{"id":1108,"date":"2022-05-18T12:58:11","date_gmt":"2022-05-18T12:58:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/?p=1108"},"modified":"2022-05-18T20:54:37","modified_gmt":"2022-05-18T20:54:37","slug":"informacao-e-virada-cibernetica-garcia-dos-santos-2003","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/2022\/05\/18\/informacao-e-virada-cibernetica-garcia-dos-santos-2003\/","title":{"rendered":"Informa\u00e7\u00e3o e virada cibern\u00e9tica (Garcia dos Santos 2003)"},"content":{"rendered":"<p>GARCIA DOS SANTOS, Laymert. 2003. A informa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a virada cibern\u00e9tica. In: Laymert Garcia dos Santos; Maria R. Kehl; Bernardo Kucinski; Walter Pinheiro. <em>Revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, internet e socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, pp.9-33.<\/p>\n<p><strong>UMA REVOLU\u00c7\u00c3O PARA AL\u00c9M DO SOCIALISMO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Gostaria de comec\u0327ar [&#8230;] chamando a atenc\u0327a\u0303o [&#8230;] para o ti\u0301tulo que foi dado [&#8230;] a\u0300 minha intervenc\u0327a\u0303o \u2013 \u201cPerspectivas que a revoluc\u0327a\u0303o microeletro\u0302nica e a internet abrem a\u0300 luta pelo socialismo\u201d. Nele ha\u0301 duas palavras que sempre, ou quase sempre, andaram juntas: <strong>socialismo e revoluc\u0327a\u0303o<\/strong>. Mas aqui, [&#8230;] revoluc\u0327a\u0303o e socialismo na\u0303o pertencessem a\u0300 mesma esfera de significac\u0327o\u0303es, como se estas palavras [&#8230;] referenciassem planos diversos de realidade [&#8230;]: como se o pensamento poli\u0301tico de esquerda precisasse elaborar e discutir uma revoluc\u0327a\u0303o que teria ocorrido fora do seu a\u0302mbito de ac\u0327a\u0303o e reflexa\u0303o. (Garcia dos Santos 2003:9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>DA VIRADA CULTURAL \u00e0 VIRADA CIBERN\u00c9TICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Desde a de\u0301cada de 1970, [&#8230;] tem se firmado a tese segundo a qual o capitalismo estaria se transfigurando ao incorporar a dimensa\u0303o da cultura ao processo de produc\u0327a\u0303o e ate\u0301 mesmo ao fazer dela o motor da acumulac\u0327a\u0303o. [&#8230;] Frederic Jameson denominou \u201ca virada cultural\u201d [&#8230;] a transformac\u0327a\u0303o geral da pro\u0301pria cultura com a reestruturac\u0327a\u0303o social do capitalismo tardio enquanto sistema. [&#8230;] A discussa\u0303o sobre a virada cultural operada pelo capitalismo contempora\u0302neo e\u0301 muito instigante. Tendo pore\u0301m a achar que ela tem um <strong>alcance limitado<\/strong> por na\u0303o considerar a centralidade das tecnologias da informac\u0327a\u0303o no processo em curso \u2013 mesmo conferindo importa\u0302ncia a essas tecnologias, o pensamento sobre a virada cultural ve\u0302 o papel destas como apenas <em>um<\/em> dos fatores da transformac\u0327a\u0303o. Minha hipo\u0301tese, portanto, e\u0301 que para perceber o mundo que esta\u0301 sendo construi\u0301do na\u0303o basta compreender a plena incorporac\u0327a\u0303o da cultura ao sistema de mercado. Mais importante do que a transformac\u0327a\u0303o desta em mercadoria parece ser a \u201c<strong>virada ciberne\u0301tica<\/strong>\u201d, que selou a alianc\u0327a entre o capital e a cie\u0302ncia e a tecnologia, e conferiu a\u0300 tecnocie\u0302ncia a func\u0327a\u0303o de motor de <strong>uma acumulac\u0327a\u0303o que vai tomar todo o mundo existente como mate\u0301ria-prima a\u0300 disposic\u0327a\u0303o do trabalho tecnocienti\u0301fico<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:10-1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INFORMA\u00c7\u00c3O COMO MENSAGEM<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Quando ouvimos a expressa\u0303o \u201ctecnologias da informac\u0327a\u0303o\u201d, costumamos pensar nas ma\u0301quinas e nos meios que processam as mensagens produzidas pelos homens, veiculando um conteu\u0301do imaterial \u2013 textos, imagens e sons. Nesse caso, <strong>a informac\u0327a\u0303o e\u0301 