{"id":1165,"date":"2022-08-11T21:50:34","date_gmt":"2022-08-11T21:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=1165"},"modified":"2022-08-11T21:53:26","modified_gmt":"2022-08-11T21:53:26","slug":"instintos-e-instituicoes-deleuze-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2022\/08\/11\/instintos-e-instituicoes-deleuze-2006\/","title":{"rendered":"Instintos e institui\u00e7\u00f5es (Deleuze 2006)"},"content":{"rendered":"<p>DELEUZE, Gilles. 2006. Instintos e institui\u00e7\u00f5es. (Trad.: H\u00e9lio R. Cardoso Junior) In: <em>A ilha deserta e outros textos: textos e entrevistas (1953-1974)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, pp.29-32. [1955]<\/p>\n<p><strong>INSTITUI\u00c7\u00c3O como MEIO HUMANO DE SATISFA\u00c7\u00c3O DE TEND\u00caNCIAS-NECESSIDADES (inversamente proporcional \u00e0 &#8220;lei&#8221;)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A institui\u00e7\u00e3o se apresenta sempre como um sistema organizado de meios. \u00c9 a\u00ed que est\u00e1, ali\u00e1s, a diferen\u00e7a entre a institui\u00e7\u00e3o e a lei: esta \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, aquela, um modelo positivo de a\u00e7\u00e3o. Contrariamente \u00e0s teorias da lei, que colocam o positivo fora do social (direitos naturais) e o social no negativo (limita\u00e7\u00e3o contratual), a teoria da institui\u00e7\u00e3o p\u00f5e o negativo fora do social (necessidades) para apresentar a sociedade como essencialmente positiva, inventiva (meios originais de satisfa\u00e7\u00e3o). Tal teoria nos dar\u00e1, enfim, crit\u00e9rios pol\u00edticos: a tirania \u00e9 um regime onde h\u00e1 muitas leis e poucas institui\u00e7\u00f5es, a democracia \u00e9 um regime onde h\u00e1 muitas institui\u00e7\u00f5es e muito poucas leis. A opress\u00e3o se mostra quando as leis s\u00e3o aplicadas diretamente sobre os homens, e n\u00e3o sobre as institui\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias que garantem os homens. (Deleuze 2006:29-30)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SOCIEDADE-INSTITUI\u00c7\u00c3O como PROCESSO DE SATISFA\u00c7\u00c3O de TEND\u00caNCIAS NATURAIS-INSTINTIVAS-ESPEC\u00cdFICAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Eis o paradoxo da sociedade: n\u00f3s falamos de institui\u00e7\u00f5es quando nos encontramos diante de processos de satisfa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o desencadeados e nem determinados pela tend\u00eancia que neles est\u00e1 em vias de se satisfazer \u2013 assim como n\u00e3o s\u00e3o eles explicados pelas caracter\u00edsticas da esp\u00e9cie. A tend\u00eancia \u00e9 satisfeita por meios que n\u00e3o dependem dela. Do mesmo modo, ela nunca \u00e9 satisfeita sem ser, ao mesmo tempo, coagida ou maltratada, e transformada, sublimada. [&#8230;] O mais profundo problema sociol\u00f3gico consiste, ent\u00e3o, em procurar qual [&#8230;] \u00e9 esta outra inst\u00e2ncia da qual dependem diretamente as formas sociais da satisfa\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias. (Deleuze 2006:30)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INTELIG\u00caNCIA SOCIAL (a institui\u00e7\u00e3o como sistematizadora-controladora-purificadora de tend\u00eancias instintivas da esp\u00e9cie)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Imp\u00f5e-se reencontrar a id\u00e9ia de que a intelig\u00eancia \u00e9 coisa social mais que individual, e que ela encontra no social o meio intermedi\u00e1rio, o terceiro meio que a torna poss\u00edvel. Qual \u00e9 o sentido do social com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias? Integrar as circunst\u00e2ncias em um sistema de antecipa\u00e7\u00e3o, e integrar os fatores internos em um sistema que regra sua apari\u00e7\u00e3o, substituindo a esp\u00e9cie. \u00c9 bem este o caso da institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 noite porque a gente se deita; almo\u00e7a-se porque \u00e9 meio dia. N\u00e3o h\u00e1 tend\u00eancias sociais, mas somente meios sociais de satisfazer as tend\u00eancias, meios que s\u00e3o originais porque eles s\u00e3o sociais. Toda institui\u00e7\u00e3o imp\u00f5e ao nosso corpo, mesmo em suas estruturas involunt\u00e1rias, uma s\u00e9rie de modelos, e d\u00e3o \u00e0 nossa intelig\u00eancia um saber, uma possibilidade de prever e de projetar. Reencontramos a seguinte conclus\u00e3o: o homem n\u00e3o tem instintos, ele faz institui\u00e7\u00f5es. O homem \u00e9 um animal em vias de despojar-se da esp\u00e9cie. (Deleuze 2006:31)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>RELA\u00c7\u00d5ES HUMANO-ANIMAL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[O] instinto traduziria as urg\u00eancias do animal, e a institui\u00e7\u00e3o as exig\u00eancias do homem: no homem, a urg\u00eancia da fome dev\u00e9m reivindica\u00e7\u00e3o de ter p\u00e3o. Finalmente, no seu ponto mais agudo, o problema do instinto e da institui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apreendido, n\u00e3o nas \u201csociedades\u201d animais, mas nas rela\u00e7\u00f5es entre animal e homem, quando as exig\u00eancias do homem incidem sobre o animal, integrando-o em institui\u00e7\u00f5es (totemismo e domestica\u00e7\u00e3o), quando as urg\u00eancias do animal encontram o homem, seja [para] fugir ou atacar [&#8230;], seja para conseguir alimento e prote\u00e7\u00e3o. (Deleuze 2006:31-2)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DELEUZE, Gilles. 2006. Instintos e institui\u00e7\u00f5es. (Trad.: H\u00e9lio R. 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