{"id":154,"date":"2021-04-14T15:08:34","date_gmt":"2021-04-14T15:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=154"},"modified":"2021-04-14T15:08:34","modified_gmt":"2021-04-14T15:08:34","slug":"escola-de-chicago-segundo-becker-1996","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2021\/04\/14\/escola-de-chicago-segundo-becker-1996\/","title":{"rendered":"Escola de Chicago, segundo Becker (1996)"},"content":{"rendered":"<p>BECKER, Howard. 1996. Confer\u00eancia: a Escola de Chicago. <em>Mana<\/em> 2(2):177-88.<\/p>\n<p><strong>AS DUAS HIST\u00d3RIAS &#8220;menores&#8221; DA SOCIOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A] hist\u00f3ria da pr\u00e1tica da sociologia, dos m\u00e9todos de pesquisa e das pesquisas realizadas, porque n\u00e3o se deve tomar como \u00f3bvio que as id\u00e9ias foram as for\u00e7as motrizes ou a principal realiza\u00e7\u00e3o de qualquer escola sociol\u00f3gica. De um determinado ponto de vista, que defendo com firmeza, a hist\u00f3ria da sociologia n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da grande teoria, mas a dos grandes trabalhos de pesquisa, dos grandes estudos sobre a sociedade. (Becker 1996:177)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A [&#8230;] hist\u00f3ria [&#8230;] das institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, dos locais onde o trabalho sociol\u00f3gico foi realizado, porque nenhuma id\u00e9ia existe por si mesma, em um v\u00e1cuo; as id\u00e9ias s\u00f3 existem porque s\u00e3o levadas adiante por pessoas que trabalham em organiza\u00e7\u00f5es que perpetuam essas id\u00e9ias e as mant\u00eam vivas. (Becker 1996:177)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>WILLIAM I. THOMAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Mesmo que um aluno n\u00e3o saiba mais nada sobre Thomas, ele provavelmente conhece a frase que o tornou famoso: \u201cse um homem define uma situa\u00e7\u00e3o como real, ela se torna real em suas conseq\u00fc\u00eancias\u201d. Esta foi sua primeira elabora\u00e7\u00e3o do conceito de \u201cdefini\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o\u201d como elemento crucial para a compreens\u00e3o da sociedade e da a\u00e7\u00e3o social. (Becker 1996:178-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ROBERT E. PARK<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Logo em seus primeiros tempos em Chicago, Park escreveu um ensaio sobre a cidade, encarando-a como um laborat\u00f3rio para a investiga\u00e7\u00e3o da vida social. Ele tinha uma id\u00e9ia central sobre a hist\u00f3ria do mundo naquela \u00e9poca, sobre o que estava ocorrendo, id\u00e9ia que resumiu ao dizer: \u201choje, o mundo inteiro ou vive na cidade ou est\u00e1 a caminho da cidade; ent\u00e3o, se estudarmos as cidades, poderemos compreender o que se passa no mundo\u201d. Assim, Park organizou seus alunos para esse empreendimento. (Becker 1996:180)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Park era muito ecl\u00e9tico em termos de m\u00e9todo. Se achasse que era poss\u00edvel mensurar alguma coisa, \u00f3timo, se n\u00e3o o fosse, \u00f3timo tamb\u00e9m. (Becker 1996:182)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INTERACIONISMO (ou o que significa &#8220;desempenhar&#8221; uma estrutura\/institui\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[M]uitos de n\u00f3s, alunos de Hughes, Blumer, Warner, [&#8230;] [a]ch\u00e1vamos<br \/>\nque, de alguma maneira, \u00e9ramos diferentes [dos &#8220;outros que tinham ido para Columbia, Michigan ou Harvard&#8221;]. [&#8230;] A no\u00e7\u00e3o de <em>intera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica<\/em> pode dar conta do que quero dizer [&#8230;]. Uma das id\u00e9ias certamente predominantes referia-se \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o a no\u00e7\u00f5es como as de <em>organiza\u00e7\u00e3o social<\/em> e <em>estrutura social<\/em>, muito comuns no pensamento dos egressos de Harvard ou Columbia, entre os alunos de Robert Merton, Talcott Parsons, bem como no pensamento de certos antrop\u00f3logos ingleses, que usavam a met\u00e1fora da estrutura social de modo excessivamente reificado. Penso que para n\u00f3s, ao contr\u00e1rio, uma das id\u00e9ias mais importantes era a de que a organiza\u00e7\u00e3o social consiste apenas em pessoas que fazem as mesmas coisas juntas, de maneira muito semelhante, durante muito tempo. Ou seja, para n\u00f3s a unidade b\u00e1sica de estudo era a intera\u00e7\u00e3o social, pessoas que se re\u00fanem para fazer coisas em comum \u2013 exemplificando com um tema antropol\u00f3gico, para constituir uma fam\u00edlia, para criar um sistema de parentesco. Disso decorre que um sistema de parentesco \u00e9 formado pelas a\u00e7\u00f5es de pessoas que fazem as coisas que se sup\u00f5e que parentes devam fazer, e que, enquanto o fizerem, teremos um sistema de parentesco. Quando n\u00e3o o fizerem mais, o sistema de parentesco se torna outra coisa. Portanto, o que nos interessava eram os modos de intera\u00e7\u00e3o, especialmente as intera\u00e7\u00f5es repetitivas das pessoas, modos estes que permanecem os mesmos dia ap\u00f3s dia, semana ap\u00f3s semana. \u00c0s vezes, esses modos de agir se alteram substancialmente, devido a uma revolu\u00e7\u00e3o ou desastre natural, mas, outras vezes, a mudan\u00e7a se d\u00e1 muito lentamente, \u00e0 medida que as circunst\u00e2ncias se modificam. (Becker 1996:186)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>P\u00d3S 2a G.M.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[T]erminada a Segunda Guerra Mundial, a Escola de Chicago, de certo modo, deixou Chicago; o pr\u00f3prio Departamento voltou-se, como institui\u00e7\u00e3o, para uma perspectiva mais ligada ao <em>survey<\/em> e \u00e0 pesquisa quantitativa, tornando-se menos aberto a estudos com abordagem antropol\u00f3gica. (Becker 1996:187)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LINHAGEM ANTROPOL\u00d3GICA DE BECKER (autodeclarada)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Simmel, Park, Hughes, Becker. (Becker 1996:188)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BECKER, Howard. 1996. Confer\u00eancia: a Escola de Chicago. Mana 2(2):177-88. 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