enta\u0303o entendida em seu sentido jornali\u0301stico<\/strong>, como esse dado da realidade que, uma vez trabalhado pela linguagem humana, se torna o componente das mensagens capaz de estruturar a <strong>comunicac\u0327a\u0303o entre emissor e receptor<\/strong>, e manifestar a originalidade da troca simbo\u0301lica que se estabelece. Mais ainda: quando se fala em tecnologias da informac\u0327a\u0303o, costumamos pensar na <strong>mi\u0301dia<\/strong>, isto e\u0301, no sistema de produc\u0327a\u0303o industrial de informac\u0327o\u0303es. (Garcia dos Santos 2003:11)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A M\u00cdDIA E DEMOCRACIA S\u00c3O APENAS PARTES DA VIRADA CIBERN\u00c9TICA (que tamb\u00e9m envolve o mundo como problema de codifica\u00e7\u00e3o tecnocient\u00edfica)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Entretanto e\u0301 preciso deixar claro que a mi\u0301dia, tal como existe hoje, e\u0301 apenas um segmento, ainda que relevante, da virada ciberne\u0301tica; esta implica muito mais do que o simples uso dos meios eletro\u0302nicos para transmitir informac\u0327o\u0303es. Hoje na\u0303o se pode mais pensar a questa\u0303o dos meios eletro\u0302nicos segundo os mesmos para\u0302metros de outrora \u2013 as concepc\u0327o\u0303es que viam os meios como o quarto Poder, como dispositivos passi\u0301veis de democratizac\u0327a\u0303o da cultura, como porta-vozes da opinia\u0303o pu\u0301blica, como vei\u0301culos que podem contribuir para o aperfeic\u0327oamento democra\u0301tico. Estas concepc\u0327o\u0303es precisam ser reconsideradas dentro do campo maior que e\u0301 definido pelo alcance e pela abrange\u0302ncia da <strong>noc\u0327a\u0303o tecnocienti\u0301fica de informac\u0327a\u0303o<\/strong>. Do mesmo modo, discusso\u0303es como a <strong>democratizac\u0327a\u0303o da informa\u0301tica e da internet<\/strong> na\u0303o podem se limitar a\u0300 exaltac\u0327a\u0303o ou a\u0300 cri\u0301tica dos novos meios. Isso porque as tecnologias da informac\u0327a\u0303o extrapolam imensamente o campo de atuac\u0327a\u0303o da mi\u0301dia e das novas mi\u0301dias, pois operam \u2013 em todos os campos \u2013 <strong>a codificac\u0327a\u0303o e a digitalizac\u0327a\u0303o do mundo ao manipularem a realidade informacional que permeia a mate\u0301ria inerte, o ser vivo e o objeto te\u0301cnico<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:11-2)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>VIRADA CIBERN\u00c9TICA e REVOLU\u00c7\u00c3O NEWTONIANA (informa\u00e7\u00e3o como linguagem comum)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A elaborac\u0327a\u0303o de uma linguagem comum para ale\u0301m das especificidades dos diversos ramos do conhecimento cienti\u0301fico e a instituic\u0327a\u0303o de uma nova si\u0301ntese, so\u0301 compara\u0301vel a\u0300 <strong>revoluc\u0327a\u0303o newtoniana<\/strong>, indicavam que a teoria da informac\u0327a\u0303o parecia assumir um papel central no pensamento humano contempora\u0302neo. Tal centralidade se devia ao fato de <strong>o conceito de informac\u0327a\u0303o ser va\u0301lido nos campos da fi\u0301sica, da biologia e da tecnologia<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:12-3)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SIMONDON e a INFORMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Seria preciso definir uma noc\u0327a\u0303o que fosse va\u0301lida para pensar a individuac\u0327a\u0303o na natureza fi\u0301sica tanto quanto na natureza viva, e em seguida para definir a diferenciac\u0327a\u0303o interna do ser vivo que prolonga sua individuac\u0327a\u0303o separando as func\u0327o\u0303es vitais em fisiolo\u0301gicas e psi\u0301quicas. Ora, se retomamos o <strong>paradigma da tomada de forma tecnolo\u0301gica<\/strong>, encontramos uma noc\u0327a\u0303o que parece poder passar de uma ordem de realidade a outra, em raza\u0303o de seu cara\u0301ter puramente operato\u0301rio, na\u0303o vinculado a esta ou a\u0300quela mate\u0301ria, e definindo-se unicamente em relac\u0327a\u0303o a um regime energe\u0301tico e estrutural: a