para &#8220;sexo&#8221; e &#8220;natureza&#8221;, talvez o que estou chamando de &#8220;corpo&#8221; e &#8220;mundo&#8221;. (Haraway 1991:250 nota 11; 1995:35 nota 16)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>POL\u00cdTICA e \u00c9TICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Admita-se ou na\u0303o, a poli\u0301tica e a e\u0301tica sa\u0303o a base das lutas a respeito de projetos de conhecimento nas cie\u0302ncias exatas, naturais, sociais e humanas. (Haraway 1991:188; 1995:28)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>AG\u00caNCIA DOS OBJETOS E \u00c9TICA CIENT\u00cdFICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Saberes [situados] requerem que o objeto do conhecimento seja visto como um ator e agente, na\u0303o como uma tela, ou um [fundo], ou um recurso, e, finalmente, nunca como um escravo do senhor que encerra a diale\u0301tica [em sua age\u0302ncia e autoria singulares] de conhecimento &#8220;objetivo&#8221;. (Haraway 1991:198; 1995:36)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Um corola\u0301rio da insiste\u0302ncia de que a e\u0301tica e a poli\u0301tica, encoberta ou abertamente[,] oferecem as bases da objetividade nas cie\u0302ncias como um todo heteroge\u0302neo, e na\u0303o apenas nas cie\u0302ncias sociais, e\u0301 atribuir o estatuto de agente\/ator aos &#8220;objetos&#8221; do mundo. [&#8230;] [Descri\u00e7\u00f5es] de um mundo &#8220;real&#8221;, assim, na\u0303o dependem da lo\u0301gica da &#8220;descoberta&#8221;, mas de uma relac\u0327a\u0303o social de [&#8220;conversa\u00e7\u00e3o&#8221;] carregada de poder. (Haraway 1991:198; 1995:37)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Talvez o mundo resista a ser reduzido a mero recurso porque e\u0301 [&#8230;] uma figura para o sempre [problema\u0301tica], sempre [um v\u00ednculo potente entre corpos e sentidos]. A corporificac\u0327a\u0303o feminista, as esperanc\u0327as feministas de parcialidade, objetividade e [saberes situados], [ativam] conversas e co\u0301digos neste potente no\u0301dulo [em] campos de corpos e [sentidos] possi\u0301veis. E\u0301 aqui que a cie\u0302ncia, a fantasia cienti\u0301fica e a ficc\u0327a\u0303o cienti\u0301fica convergem na questa\u0303o da objetividade [no] feminismo. Talvez nossas esperanc\u0327as [para a] responsabilidade, [para a] poli\u0301tica, [para o] ecofeminismo, estimulem uma revisa\u0303o do mundo como um trickster codificador com o qual devemos aprender a conversar. (Haraway 1991:201; 1995:41)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CI\u00caNCIA e UTOPIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A cie\u0302ncia foi uto\u0301pica e visiona\u0301ria desde o ini\u0301cio; esta e\u0301 [uma as raz\u00f5es pelas quais] &#8220;no\u0301s&#8221; precisamos dela. (Haraway 1991:192; 1995:25)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HARAWAY, Donna. 1991 [1988]. Situated knowledges: the science question in feminism and the priviledge of partial perspective. In: Simians, cyborgs, and women: the reinvention of nature. New York: Routledge, p.183-201; 248-50. HARAWAY, Donna. 1995. Saberes localizados: a quest\u00e3o da ci\u00eancia para o feminismo e o privil\u00e9gio da perspectiva parcial. (Trad. Mariza Corr\u00eaa) Cadernos PAGU 5:7-41. [1988] OBS: A valios\u00edssima tradu\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[13],"class_list":["post-157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-haraway"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/haraway_1988.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2970,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions\/2970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}