noc\u0327a\u0303o de informac\u0327a\u0303o. [SIMONDON, Gilbert. <em>L\u2019individu et sa ge\u0301ne\u0300se physico- biologique<\/em>. Epime\u0301the\u0301e, Paris, Presses Universitaires de France, 1964, p. 250.] (Garcia dos Santos 2003:13)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LAYMERT e a INFORMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Definida como a <strong>singularidade real por meio da qual uma energia potencial se atualiza<\/strong>, atrave\u0301s da qual uma incompatibilidade e\u0301 superada, a informac\u0327a\u0303o, segundo a formulac\u0327a\u0303o luminosa de Gregory Bateson, e\u0301 \u201cuma diferenc\u0327a que faz a diferenc\u0327a\u201d. Ocorre que tanto na fi\u0301sica quanto na biologia e na tecnologia a informac\u0327a\u0303o atua nessa realidade pre\u0301-individual, intermedia\u0301ria, que o filo\u0301sofo denomina \u201co centro consistente do ser\u201d; essa <strong>realidade natural pre\u0301-vital tanto quanto pre\u0301-fi\u0301sica<\/strong> a partir da qual a vida e a mate\u0301ria inerte sa\u0303o geradas e tornam-se consistentes. Ora, a possibilidade de se conceber um <strong>substrato comum a\u0300 mate\u0301ria inerte, ao ser vivo e ao objeto te\u0301cnico<\/strong> apaga progressivamente as fronteiras estabelecidas pela sociedade moderna entre <strong>natureza e cultura<\/strong>. Mais ainda: tudo se passa como se houvesse um plano de realidade em que mate\u0301ria e espi\u0301rito humano pudessem se encontrar e se comunicar na\u0303o como realidades exteriores postas em contato, mas como sistemas que passam a se integrar num processo de resoluc\u0327a\u0303o que e\u0301 imanente ao pro\u0301prio plano. [&#8230;] Na base da virada ciberne\u0301tica encontra-se, assim, a capacidade do homem de \u201cfalar\u201d <strong>a linguagem do \u201ccentro consistente do ser\u201d<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:13-4)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>HARAWAY<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Donna Haraway havia observado que as cie\u0302ncias das comunicac\u0327o\u0303es e a biologia moderna compartilham o mesmo i\u0301mpeto de <strong>traduzir o mundo num problema de codificac\u0327a\u0303o<\/strong>, de buscar uma linguagem comum na qual desaparec\u0327a qualquer resiste\u0302ncia ao controle instrumental e na qual toda heterogeneidade possa ser submetida a decomposic\u0327a\u0303o, recomposic\u0327a\u0303o, investimento e troca. (Garcia dos Santos 2003:14)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>VIRADA CIBERN\u00c9TICA e SOCIEDADE DE CONTROLE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>E\u0301 preciso, portanto, perceber a virada ciberne\u0301tica como esse \u201cmovimento comum\u201d que se da\u0301 no campo da cie\u0302ncia e da te\u0301cnica, a partir do qual se instaura a possibilidade de <strong>abrir totalmente o mundo ao controle tecnocienti\u0301fico por meio da informac\u0327a\u0303o<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:14)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>BUCKMINSTER-FULLER e GESTA\u00c7\u00c3O TECNOL\u00d3GICA (acelera\u00e7\u00e3o da acelera\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Richard Buckminster-Fuller, que acompanhou sistematicamente a evoluc\u0327a\u0303o tecnolo\u0301gica do se\u0301culo XX desde a de\u0301cada de 1920 ate\u0301 meados dos anos 1980, descobriu que toda tecnologia tinha um <strong>tempo de gestac\u0327a\u0303o<\/strong>, mas tambe\u0301m que tal tempo estava encurtando cada vez mais, o que evidenciava uma acelerac\u0327a\u0303o crescente. Entretanto, a partir da de\u0301cada de 1970, a evoluc\u0327a\u0303o tecnolo\u0301gica dispara, caracterizando um movimento que Fuller chama de efemeralizac\u0327a\u0303o, isto e\u0301, <strong>acelerac\u0327a\u0303o da acelerac\u0327a\u0303o<\/strong>, acelerac\u0327a\u0303o exponencial que faz com que as transformac\u0327o\u0303es comecem a se precipitar. (Garcia dos Santos 2003:15-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>FUS\u00d5ES e ONDAS TECNOL\u00d3GICAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Com efeito, a partir da de\u0301cada de 1970 a informa\u0301tica comec\u0327a a penetrar em todos os setores e a favorecer fuso\u0303es de tecnologias diferentes, que haviam se desenvolvido separadamente [&#8230;]. Quando ha\u0301 fuso\u0303es de linhagens tecnolo\u0301gicas diferentes, a soma nunca e\u0301 1 + 1 = 2, e sim = 3, pois ale\u0301m do que cada linhagem traz a soma potencializa algo ate\u0301 enta\u0303o impensa\u0301vel nos ramos separados. A inovac\u0327a\u0303o conduziu enta\u0303o a produc\u0327a\u0303o industrial a uma verdadeira mutac\u0327a\u0303o que afetou inclusive a lo\u0301gica dos investimentos nas empresas de ponta: a partir de meados da de\u0301cada de 1980 o princi\u0301pio do retorno do capital comec\u0327ou a deixar de comandar o processo de substituic\u0327a\u0303o de tecnologias e passou a prevalecer <strong>o princi\u0301pio do surfe<\/strong>: ha\u0301 ondas tecnolo\u0301gicas e as empresas te\u0302m que surfar \u2013 na\u0303o ha\u0301 mais tempo para esperar o retorno do capital investido, as pro\u0301prias ondas tecnolo\u0301gicas exigem que se esteja na crista da onda para na\u0303o morrer. (Garcia dos Santos 2003:16)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>GLOBALIZA\u00c7\u00c3O e TECNOLOGIA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ningue\u0301m ignora que o desenvolvimento tecnolo\u0301gico encontra-se na base da globalizac\u0327a\u0303o. Mas poucos a concebem como o fruto de uma <strong>alianc\u0327a entre o capital e a tecnocie\u0302ncia que se estende ao ni\u0301vel planeta\u0301rio<\/strong> ao mesmo tempo que consagra a inovac\u0327a\u0303o tecnolo\u0301gica como instrumento de supremacia econo\u0302mica e poli\u0301tica. (Garcia dos Santos 2003:15-6)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>MUTA\u00c7\u00d5ES na VIDA, TRABALHO e CULTURA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Quando percebemos que na o\u0301tica do biotecno\u0301logo uma planta, um animal e ate\u0301 mesmo o ser humano reduz-se a um <strong>pacote de informac\u0327o\u0303es<\/strong> \u2013 porque o que interessa e\u0301 o agenciamento das suas informac\u0327o\u0303es gene\u0301ticas \u2013, realizamos melhor a mudanc\u0327a de perspectiva. Por outro lado, a noc\u0327a\u0303o de trabalho [eletr\u00f4nica e flexibiliza\u00e7\u00e3o] e ate\u0301 mesmo a de produc\u0327a\u0303o de conhecimento [eletr\u00f4nica e recombina\u00e7\u00e3o] tambe\u0301m sa\u0303o profundamente alteradas, agora na\u0303o pela informac\u0327a\u0303o gene\u0301tica, mas pela digital. (Garcia dos Santos 2003:17)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Em suma: a informac\u0327a\u0303o enquanto diferenc\u0327a que faz a diferenc\u0327a <strong>reconfigura o trabalho, o conhecimento e a vida<\/strong>, enquanto a virada ciberne\u0301tica transforma <strong>o mundo num inesgota\u0301vel banco de dados<\/strong>. [&#8230;] [O] capitalismo de ponta passa a interessar-se mais pelo <strong>controle dos processos<\/strong> do que dos produtos, mais pelas <strong>pote\u0302ncias, virtualidades e performances<\/strong> do que pelas coisas mesmas. O capital [&#8230;] comec\u0327a a deslocar-se para o campo do <strong>virtual<\/strong>, voltando-se para uma <strong>economia futura<\/strong> cujo comportamento e\u0301 analisado por meio de <strong>simulac\u0327o\u0303es<\/strong> cada vez mais complexas. (Garcia dos Santos 2003:17-8)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INFORMA\u00c7\u00c3O COMO VETOR DE ATUALIZA\u00c7\u00c3O-VIRTUALIZA\u00c7\u00c3O (mais do que a realidade virtual, \u00e9 a realidade do virtual).<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[C]omo germe que atualiza a pote\u0302ncia do virtual, ela [a informa\u00e7\u00e3o] e\u0301 o operador da passagem de uma dimensa\u0303o da realidade para outra, se lembrarmos que a dimensa\u0303o atual da realidade e\u0301 a dimensa\u0303o do existente, ao passo que a dimensa\u0303o virtual e\u0301 a do que existe enquanto pote\u0302ncia. Assim, e\u0301 a informac\u0327a\u0303o que permite ao capital global e a\u0300 tecnocie\u0302ncia passarem <strong>da dimensa\u0303o atual da realidade para a sua dimensa\u0303o virtual<\/strong>. Agora se torna possi\u0301vel <strong>investir sobre toda criac\u0327a\u0303o<\/strong>, inclusive a criac\u0327a\u0303o da vida. Sabemos que por meio da privatizac\u0327a\u0303o das telecomunicac\u0327o\u0303es, da colonizac\u0327a\u0303o das redes e do pro\u0301ximo loteamento do campo eletromagne\u0301tico, o capital global busca controlar o acesso e a explorac\u0327a\u0303o do ciberespac\u0327o; mas nos esquecemos de que a ambic\u0327a\u0303o maior da nova economia e\u0301 <strong>assenhorear-se da dimensa\u0303o virtual da realidade, e na\u0303o apenas da dimensa\u0303o da realidade virtual<\/strong>, do ciberespac\u0327o, como tem sido observado. [&#8230;] Aliado a\u0300 tecnocie\u0302ncia, o capitalismo tem a ambic\u0327a\u0303o de apropriar-se do <strong>futuro<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:18)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O MUNDO COMO BANCO DE DADOS a ser ECONOMICAMENTE EXPLORADO com GARANTIAS JUR\u00cdDICAS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Levando a instrumentalizac\u0327a\u0303o ao extremo, a virada ciberne\u0301tica permite que a tecnocie\u0302ncia considere tudo o que existe ou existiu como <strong>mate\u0301ria-prima a ser processada<\/strong> por uma tecnologia que lhe agrega valor. Tal possibilidade abriu para a apropriac\u0327a\u0303o capitalista um horizonte e um campo de atuac\u0327a\u0303o insuspeitos: <strong>o plano molecular do finito ilimitado<\/strong> no qual, lembrando Deleuze, um nu\u0301mero finito de componentes produz uma diversidade praticamente ilimitada de combinac\u0327o\u0303es. Se <strong>o mundo e\u0301 um banco de dados<\/strong>, a atividade valorizada e\u0301 aquela que nele <strong>garimpa informac\u0327o\u0303es<\/strong> passi\u0301veis de serem traduzidas em novas configurac\u0327o\u0303es e apresentadas como inovac\u0327o\u0303es. Na\u0303o e\u0301 difi\u0301cil perceber, enta\u0303o, que tanto para a tecnocie\u0302ncia como para o capital global a preocupac\u0327a\u0303o primeira consistiu em encontrar uma <strong>formulac\u0327a\u0303o juri\u0301dica<\/strong> que lhes permitisse assegurar o acesso e o controle da informac\u0327a\u0303o <strong>nos dois extremos, isto e\u0301, no plano molecular em que ela se encontra, mas tambe\u0301m no plano global<\/strong>, no mercado mundial em que ela sera\u0301 explorada depois de reprogramada. (Garcia dos Santos 2003:18-9)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>APROPRIA\u00c7\u00c3O PRIVADA da VIDA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os sistemas de <strong>propriedade intelectual<\/strong> foram a sai\u0301da juri\u0301dica encontrada para a protec\u0327a\u0303o da inovac\u0327a\u0303o fundada na manipulac\u0327a\u0303o da informac\u0327a\u0303o gene\u0301tica ou digital. Mas para que isso ocorresse foi preciso transferir para esse terreno o regime de <strong>patentes<\/strong>, que vigorava na esfera industrial e selava as relac\u0327o\u0303es entre o direito e a cie\u0302ncia, protegendo a propriedade de artefatos e ma\u0301quinas [&#8230;]. Ora, tal transfere\u0302ncia na\u0303o se configura como continuac\u0327a\u0303o ou simples desdobramento de um monopo\u0301lio tempora\u0301rio de explorac\u0327a\u0303o concedido aos inventores desde o se\u0301culo XIX; na verdade, ela e\u0301 muito mais do que isso. [&#8230;] Os direitos de propriedade intelectual <strong>consagram a dessacralizac\u0327a\u0303o total da vida<\/strong>, ao legitimarem a apropriac\u0327a\u0303o, a explorac\u0327a\u0303o e a monopolizac\u0327a\u0303o de seus componentes. (Garcia dos Santos 2003:19)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[E]ssa revoluc\u0327a\u0303o [&#8230;] comec\u0327a com uma protec\u0327a\u0303o juri\u0301dica especi\u0301fica para as plantas por meio do <strong>Plant Act de 1930<\/strong> nos Estados Unidos, abarca os <strong>microorganismos em 1980 com o caso Chakrabarty<\/strong>, estende-se aos animais no final da mesma de\u0301cada e, finalmente, chega ao homem, com o <strong>caso Moore<\/strong>. [&#8230;] [F]oi-se pouco a pouco elaborando um modelo juri\u0301dico que, partindo de uma concepc\u0327a\u0303o sagrada do ser vivo, desembocou numa concepc\u0327a\u0303o instrumental e ate\u0301 mesmo industrial. (Garcia dos Santos 2003:20)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>[U]ma ruptura se deu no momento em que se reconheceu o direito de se patentear uma bacte\u0301ria geneticamente modificada \u2013 desde enta\u0303o a vida torna-se um patrimo\u0302nio gene\u0301tico susceti\u0301vel de apropriac\u0327a\u0303o e, como tal, <strong>a u\u0301ltima <em>enclosure<\/em><\/strong> (Garcia dos Santos 2003:20-1)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>PROPRIEDADE INTELECTUAL e DESQUALIFICA\u00c7\u00c3O DO TRABALHO DA NATUREZA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[T]oda essa transformac\u0327a\u0303o que a e\u0302nfase na propriedade intelectual acarreta no regime de propriedade e ate\u0301 mesmo no objeto a ser apropriado e\u0301 muito pouco discutida pelos cri\u0301ticos do capitalismo. Passa despercebido o cara\u0301ter intrinsecamente predato\u0301rio de uma cultura e de uma sociedade que comec\u0327aram a considerar legi\u0301timas e justas tanto a reduc\u0327a\u0303o dos seres vivos a\u0300 condic\u0327a\u0303o de mate\u0301ria-prima sem valor quanto a pretensa\u0303o do biotecno\u0301logo de reivindicar para sua atividade \u201cinventiva\u201d a exclusividade da gerac\u0327a\u0303o de valor. <strong>Passa despercebida a desqualificac\u0327a\u0303o suma\u0301ria do \u201ctrabalho\u201d da natureza e de todo tipo de trabalho humano, em todas as culturas e sociedades, exceto o trabalho tecnocienti\u0301fico<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:21)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>QUESTIONAR a ACELERA\u00c7\u00c3O (recado \u00e0 \u201cesquerda\u201d?)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[N]em sempre fica claro <strong>o sentido da opc\u0327a\u0303o pela ma\u0301xima acelerac\u0327a\u0303o<\/strong>. Os socio\u0301logos, os economistas, mas tambe\u0301m os poli\u0301ticos parecem na\u0303o se dar conta dos efeitos colaterais que a velocidade ma\u0301xima pode produzir nas relac\u0327o\u0303es sociais. De certo modo, continua intacto o mito do se\u0301culo XIX segundo o qual o progresso so\u0301 traz benefi\u0301cios e bem-estar, cabendo aos democratas lutar pela sua universalizac\u0327a\u0303o. E, porque <strong>o mito do progresso continua intocado, as forc\u0327as progressistas na\u0303o discutem politicamente a tecnologia<\/strong>.  (Garcia dos Santos 2003:22)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>TECNOLOGIA e SELE\u00c7\u00c3O CAPITALISTA (fascismo e capitalismo)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Exigida pela acelerac\u0327a\u0303o econo\u0302mica e tecnolo\u0301gica total em curso, a <strong>selec\u0327a\u0303o<\/strong> seria um modo de \u201cprocessar\u201d as categorias sociais e as populac\u0327o\u0303es em dois registros. No <strong>primeiro, trata-se de neutralizar<\/strong> aquelas que se exclui\u0301ram ou foram exclui\u0301das do movimento total, seja porque o recusavam e a ele resistiam, seja porque se mostraram incapazes de acompanha\u0301-lo, tornando-se enta\u0303o \u201cdescarta\u0301veis\u201d, para usar as palavras do subcomandante Marcos. No <strong>segundo, trata-se de favorecer<\/strong> e estimular aquelas categorias e populac\u0327o\u0303es que podem conferir a ma\u0301xima efica\u0301cia a\u0300 ordem econo\u0302mica e tecnocienti\u0301fica, segundo os para\u0302metros da acelerac\u0327a\u0303o total. Assim, <strong>Auschwitz<\/strong> seria o emblema negativo da selec\u0327a\u0303o, enquanto a nova eugenia que se constitui com <strong>a engenharia gene\u0301tica, a sociobiologia e o neodarwinismo<\/strong> seriam o positivo. (Garcia dos Santos 2003:23)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><strong>Auschwitz seria o altar do capitalismo<\/strong> porque ali o homem e\u0301 sacrificado em nome do progresso, porque o crite\u0301rio da ma\u0301xima racionalidade reduz o homem ao seu valor de mate\u0301ria-prima; seria o u\u0301ltimo esta\u0301gio das Luzes, como a realizac\u0327a\u0303o plena do ca\u0301lculo por ela inaugurado; e seria, enfim, <strong>o modelo de base da sociedade tecnolo\u0301gica porque o extermi\u0301nio em escala industrial consagra ate\u0301 mesmo na morte a busca de funcionalidade e eficie\u0302ncia<\/strong>, princi\u0301pios fundamentais do sistema te\u0301cnico moderno. (Garcia dos Santos 2003:24)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Susan George percebeu o cara\u0301ter genocida impli\u0301cito na estrate\u0301gia global do neoliberalismo quando, constatando que o sistema atual e\u0301 <strong>uma ma\u0301quina universal de destruic\u0327a\u0303o do ambiente e de produc\u0327a\u0303o de perdedores<\/strong>, procurou colocar-se na posic\u0327a\u0303o daqueles que mais lucram com ele e descobriu que eles estavam inquietos. (Garcia dos Santos 2003:25)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O modelo de Auschwitz e\u0301 o contra\u0301rio do que precisamos para atingir o objetivo. [&#8230;] <strong>A selec\u0327a\u0303o das \u201cvi\u0301timas\u201d na\u0303o deve ser responsabilidade de ningue\u0301m, sena\u0303o das pro\u0301prias \u201cvi\u0301timas\u201d<\/strong>. Elas selecionara\u0303o a si mesmas a partir de crite\u0301rios de incompete\u0302ncia, de inaptida\u0303o, de pobreza, de ignora\u0302ncia, de preguic\u0327a, de criminalidade e assim por diante; numa palavra, elas encontrar-se-a\u0303o no grupo dos perdedores. [GEORGE, Susan. <em>Le rapport Lugano<\/em>. Paris, Fayard, 2000, p. 344-345. Traduzido do ingle\u0302s por William Olivier Desmond. (Edic\u0327a\u0303o brasileira: <em>O relato\u0301rio Lugano<\/em>. Sa\u0303o Paulo, Boitempo, 2001.)] (Garcia dos Santos 2003:27)<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Ora, se o ponto de vista de Mu\u0308ller e George for verdadeiro, a questa\u0303o do bino\u0302mio inclusa\u0303o-exclusa\u0303o torna-se central e <strong>a questa\u0303o da resiste\u0302ncia ao modelo dominante passa pela luta em prol da manutenc\u0327a\u0303o da diversidade de culturas e de sociedades, mas tambe\u0301m em prol da diversidade de temporalidades e de ritmos<\/strong>, que na\u0303o se aniquilam diante do imperativo da acelerac\u0327a\u0303o total. Em outras palavras, <strong>luta pela possibilidade de outros devires<\/strong>, diferentes daquele concebido pela tecnocie\u0302ncia e pelo capital global. Vale dizer: luta pela existe\u0302ncia e <strong>pela continuidade da existe\u0302ncia<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:28)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>BRASIL P\u00d3S-CATASTR\u00d3FICO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O Brasil continua se vendo como pai\u0301s do futuro e talvez esta seja a raza\u0303o por que os brasileiros na\u0303o te\u0302m olhos para perceber a rui\u0301na moderna que esta\u0301 se construindo. Foi preciso que um socio\u0301logo alema\u0303o (Robert Kurz, em seu livro <em>O colapso da modernizac\u0327a\u0303o<\/em>) nos mostrasse que o esforc\u0327o desenvolvimentista do Terceiro Mundo na\u0303o pode mais trazer a prometida modernizac\u0327a\u0303o da sociedade para que, com ela, descobri\u0301ssemos que o projeto de futuro ja\u0301 ficou para tra\u0301s e que <strong>vivemos numa \u201csociedade po\u0301s-cata\u0301strofe\u201d<\/strong>, em que predomina a dina\u0302mica do desmoronamento. (Garcia dos Santos 2003:31)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>OS SINAIS DA CAT\u00c1STROFE<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[A]umento do desemprego, da viole\u0302ncia e da mise\u0301ria; desindustrializac\u0327a\u0303o e endividamento; desmontagem das instituic\u0327o\u0303es e servic\u0327os pu\u0301blicos; recuo da presenc\u0327a do Estado nas diferentes regio\u0303es; degradac\u0327a\u0303o ambiental; devastac\u0327a\u0303o na Amazo\u0302nia e invasa\u0303o de terras indi\u0301genas; desestruturac\u0327a\u0303o urbana; papel crescente do tra\u0301fico de drogas e do crime organizado na vida das cidades \u2013, atentos principalmente a\u0300 conversa\u0303o de parcelas cada vez maiores da populac\u0327a\u0303o em na\u0303o-pessoas sociais, isto e\u0301, \u201c<strong>sujeitos moneta\u0301rios sem dinheiro<\/strong>\u201d, para usar a formulac\u0327a\u0303o de Kurz (Garcia dos Santos 2003:31)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SACRALIZA\u00c7\u00c3O DA RACIONALIDADE TECNOCIENT\u00cdFICA-ECON\u00d4MICA<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[P]ela primeira vez na histo\u0301ria o sistema capitalista, agora globalizado, passa a excluir em vez de incluir parcelas cada vez maiores da forc\u0327a de trabalho. Isso porque a concorre\u0302ncia no mercado mundial e o casamento da tecnocie\u0302ncia com o capital globalizado impo\u0303em um padra\u0303o de produtividade ta\u0303o alto que a pro\u0301pria lo\u0301gica do sistema acaba tornando-o destrutivo e talvez ate\u0301 mesmo autodestrutivo. Ora, na\u0303o deixa de ser iro\u0302nico e paradoxal pensar que <strong>justamente quando o capitalismo parece triunfar no mundo inteiro ele precisa entrar em guerra com todas as sociedades e todas as culturas<\/strong> porque a estrate\u0301gia da acelerac\u0327a\u0303o total funde, num so\u0301 e u\u0301nico movimento, uma racionalidade tecnocienti\u0301fica que recusa qualquer limitac\u0327a\u0303o ao seu desenvolvimento e uma racionalidade econo\u0302mica que rejeita ate\u0301 mesmo a ide\u0301ia de qualquer limite para o capital. (Garcia dos Santos 2003:32-3)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS (sociologia da tecnologia e a \u201cesquerda\u201d)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Como se ve\u0302, em vez de discutir as perspectivas que a revoluc\u0327a\u0303o microeletro\u0302nica e a internet abrem a\u0300 luta pelo socialismo, pus em discussa\u0303o <strong>o campo de conflitos no qual estamos metidos desde que a virada ciberne\u0301tica deu novo fo\u0302lego ao capital e fragilizou sobremaneira os trabalhadores, os pobres e os exclui\u0301dos de todo o mundo<\/strong>. [&#8230;] Va\u0301rias vezes ja\u0301 me disseram que, enquanto socio\u0301logo da tecnologia, eu me ocupo de questo\u0303es que na\u0303o sa\u0303o relevantes para a maioria do povo brasileiro porque esta na\u0303o tem acesso ao caderno escolar, quanto mais ao computador. Mas defendo a ide\u0301ia de que e\u0301 preciso sim discutir politicamente a tecnologia e conhecer as opc\u0327o\u0303es tecnolo\u0301gicas possi\u0301veis para evitar que elas nos sejam apresentadas como inexora\u0301veis e enfiadas por nossa goela abaixo. Dentro da esquerda, <strong>precisamos deixar de lado a ingenuidade quanto ao papel progressista da tecnocie\u0302ncia no capitalismo contempora\u0302neo<\/strong>. (Garcia dos Santos 2003:33)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GARCIA DOS SANTOS, Laymert. 2003. A informa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a virada cibern\u00e9tica. In: Laymert Garcia dos Santos; Maria R. Kehl; Bernardo Kucinski; Walter Pinheiro. Revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, internet e socialismo. S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, pp.9-33. UMA REVOLU\u00c7\u00c3O PARA AL\u00c9M DO SOCIALISMO Gostaria de comec\u0327ar [&#8230;] chamando a atenc\u0327a\u0303o [&#8230;] para o ti\u0301tulo que foi dado [&#8230;] a\u0300 minha intervenc\u0327a\u0303o \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1107,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[374],"class_list":["post-1108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fichamento","tag-garcia-dos-santos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/laymert-01-copy.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1108"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1113,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108\/revisions\/1113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.laspa.slg.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}